Televisão

Larry King, o homem que casou com sete mulheres mas só tinha um amor — a CNN

Casou pela primeira vez aos 19 anos, divorciou-se por duas vezes com uma coelhinha da Playboy, e confessa-se "sem arrependimentos".
King e a sua última mulher, Shawn Southwick

“Costumava dizer que se me ligassem da ‘CNN’ e dissessem que era uma emergência — e recebesse outra chamada de emergência da minha mulher —, a minha primeira chamada seria para a ‘CNN’.” Larry King era assim, direto, conciso e consciente dos seus próprios defeitos. Talvez isso explique os oito casamentos com sete mulheres diferentes ao longo de uma vida.

“Em retrospetiva, amei apenas três pessoas. E casei com as três. Nos outros casamentos não havia amor, era apenas algo que tinha que fazer”, alegou a personalidade da rádio e da televisão que morreu aos 87 anos a 23 de janeiro.

Um cavalheiro não revela nomes, mas King nunca se prestou a esse tipo de condicionamentos. Dessa lista de paixões assumidas não consta Alena Akins, a mulher com quem casou por duas vezes. Antiga coelhinha da “Playboy”, Akins conheceu King durante uma das muitas e animadas festas na mais louca mansão da década de 60.

Casaram-se em 1961, quando Larry era ainda uma estrela emergente da rádio e acabara de deixar cair o apelido Zeiger para acrescentar legalmente King ao seu nome — roubado a um anúncio que viu no jornal a uma loja de bebidas, a King’s Wholesale Liquor.

O apresentador aceitou adotar o filho da modelo, ele que também já era pai de um casamento anterior. Acabariam por se divorciar ao final de um ano, em 1963. Rapidamente King encontrou um novo alvo — “Adoro a fase do engate”, confessou ao “The New York Times” — e envolveu-se com Mary Sutphin. Casaram no mesmo ano do divórcio de Akins e a relação foi uma das mais duradouras: só terminou ao fim de quatro anos. 

A história de Akins e King não tinha terminado. Haveriam de se reconciliar nesse mesmo ano — e voltariam a casar — para terem em conjunto um filho, Chaia. Só que dita a sina de King, o amor não duraria por muito tempo. Dois anos depois, em 1972, chegaria o segundo divórcio.

Alene e King nos anos 60

King voltaria a recordar a relação de ambos em 2017, por altura da morte de Akins, com quem esteve casado cerca de sete anos, somados os dois matrimónios. “Estou tristíssimo com o falecimento de Alene Akins, que morreu em paz ao lado dos nossos filhos Chaia e Andy. Ela era uma grande senhora”, escreveu nas redes sociais.

A turbulenta vida amorosa de King começou cedo e com polémica. Disse que sim pela primeira vez em 1952, tinha apenas 19 anos. Do outro lado do altar estava Freda Miller, namorada de adolescência. O casamento acabou por ser anulado a pedido dos pais da jovem.

A entrada nos loucos anos 60 e a ascensão de King como estrela radiofónica em Miami colocaram o norte-americano, então com 28 anos, numa verdadeira espiral amorosa. Em 1961 casou com Annette Kaye. O casamento terminou nesse mesmo ano, para dar lugar à união com a coelhinha Akins, ainda antes dos festejos de Ano Novo.

A breve revelação haveria de o surpreender três décadas depois, quando descobriu que Kaye tinha engravidado e dado à luz o seu primeiro filho, Larry King Jr.. Mas será que foi realmente uma surpresa?

“Ele agora está connosco. Isso foi extraordinário. Eu tinha ideia que tinha um filho. Provavelmente sabia-o, mas não tinha certezas. E depois perceber que afinal tinha — e que ele é uma das pessoas mais maravilhosas que conheço…”, confessou em 2009 a Anderson Cooper na “CNN”, depois de revelar em livro o primeiro encontro com o filho quando já tinha mais de trinta anos..

Ao fim de quatro anos de vida solteira, King estava pronto para uma nova paixão (ou paixões) e desta vez para um amor a sério, como viria a confirmar mais tarde. “Só amei três, a atual [a sua última mulher Shawn Southwick] e as duas anteriores. Para lá disso, acho que foi… bem, eu nunca vivi realmente com ninguém. Creio que nunca passei a noite na casa de outra pessoa sequer”, contou em 2009.

O seu primeiro casamento por amor foi com a professora de matemática e assistente de produção Sharon Lepore, que durou seis anos e terminou em 1983. Mais fugaz foi o caso com a empresária Julie Alexander. A velocidade (e potencial desastre) revelou-se logo no primeiro encontro, quando King nem deu sequer hipótese de um segundo jantar. Pedi-lhe logo ali em casamento. Ela aceitou. Três meses depois eram marido e mulher.

King e Julie Alexander

A coisa correu tão bem quanto se poderia esperar. Ele vivia em Washington, ela em Filadélfia. Menos de um ano depois, estavam oficialmente separados. Os papéis seriam assinados em 1992.

Antes do último grande amor, houve ainda tempo para um ensaio. Um pequeno romance com a atriz Deanna Lund deu a entender que estaria para chegar um novo casamento. Ficaram noivos ao fim de cinco semanas de namoro, mas a cerimónia nunca se realizou.

Aos 64, o grande e último casamento. Shawn Southwick era cantora, atriz e apresentadora de televisão. A diferença de 26 anos não os impediu de fazer a festa, que aconteceu poucos dias antes de King dar entrada no hospital para uma cirurgia ao coração.

Dez anos depois, em 2007, celebravam o 10.º aniversário, um marco inédito na vida amorosa de King, que descreveu a data com o seu humor do costume: “Ela foi a única esposa que durou tempo suficiente para chegar aos dois dígitos”. Foi também com Southwick que teve dois filhos. Chance, em 1999, e Cannon em 2000.

King com Shawn Southwick e os filhos

Só que ao fim de 13 anos, os problemas tardaram mas chegaram. Na imprensa começaram a surgir rumores da infidelidade do casal. Southwick era acusada de ter um caso com o treinador de baseball do filho, King de estar envolvido com a irmã mais nova da sua mulher. Ambos negaram a veracidade das alegações, apesar de terem mesmo preenchido os papéis do divórcio, que acabou por não ser oficializado.

Haveria de acontecer nove anos mais tarde, em 2019, pondo fim a um matrimónio de 22 anos. Uma decisão repentina de King que Southwick confessou não esperar. À data da sua morte os detalhes do divórcio ainda estavam a ser tratados.

Dos sete casamentos, King acumulou uma longa list ade herdeiros, com cinco filhos de nove netos. Infelizmente, antes de morrer, haveria de ter que assistir à morte de dois deles, ambos fruto da relação com Akins. Andy, o filho que adotou como padrasto, morreu vitima de um ataque cardíaco em 2020. No espaço de semanas, Chaia foi vítima de um cancro no pulmão aos 51 anos.

Apesar da vida amorosa ser pouco católica — King era judeu e assumiu o seu ateísmo em 2015 —, acabaria por não guardar qualquer mágoa dos constantes avanços e recuos, das relações frustradas e dos sentimentos que se feriram a cada divórcio. “Não tenho qualquer tipo de arrependimento. Dessas relações surgiram alguns grandes miúdos”

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