Numa das primeiras grandes audições da sua carreira, Leo Woodall entrou na sala com uma tatuagem falsa no braço que não devia estar ali. Tinha acabado de filmar a segunda temporada de “The White Lotus”, que estreou em 2022, e esqueceu-se de retirar o desenho temporário antes de gravar uma self-tape para o teste de “One Day”, da Netflix, lançada dois anos depois.
Quando enviou o vídeo, percebeu que podia ter arruinado a oportunidade, mas decidiu não repetir a gravação. “Pensei: pronto, isto acabou”, disse à “Yahoo Entertainment”. Surpreendentemente, foi esta audição que lhe deu o primeiro grande papel como protagonista — e que, desde logo, lhe garantiu uma legião de fãs. Em 2025, chegou ao grande ecrã como o novo interesse amoroso de uma Bridget Jones viúva, dedicada aos filhos, já na casa dos 50 anos.
Hollywood recebeu-o bem e as oportunidades continuaram a surgir, principalmente em projetos da Netflix. Foi na plataforma de streaming que estreou esta quinta-feira, 5 de março, a minissérie erótica “Vladimir”, que é atualmente a terceira mais vista em Portugal e no mundo. Leo Woodall, de 29 anos, é o protagonista, ao lado de Rachel Weisz, de 56.
Ser a estrela de uma grande produção é, de certa forma, o concretizar de um sonho para Woodall. O ator britânico cresceu num ambiente profundamente ligado à representação. O pai, Andrew, participou em obras como “O Conde de Monte Cristo” e “Han Solo: Uma História de Star Wars”. Já o padrasto, Alexander Morton, também construiu uma longa carreira no ecrã e no palco.
Apesar disso, Leo garante que nunca sentiu imposição da família para seguir a mesma profissão, mas admite que criou uma pressão interna muito forte. “É uma coisa de querer aprovação. Ninguém me obrigou, mas eu sinto que preciso de provar que sou capaz”, revelou numa entrevista ao “The Guardian”, em 2024.
Essa necessidade de validação tornou-se ainda mais evidente durante a adolescência, período que o próprio descreve como “confuso e difícil”. Afinal, não era um aluno particularmente dedicado e não tinha grandes planos para o futuro.
Trabalhou em bares, saía com amigos e passava muito tempo sem pensar no que queria fazer da vida. “Não queria saber das notas, por isso não era como se pudesse simplesmente ir para a universidade estudar economia. Cheguei a um ponto em que pensei: o que é que eu vou fazer?”, recorda.
Foi por volta dos 19 anos que decidiu tentar a representação de forma séria, inscrevendo-se na escola de artes dramáticas ArtsEd, em Londres. A decisão não veio de uma vocação clara desde miúdo, mas de uma espécie de reconhecimento de que não se imaginava a fazer outra coisa. “Percebi que não tinha um plano alternativo. E, no fundo, sempre gostei de representar”, contou.
Antes disso, passou por aquilo a que chama os seus “anos mais sombrios”. No início da vida adulta, tentou mudar completamente a forma de estar para se integrar socialmente. Cortou o cabelo muito curto, usava capuz quase todos os dias e adotou uma atitude mais agressiva, algo que hoje vê como um mecanismo de defesa. “Era instinto de sobrevivência. Eu não era simpático. Descarregava nos outros. A minha mãe ficou preocupada.”
A carreira começou de forma discreta, com pequenos trabalhos e audições falhadas. Durante vários anos, Woodall viveu com dúvidas constantes sobre se tinha talento suficiente para ser uma referência global.
A grande mudança aconteceu quando foi escolhido para a segunda temporada de “The White Lotus”, da HBO Max, em 2022. Na série, interpretou Jack, um jovem britânico aparentemente descontraído, mas com intenções ambíguas. O papel chamou imediatamente a atenção do público e da crítica, tornando-o um dos rostos mais comentados da temporada.

O próprio admite que nunca pensou que fosse conseguir entrar numa produção daquele nível. “Aquilo não devia ter acontecido comigo. ‘The White Lotus’ está cheio de estrelas e eu não era uma estrela. Fiz a audição, correu bem, e o Mike White gostou”, disse ao mesmo meio britânico.
As gravações na Sicília, Itália, foram intensas e um período “quase irreal”. “Grande parte das gravações pareciam umas férias enormes”, disse à “Yahoo Entertainment”, acrescentando que o elenco passava muito tempo junto fora das filmagens.
Ainda assim, houve momentos de nervosismo, sobretudo quando contracenou pela primeira vez com Jennifer Coolidge. “Fiquei completamente bloqueado. Ela improvisa imenso e eu pensei que estava a fazer tudo mal. Saí dali convencido de que ela me odiava”, contou.
O sucesso repentino trouxe também um lado mais complicado: a exposição mediática. Depois da série, Woodall começou a ser descrito como símbolo sexual e protagonista romântico, algo que disse não saber muito bem como gerir. “Quando toda a gente começa a olhar para ti dessa forma, pode mexer com a cabeça. Tens de ter cuidado para não acreditar demasiado no que dizem”, disse ao “The Times”.
Para lidar com a pressão, diz que recorre frequentemente à terapia e tenta manter uma vida o mais normal possível. “Preciso de pessoas à minha volta que me digam a verdade. Senão, isto pode subir-me à cabeça muito depressa”, explicou.
O passo seguinte na carreira foi o papel principal na adaptação televisiva de “One Day”, baseada no romance de David Nicholls. Na série, interpreta Dexter Mayhew ao longo de vários anos, mostrando diferentes fases da vida da personagem.
O trabalho exigiu uma preparação emocional mais profunda do que qualquer projeto anterior. “Foi assustador, porque acompanhas a vida inteira de uma pessoa. Tens de mostrar que ela muda, que cresce, que falha”, disse à “Yahoo”. A série dramática acabou por colocá-lo definitivamente no radar das produções românticas.

Em 2026, chega à Netflix um dos papéis mais arriscados da carreira, até então. Na minissérie “Vladimir”, adaptação do romance de Julia May Jonas, interpreta um jovem professor carismático e casado, que desperta a obsessão de uma colega mais velha, também ela casada.
Woodall admitiu que aceitou o papel precisamente por ser desconfortável e diferente daquilo que tinha feito antes, explicando que não quer ficar preso ao rótulo de galã romântico. A complexidade da personagem e a ambiguidade moral da história foram outros fatores que o atraíram. “Gosto de projetos que me deixam ligeiramente nervoso porque significa que estou sempre a aprender.”
E mesmo apesar de se querer afastar dessa imagem, o ator tem algumas cenas quentes ao longo dos oito episódios, o que leva algumas mulheres a perguntar: será que é solteiro?
A verdade é que o britânico, que esteve com Sydney Sweeney a assistir ao jogo entre o Sporting e o Estoril, não costuma falar sobre a sua vida romântica. No entanto, sabe-se que namora com a atriz Meghann Fahy, que também aparece na segunda temporada de “The White Lotus”. O secretismo e o facto de raramente serem vistos juntos tem uma razão. “Quanto mais guardares para ti, mais consegues manter a sanidade”, disse à revista “Bustle”.
E apesar de agora ser uma sensação mundial — e, potencialmente, o novo it boy de Hollywood —, Woodall garante que continua a ser uma pessoa simples e “pouco interessada em glamour”. Gosta de estar em casa, ver filmes, ouvir música e passar tempo com os amigos mais próximos.
Também admite que não liga muito ao mundo da moda, apesar de ser presença frequente em desfiles de grandes marcas. “99 por cento do tempo escolho conforto em vez de estilo”, disse à “Yahoo UK”.
Outra característica que costuma mencionar é o medo de se tornar arrogante com o sucesso. Quando questionado sobre o que aconteceria se deixasse a fama subir-lhe à cabeça, respondeu que se tornaria um “idiota insuportável”. “Por isso, tento lembrar-me todos os dias de onde vim”, diz ao “The Guardian”.
Carregue na galeria para conhecer algumas das séries e temporadas que estreiam em março nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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