Televisão

Lourenço Ortigão: “Temos de abrir portas e não fazer só novelas, há outros caminhos”

A NiT entrevistou o ator, que está prestes a dar o primeiro passo rumo à internacionalização. E está também a gravar uma série para a RTP.
A barba grande é para a personagem de "A Rainha e A Bastarda".

Aos 31 anos, mais de uma década depois de se ter estreado em “Morangos com Açúcar”, Lourenço Ortigão está numa fase de transição. É um dos atores mais populares de Portugal e nas últimas semanas têm sido publicadas várias notícias sobre o seu futuro incógnito na TVI, o canal onde está há 12 anos.

Nos próximos dias, vai estar no Passaporte, em Lisboa — o programa dirigido por Patrícia Vasconcelos, promovido pela Academia Portuguesa de Cinema, e que junta atores portugueses com diretores de casting internacionais. Esta vai ser apenas a sexta edição, mas a história curta deste projeto tem sido cheia de sucessos.

Foi através do Passaporte que Nuno Lopes se tornou um dos protagonistas da série da Netflix “White Lines”. Foi assim que Albano Jerónimo e Ivo Alexandre entraram em “Vikings”. Foi por esta iniciativa que Lídia Franco conseguiu uma participação no blockbuster “6 Underground”. E que Joana Ribeiro e Ana Padrão fossem gravar o episódio piloto de “The Dark Tower”, entre outros exemplos.

Depois de mais de dez anos a fazer quase exclusivamente novelas, Lourenço Ortigão parece estar numa fase diferente da carreira. Embora não abra o jogo sobre a sua relação atual com a TVI, até porque fica nas entrelinhas que não há ainda um desfecho, o ator explica à NiT — numa conversa no Cinema São Jorge, onde vai decorrer o Passaporte — que sente vontade de explorar coisas diferentes.

Isso tem vindo a ser notório com produções que já são conhecidas. Apesar de ter um contrato de exclusividade com a TVI, como é prática habitual no meio televisivo, foi-lhe cedido que participasse de forma subtil em projetos da RTP, séries distintas que Lourenço Ortigão queria experimentar fazer — e, isto sim, não é prática assim tão habitual.

Primeiro, foi uma pequena participação em “Até que A Vida nos Separe”. Agora, está a terminar de gravar uma participação um pouco mais relevante, em “A Rainha e A Bastarda”, série histórica realizada por Sérgio Graciano e adaptada a partir de um livro da argumentista Patrícia Müller

O futuro só o tempo o dirá, mas certo é que Lourenço Ortigão já está de olhos postos no horizonte das grandes plataformas de streaming internacionais, que vieram revolucionar o mercado — embora esclareça que se queira manter predominantemente baseado em Portugal. Este é o retrato de um ator ultra popular que tem vontade de explorar coisas novas e que já está a fazer por isso. Leia a entrevista da NiT com Lourenço Ortigão.

O Lourenço tem feito a sua carreira em Portugal, quase sempre na televisão — apesar de já ter participado nalguns filmes — e agora vai participar no Passaporte nos próximos dias, que é um programa que junta atores portugueses com diretores de casting internacionais. Qual é a sua maior ambição com esta participação?
Antes de tudo, era entrar no Passaporte. Porque uma das coisas boas que o Passaporte tem é que não se limita só a este ano: as pessoas que entram no Passaporte ficam. Nunca mais se sai. E acho que só isso já é uma grande conquista. Eu não tenho grande pressa que aconteçam coisas, até porque acho que a minha vida está bem e tenho tido a sorte de as coisas me terem corrido sempre bem. Agora, fazer parte deste programa a longo prazo sei que é uma coisa positiva. Quando conhecer os diretores de casting poderão ou não abrir-se portas — mas eu também não quero abrir já essa expetativa na minha cabeça porque acho que é um peso que não quero estar a dar. Mas ao longo dos anos sei que vamos tendo cada vez mais meetings e mais tarde ou mais cedo isso pode ser um caminho a seguir. Por isso, acima de tudo queria entrar.

E há vários exemplos disso: de atores que participaram e só uns anos mais tarde é que foram chamados para projetos internacionais, mas que tiveram bastante sucesso.
É o que estou a dizer, nós não sabemos o timing das coisas. Não sabemos se há algum projeto que possa ser interessante para mim hoje mas sabemos que, fazendo parte, vá, desta família, mais oportunidades poderão surgir, nem que seja daqui a um, dois, três ou cinco anos. Gostava que fosse mais cedo, mas sem grande pressão.

Lourenço Ortigão começou a representar em 2009. Entrevistámo-lo no Cinema São Jorge.

Como é que funciona o processo de os atores se apresentarem aos diretores de casting?
Vai haver um showcase aqui onde estamos — um bocadinho como os talent shows [risos]. Cada um faz o seu monólogo ou um diálogo e temos dois minutos para fazermos o que quisermos. Sem a pressão de estarmos a ser escolhidos para um papel ou para alguma coisa. É para eles nos verem, nos sentirem em palco e acho que é uma introdução ao Passaporte. Vejo como uma oportunidade. Seguem-se quatro dias de vários workshops, paralelamente aos meetings com os tais diretores, para que os possamos conhecer e partilhar a nossa experiência. Sem grande expetativa, o que vai acontecer é isto.

E se tudo correr bem, pode ficar na lista de vários destes diretores que fazem os castings para grandes filmes e séries internacionais.
Ficamos no radar, digamos assim. E também é importante esta questão pela parte interna, mesmo do nosso País. Neste mercado há uma certa tendência de se olhar para as pessoas da televisão de uma forma um pouco… não quero dizer preconceituosa, mas de cima para baixo. Parece que as pessoas que fazem televisão não são tão dignas de serem atores como as pessoas que fazem teatro ou cinema. Mas a verdade é que fazer televisão é muito difícil e a prova de que é possível, mesmo assim, abrir portas, sou eu — e outras pessoas. Às vezes achamos que por fazermos só teatro ou cinema somos mais ricos em termos de portefólio, mas não é verdade. Eu apresentei o meu portefólio como qualquer um dos atores — foram centenas — e eles escolheram dez. Para mim também é importante sentir que fiz um caminho bom e certo. E espero que seja bom para os atores que fizeram percursos idênticos ao meu, para não deixarem de acreditar que é possível fazerem o Passaporte. Oiço muitos colegas meus que se desacreditam…

Que acham que podem não ter oportunidades noutras áreas da representação?
Sim, que acham: “não vou candidatar-me porque o meu material é só isto”. E não é verdade. O meu material melhor está a surgir agora com as séries que tenho feito, e ainda nem sequer atualizei o meu portefólio, e já entrei na mesma. Por isso tudo é possível — é só acreditarmos.

Suponho que não queira revelar que cena é que vai interpretar aqui no palco do Cinema São Jorge, mas foi difícil escolher?
Foi difícil. O que nos pedem é um monólogo ou um diálogo. Muitas pessoas aproveitaram peças de teatro que estão a fazer e traduziram para inglês, ou peças que tivessem feito no passado, ou textos que tinham trabalhado para uma self-tape ou para o que for. Eu quis experimentar um texto novo, que nunca fiz. Estou numa fase em que gosto de desafios e de limpar o que tenho na minha cabeça para aprender coisas novas e acrescentar ao que já fiz até hoje. Então vou usar um texto que nunca trabalhei e vamos ver. Mas a Patrícia Vasconcelos disse-nos para não tentarmos inventar, para fazermos um texto com que nos sintamos confortáveis. Porque isto não é uma avaliação para um casting, é eles a verem-nos. Por isso, o melhor que podemos fazer é um texto com que nos sintamos bem e que seja próximo de nós. Por isso vou fazer uma coisa nova, de um filme, e vamos ver como corre.

Para mim este é um ritmo [das séries] completamente diferente do de uma novela, para melhor.

O Lourenço já trabalha há mais de uma década como ator profissional — faz agora 12 anos. Sempre teve a ambição de fazer produções lá fora?
Sempre. Uma ambição controlada — já tive oportunidades de fazer coisas fora e não foi por acaso que acabei por não fazer. Acima de tudo quis cimentar o meu nome aqui, no País de onde sou, onde cresci, onde me sinto bem, onde quero passar o meu futuro. Fazer esta década de trabalho aqui para depois, sim, ter a oportunidade de ir para fora. Também já estudei fora, não só no Brasil, como em LA. E podia ter ficado tanto num sítio como no outro, mas a verdade é que aqui é onde me sinto bem e queria de facto ter a minha base aqui. Esta nova era de séries de plataformas abre-nos muitas portas, porque antigamente era mais difícil, há dez anos era muito mais complicado fazermos um filme lá fora. Mas com Netflix, HBO, etc…

E mesmo com as mudanças no processo de castings, com as self-tapes.
É muito mais fácil, exatamente. Para fazermos um casting para os Estados Unidos tínhamos de nos deslocar. Hoje em dia não: mandas uma self-tape como estás a dizer. E o material é muito mais transversal. A série que fizemos para a RTP, “Até que a Vida nos Separe”, é ótima, e a minha personagem obviamente que, por algumas contingências profissionais, não podia fazer um papel maior — mas fiquei super contente de ter feito parte. 

Internacionalmente, o público parece estar cada vez mais aberto a ver séries noutras línguas. Não são só as grandes produções americanas ou inglesas a ter destaque, há uma abertura para ver produções noutras línguas nas plataformas de streaming.
É, porque as pessoas são cada vez mais curiosas em relação à cultura de determinado país. Eu continuo a ser jurado dos Emmys, todos os anos, ainda há três dias acabei de mandar as minhas votações — e eu tenho de ver séries do mundo inteiro: chinesas, indianas, taiwanesas, europeias também. E é interessante ver como cada série incute cada vez mais a cultura do seu país, e isso é inteligente. O “Até que A Vida nos Separe” é uma história que podia ser real, de famílias daqui. 

Em “Até Que A Vida nos Separe” interpretou o gerente de um clube noturno.

Tem elementos com que todos nos podemos identificar.
Exato. Nós gostamos da série porque acho que toda a gente se pode identificar. Os encontros de família, as refeições, as discussões de casal que não são aquelas dramáticas que estamos habituados a ver… O dilema do filho que não sabe se assume a homossexualidade, enfim, tudo isso retrata a nossa sociedade e eu acho que é muito mais fácil podermos dar-nos a conhecer se as séries forem pensadas desta forma. Toda esta nova era é interessante para nós, atores, e eu procuro cada vez mais apanhar esse caminho — nunca deixando de trabalhar cá. Mas é uma reflexão que já faço de há uns anos para cá, tudo o que está a acontecer agora, sempre disse que era este o caminho que ia acabar por acontecer. Nada contra as novelas, adoro e hei-de fazer em breve mas acho que temos de começar a abrir portas e não só fazer novelas, como fazer outros produtos mais curtos e com mais implicância de tempo e mesmo de dedicação da nossa parte. Porque fazer uma cena ou duas ou cinco por dia não é a mesma coisa do que fazer 30. Nada se está a tornar obsoleto, as novelas vão continuar a existir, mas se calhar há outros caminhos para explorar. E se calhar enquanto exploradores portugueses, que fomos na história do nosso País, temos de embarcar nisso [risos]. Estamos a fazê-lo. 

O Lourenço está agora no elenco de uma nova série da RTP, “A Rainha e A Bastarda”. Qual é o seu papel?
Eu sou o Mem Rodrigues de Vasconcelos, cavaleiro do rei D. Dinis. A série retrata o conflito entre o D. Dinis e o filho legítimo — ou não — que é o Afonso IV. O filho tenta tomar o lugar do pai e acredita que o pai não tem estofo para ser rei. O D. Dinis, por sua vez, quer acima de tudo que o seu legado seja ocupado por um filho bastardo, e não pelo Afonso IV, por causa do seu temperamento. Eu sou cavaleiro do rei e tento de alguma forma aproximar o pai e o filho. Acredito que um filho bastardo não pode subir ao poder.

É uma espécie de braço direito do rei?
Sim. O Afonso IV, como forma de sinal para o pai, até me corta um dedo [risos]. E o Mem Rodrigues de Vasconcelos ainda assim mantém a convicção de que um bastardo não pode subir ao poder. Sou expulso da corte e depois acontece uma reviravolta na minha personagem. E indiretamente acabo por contribuir para uma reaproximação de pai e filho.

De que é que gostou mais neste projeto quando soube que ele existia e que podia participar nele?
Acima de tudo, gostei de poder contar a história. A minha participação não é grande — não podia, também — mas consigo contribuir para o desenrolar da história. E isso para mim já é uma coisa boa. No “Até que a Vida nos Separe” a minha personagem é mais acessória, aqui é mais relevante. Não só interfere no conflito como tem ações, como a questão do dedo e uma traição — que não é uma traição — que ele vai fazer que altera o rumo da história. Para mim isso era o mais importante, e poder fazer parte de um projeto que é medieval, do século XIV.

Ainda não há data de estreia.

Fazer produções históricas é algo que o atrai?
Claro. Acho que não há melhor do que reviveres tempos que nunca foram teus. Ires buscar conhecimento que nunca irias buscar se não fosse… é um complemento para a tua cultura geral e para mim enquanto ator pôr-me noutro tempo é das coisas que mais me atraem, tanto para o futuro como para o passado. Também me dava gozo fazer um projeto de futuro — em Portugal não há muito budget para isso. Atrai-me imenso ver filmes e séries que retratam o [suposto] tempo de hoje, e como nós vemos que não tem nada a ver [risos]. Prever o futuro tem piada. O passado é uma mistura entre retrato histórico com aquilo que é plausível trazer. Há coisas que acho que não interessa muito serem retratadas, o destrato das mulheres, por exemplo.

Coisas que chocam com a nossa realidade e que não são importantes para a história, e que até podem confundir o espectador?
Sim. Há um compromisso comedido. Por exemplo, eu sou 100 por cento canhoto. E naquele tempo não havia canhotos, eras morto, era a mão do Diabo. Então tive que combater com a mão direita, com um dedo cortado [risos]. Isso é um desafio que achei piada trabalhar. Eu não tenho destreza com a mão nem com o pé direito, mas quando o João Maia da Espada Lusitana, quem nos guiou neste processo de esgrima medieval, quando ele me diz que não posso usar a mão esquerda caiu-me tudo. Imagina estares a montar um cavalo, sem um dedo, com uma espada, com a mão ao contrário, eh pá [risos], foi engraçado. São coisas que tentamos respeitar, são referências históricas. Não acredito que haja muita gente a dizer “ah, só no século XV é que vieram os canhotos”, mas estamos nós a respeitar a história.

O cavaleiro que interpreta existiu mesmo?
Há relatos que dizem que sim, mas não há muita coisa sobre ele. Ele chama-se Mem. Nem sabemos exatamente como se diz. Quando vemos séries medievais, às vezes são muito puxadas para um lado pouco coloquial, de imposição, meio teatral. Aqui estamos a romper um bocadinho com isso.

Para ser mais natural?
Porque esse lado também nos pode afastar da história. Foi tentada uma abordagem diferente. Tentamos também respeitar os termos técnicos. Por exemplo, “majestade” não se dizia tanto na altura. Há palavras em específico que só começaram a ser usadas mais tarde. É uma série à nossa realidade portuguesa, não estamos a fazer um “Game of Thrones”, estamos a fazer como no “Até que a Vida nos Separe”, estamos a fazer muito com… não digo pouco, mas com os recursos que temos já esticados, e acho que vai ficar bem.

O ator vai interpretar um monólogo na Sala Manoel de Oliveira, no São Jorge.

Além da espada e da mão, houve assim alguma preparação específica que tenha feito para o papel?
Tivemos também a dificuldade do peso da roupa. São uns dez quilos em cima… Tivemos os ensaios normais e algum tempo de preparação por causa dos dentes, as unhas e essas coisas que são caracterizadas. Demoramos o dobro que o normal: é a sujidade, é o cabelo, é a barba… E depois o que fiz foi ver algumas referências que me foram pedidas, para perceber um pouco a linguagem.

Como estava a dizer, o método de trabalho é diferente de uma novela. Também é algo que o atrai neste momento, fazer coisas mais pausadas, com mais tempo de preparação?
Isso sempre me atraiu [risos]. Mesmo assim gravamos muito para o que é. Mas não me posso queixar disso, até porque tenho uma participação curta. Mas se tivesse sido feito com o dobro do tempo, podia respirar mais, podia ter mais pormenores, mas eu acho que o Sérgio Graciano tem uma capacidade incrível de resolver o problema do tempo. Mas vai ser sempre assim. Nós vamos sempre queixar-nos da falta de tempo. Já me queixava nas novelas, aqui não porque não tenho razões para isso, mas vendo sei que podia haver ali um bocadinho mais de tempo. No “Até que a Vida nos Separe” a mesma coisa. Acho que vamos ter sempre esse problema, porque trabalhamos com budgets apertados e um dia de trabalho é um custo que se se puder poupar, seja cenários, luzes, atores… Se fosse um filme era a mesma coisa. Mas para mim este é um ritmo completamente diferente do de uma novela, para melhor.

Já disse que teve oportunidades para trabalhar lá fora, e estudou lá fora, mas sentiu a necessidade de se cimentar primeiro aqui. Se porventura começar uma carreira internacional, pelo menos com alguns projetos de forma mais ou menos regular, tem o objetivo de se manter baseado em Portugal e continuar a trabalhar cá, ou até se imagina a viver no estrangeiro de forma permanente?
Vejo-me sempre aqui. Agora, tens o exemplo da Daniela Ruah. Está há dez temporadas a fazer o mesmo projeto lá fora. Imagina que me calhava um projeto desses. Não vou dizer que vinha para aqui quando tinha… mas não deixo de imaginar sempre a minha vida aqui. É aqui que me sinto feliz, onde tenho a minha família, o público. Mas acho que de futuro estou mais aberto a aceitar coisas lá fora, nunca irei recusar um projeto interessante mesmo que seja mais longo, mas ao dia de hoje imagino-me aqui. Agora vamos ver o que o futuro nos diz. Mas nunca sabemos. Isto é como o outro que diz que vai ficar no Benfica mas o Real Madrid vai buscá-lo… e também já vimos muita vez acontecer ir do Benfica para o Sporting [risos], portanto, estou um bocado com essa postura. Não tenho clubismos, digamos assim. Sou eu e seja o que Deus quiser. Sem pressão, vamos ver o que aparece.

Também participou numa série da TVI chamada “Pecado”, que ainda não estreou.
Sim, foi gravada em setembro e outubro, é uma série de seis episódios, acho que vai estrear em setembro. A história é conhecida porque há um filme muito conhecido que tem uma história parecida, mas esta é prolongada. Na prática é um casal que se vai casar, de Vila Viçosa, interpretados por mim e pela Daniela Melchior. E a noiva apaixona-se pelo padre, o Pedro Lamares. A curiosidade desta série é que cada personagem tem o seu segredo. E quando há ali um acontecimento estranho, ele sabe à partida que não é ele, os outros não [risos] e isso desenvolve um conflito interno que no final explode, digamos assim. É um bocado à volta disto, o conflito da noiva com o padre, um certo interesse dos pais da noiva para que aconteça este casamento, um bocadinho como acontece nas novelas. O padre também tem o conflito de ser padre e de estar apaixonado e tem um problema familiar que descobre mais tarde. 

E tem um tom diferente destas séries que tem feito para a RTP.
É diferente. É uma história um pouco mais dura, mais pesada, que já aconteceu muitas vezes, principalmente no interior, há filmes inspirados neste tipo de história. Para mim estava a estrear já, mas vai estrear só em setembro, pronto [risos], não sou eu que escolho. Não gostamos que as coisas fiquem um ano em carteira, gostamos de ver os nossos produtos cá fora. Está feita, está montada, gostávamos que estivesse cá fora. Mas é quando eles quiserem.

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