Televisão

“Lovecraft Country” é a nova série que mistura racismo, terror e fantasia

Um grupo de afro-americanos parte numa viagem aterrorizadora (e inimaginável) pela América profunda dos anos 50.
Tem dez episódios.

Howard Phillips Lovecraft, mais conhecido simplesmente como H. P. Lovecraft, foi um escritor notável de terror e ficção científica no início do século XX. Inspirou-se nas terras à volta da zona onde viveu grande parte da sua vida, em Nova Inglaterra, nos EUA, para criar histórias de monstros e fantasia que viriam a revolucionar o género.

Lovecraft, que, até para os padrões da época, era profundamente racista, misógino e homofóbico, usava muitos dos seus preconceitos para alimentar as suas narrativas. Uma nova série, “Lovecraft Country”, vem aprofundar este universo, mas através de uma perspetiva diferente.

A produção da HBO estreia em Portugal esta segunda-feira, 17 de agosto. A primeira temporada da série produzida por Jordan Peele (“Get Out” e “Nós”) e J. J. Abrams (“Perdidos” ou “Star Wars”) tem dez episódios. A showrunner é Misha Green, que adaptou o livro com o mesmo título publicado em 2016, que foi escrito por Matt Ruff.

Esta é a história de Atticus Freeman — conhecido simplesmente como Tic — um veterano de guerra da Coreia. O enredo passa-se nos anos 50, quando Tic se junta ao tio George (o autor de um livro de sugestões e dicas para os afro-americanos viajarem pelo país, como o famoso “green book”), e à sua amiga de infância Letitia e à respetiva irmã Ruby. 

Este grupo de afro-americanos de Chicago vai em busca do pai de Tic, o desaparecido Montrose, que poderá ter ido para o leste de Massachusetts — as tais terras de Lovecraft — para encontrar os antepassados da mãe de Atticus.

Nesta jornada pelo Midwest americano vão encontrar uma série de obstáculos e perigos, sobretudo depois de escurecer — alguns deles são muito reais, há outros fantasiosos, e alguns que são um cruzamento entre ambas as dimensões. “Lovecraft Country” mistura realidade e fantasia sem preconceitos.

Tic é um apaixonado pelas histórias de Lovecraft. Numa conversa com outra passageira na secção “colorida” do autocarro, que lhe pergunta porque está ele a ler um livro que tem como herói um militar confederado defensor da escravatura, o protagonista explica aos espectadores que as coisas são mais complexas do que isso.

“As histórias são como as pessoas. O facto de nós as amarmos não as torna perfeitas. Mas tentas estimá-las e ignorar os seus defeitos.” A mulher que lhe faz a pergunta não parece totalmente convencida, mas Tic continua. “Adoro que os heróis possam partir para aventuras noutros mundos, desafiando dificuldades inimagináveis, derrotando monstros e salvando o dia. Rapazes negros do sul de Chicago não conseguem fazê-lo.”

Tic e o seu grupo terão de deparar-se com xerifes brancos assassinos, uma sociedade secreta ou criaturas vampirescas monstruosas. Fantasia à parte, o racismo existe de forma permanente como pano de fundo para esta história passada na América profunda e segregadora. 

Às vezes as ligações entre o racismo e o terror são literais, como quando há negros a serem usados como cobaias de experiências científicas, mas também há casos mais complexos — quando um conjunto de antagonistas brancos tenta inflingir ilusões sobrenaturais às suas vítimas negras, provocando com que elas próprias duvidem de que aquilo é real, ou fazendo com que pensem que são elas próprias que as estão a causar. Há membros do Klu Klux Klan que são feiticeiros ou traumas do passado com poderes de poltergeist.

A narrativa pode ser assustadora, misteriosa e carregada de suspense na maior parte do tempo, mas por outro lado também existe um drama familiar bastante presente.

Jonathan Majors (de “Da 5 Bloods — Irmãos de Armas”) interpreta o protagonista Tic, enquanto Courtney B. Vance tem o papel do tio George. Letitia é interpretada por Jurnee Smollett, enquanto Wunmi Mosaku faz de Ruby.

O elenco inclui ainda Michael Kenneth Williams, Aunjanue Ellis, Abbey Lee, Jada Harris, Chase Brown, Marcus A. Griffin Jr., Mac Brandt, Alex Collins, Jamie Chung, Jamie Neumann ou Jonathon Pawlowski, entre outros.

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