Televisão

Maria Dominguez: “A minha personagem é muito intensa e eu sou muito intensa”

A atriz e apresentadora fala com a NiT sobre o papel que vai fazer na série “O Clube”, da Opto.
A atriz e apresentadora tem 25 anos.

Começou a trabalhar como modelo, passou pelo teatro amador, até chegar à televisão. Maria Dominguez entrou na novela “A Herdeira”, da TVI, e depois mudou-se para a SIC. Apresentou “Vamos Jogar”, no canal generalista, e “Curto-Circuito”, na SIC Radical.

Neste momento, a profissional de 25 anos aparece regularmente no programa dos sábados de manhã “Estamos em Casa”. A paixão pela representação, contudo, volta agora a aparecer em cena. Maria Dominguez vai interpretar uma nova personagem na terceira temporada de “O Clube”, série da plataforma de streaming Opto, ainda sem data de estreia.

Vai interpretar Madalena, namorada do novo dono d’O Clube, Kiko (que vai ser interpretado pela nova contratação da SIC, Lourenço Ortigão). Leia a entrevista da NiT com a atriz e apresentadora.

Está de volta à representação na terceira temporada de “O Clube”. Já revelou que a sua personagem se vai chamar Madalena. O que é que já pode contar sobre este papel?
A Madalena é uma miúda assim um bocadinho desequilibrada. Não é uma rapariga equilibrada nas suas emoções, nas suas ações. Um dia ela pode estar de uma maneira, noutro dia está de outra completamente diferente. É bastante insegura, também devido às circunstâncias. É muito carente, mas tem uma grande força, um grande power. É bastante interessante e difícil.

Ela aparece de que forma n’”O Clube”?
Ela aparece devido ao namorado, que é o dono do Clube, que ela conheceu em Ibiza. A personagem dele chama-se Kiko. E ela vai-se deparar com aquele mundo porque ele é o dono, então ela costuma ir ao local de trabalho dele. É assim que ela começa a ver todo aquele mundo diferente do dela.

Como é que tem sido trabalhar com o Lourenço Ortigão?
Eu cruzei-me com ele n’”A Herdeira”, mas não tinha trabalhado diretamente com ele, mas tem sido uma experiência muito boa. Ele é muito bom colega, eu estava com um bocadinho de receio mas é mesmo bom colega. Tem-me ajudado imenso, temos ali algumas cenas difíceis mas com ele torna-se fácil. Ele tem anos disto e ajuda-me imenso a descontrair nessas cenas mais difíceis e tem sido muito bom.

Qual tem sido o maior desafio em fazer este papel?
Têm sido muitos, na verdade. Apesar de que, em certos aspetos, eu identifico-me muito com a Madalena. Nem sei se isso me complica mais ou não. Mas o que tem sido mais difícil nela é a insegurança, porque depois transmito para mim, às vezes saio de lá e eu própria já estou meio insegura com tudo. Isso tem sido a parte mais difícil. Toda aquela loucura que ela tem não é difícil mas é super interessante para mim fazer, porque gosto muito desse tipo de coisas.

Maria Dominguez começou o seu percurso como modelo.

Estava a mencionar que até se identificava com alguns aspetos da personagem. Quais deles?
Uma das características da Madalena é ser muito intensa. E eu sou muito intensa [risos]. É 8 ou 80 e a Madalena também é assim. Como sou assim desde sempre, é fácil para mim ir buscar isso, porque somos parecidas. E as características dela são exatamente isso: ela é intensa, carente, ciumenta, sensual. Tem uma mistura engraçada.

Como é que tem sido a experiência de voltar a fazer uma personagem, a gravar ficção? Já tinha saudades?
Tinha muitas saudades e aqui é muito diferente. Fazer uma novela ou uma série é bastante diferente e eu tenho adorado fazer, não tinha a noção de que era assim. E também tive muita sorte com a equipa, porque nos dão bastante liberdade para fazer o que sentimos no momento. Por exemplo, se o texto é X e eu quiser acrescentar alguma coisa, dão-me espaço para isso porque querem mesmo que eu traga a essência da Madalena como eu quero e como eu a vejo e sinto. E tem sido um apoio incrível. A Patrícia Sequeira, a realizadora, é inacreditável mesmo — e a Joana também, a outra realizadora.

Entre as diferenças de fazer uma novela ou uma série, normalmente numa série há mais algum tempo para preparar o papel e para gravar as cenas. É isso que tem sentido?
Nós não tivemos assim uma grande preparação em conjunto, mas eu fiz a minha à minha maneira. Mas os pormenores de cada cena eu sinto que são muito mais pormenorizados do que uma novela, porque, enfim, há mil motivos. Nas novelas não há assim muito tempo então tem que ser tudo mais corrido. Aqui eu sinto que estamos ali todos para aquilo e tem que ser mesmo feito com todos os pormenores, toda a beleza, com tudo no ponto certo. E eu gostei muito dessa diferença. 

Que preparação é que fez para a personagem?
Primeiro, tive coaching com a minha antiga professora, a Iolanda Laranjeiro. E tive a minha preparação de tentar descobrir quem é a Madalena. Tentei perceber quem é esta rapariga, o que é que se passa na cabeça dela. Fiz o meu próprio percurso consoante o que eu sinto dela de uma cronologia de infância, para tentar justificar ações dela no presente, e fui criando à minha maneira a Madalena. Mas a cada dia que passa sinto que a conheço cada vez mais, então tem sido um processo de “ok, eu sei que a Madalena é isto” mas vai-me surpreendendo a mim mesma, porque sou eu que estou a fazer a Madalena, é esta esquizofrenia [risos]. 

Está a descobrir uma personagem que ao mesmo tempo está a construir.
Exatamente. E que na verdade está dentro de mim, não é? Tem sido muito interessante. 

Nesta fase do seu percurso, gostaria de nos próximos tempos ter mais projetos enquanto atriz ou também se vê a fazer programas como apresentadora?
São duas vertentes que adoro fazer. Se me disseres para escolher uma, não consigo [risos]. Apesar de que a representação é aquilo de que eu gosto bastante, gosto mesmo muito porque me tira da minha zona de conforto, posso fazer várias coisas completamente diferentes. Mas também adoro apresentar. Se eu puder juntar as duas coisas, está tudo perfeito e estou muito feliz. Mas se também fizer só uma delas e depois fizer outra, está tudo OK.

Há algum tipo de programa que um dia gostaria de fazer e que ainda não fez?
Eu gosto daqueles programas que de momento não se estão a fazer, aqueles mais interativos do “Soltem a Parede”, super divertidos. Também gosto imenso de formatos da manhã. Mas gosto de explorar várias coisas diferentes, não há assim um específico que eu diga: é isto que eu quero. Se puder explorar um bocadinho de cada coisa, ótimo.

Também fez teatro, a dada altura.
Fiz, mas amador, não conta [risos]. Conta, mas era muito novinha.

Mas era uma área que um dia gostaria de voltar a explorar, ou nem por isso?
Sim, sim, gostava muito de fazer teatro. Porque é muito diferente de cinema ou televisão. Porque estares ali com público à frente é uma energia completamente diferente da televisão e gostava mesmo de fazer também. 

Qual é a sua maior ambição ou sonho profissional?
Boa pergunta. É aquele cliché, que digo sempre: fazer um grande filme lá fora ou até aqui em Portugal, mas que vá para alguma plataforma lá fora. Não sei, mas é um dos meus sonhos e objetivos.

Se pudesse fazer uma carreira enquanto atriz lá fora, era algo de que gostaria?
Sim, por enquanto não quero fazê-lo porque quero ficar aqui. Ou seja, não estou a focar a minha atenção nisso, não estou a ir a castings nem a falar com agentes lá fora porque de momento quero mesmo consolidar aqui a minha carreira — e quem sabe daqui a uns tempos comece a focar-me mais nisso. 

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