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“A Máscara”: o Robô que afinal não era um pivô

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa a estreia da nova temporada do programa da SIC.
O robot foi a personagens desvendada na primeira noite.

Depois de uma passagem de ano de arromba em que abusei dos shots de chá de camomila, estava a precisar de um serão mais calmo para fechar o primeiro dia do ano, pelo que a segunda temporada de “A Máscara” que estreou esta sexta-feira, 1 de janeiro, na SIC, pareceu uma ótima opção. Tal como na primeira edição, uma dúzia de figuras públicas de várias áreas da sociedade portuguesa, disfarçam-se e cantam — em alguns casos tentam, só — para que os espectadores e os investigadores em estúdio procurem descobrir quem se esconde por detrás de cada máscara.

Não é de todo uma tarefa fácil, eu às vezes cruzo-me na rua com amigos que estão de óculos escuros e máscara e não os reconheço, por isso posso imaginar a dificuldade em tentar perceber quem se esconde por detrás de um fato de robô. Muito mais quando essa pessoa é o Luís Represas, a cantar com o timbre do João Malheiro quando acorda e se prepara para tomar o seu pequeno almoço de panquecas com doce de Mebocaina. 

Luis Represas disfarçou tão bem a sua voz que o César Mourão achou que se tratava do pivô da SIC Bento Rodrigues. Não é um palpite descabido porque o tom grave até estava lá, mas se fosse o Bento Rodrigues teria de ter cantado todas as frases com aquela pausa no final, como se fosse o Poirot a desvendar quem é o assassino do Expresso do Oriente. 

Eu acho espetacular, porque dá aquele toque de suspense ao jornal e até mesmo uma história que já toda a gente conhece, fica emocionante dita pelo Bento: “Sejam bem-vindos ao primeiro jornal. Um homem atirou esta manhã o pau ao gato, mas o gato não morreu, Dona Xica assustou-se com o berro (pausa para suspense)…que o gato deu.” 

Para além do Robô que escondia o eterno Trovante, estão ainda em competição a Abelha, a Árvore, a Banana, o Bulldog Francês, o Coelho, a Coruja, o Gelado, o Lobo, o Tigre, o Unicórnio e o Lagostim, que estranhamente sobreviveu às celebrações gastronómicas do réveillon, por isso para mim já é um vencedor. Nem de propósito, o programa começou precisamente com a vencedora da edição anterior, Rita Guerra que envergava a máscara do Corvo.

Rita Guerra foi a vencedora da passada edição.

A cantora interpretou uma música dos Maroon 5, enquanto umas senhoras em roupa interior e com lâmpadas de cozinha na mão, faziam uma coreografia à sua volta. Pareceu-me uma boa opção da SIC para começar o ano a poupar nos gastos com luz e roupa. Quem não poupou nos comentários foram os jurados ou investigadores, que regressam para tentar deslindar quem é quem.

César Mourão, Sónia Tavares, Carolina Loureiro e Jorge Corrula dão o seu melhor, muito embora nesta fase inicial os palpites tenham tanta consistência como um concorrente da “Casa dos Segredos” a responder a perguntas de história de Portugal: “Cátia, diga nomes de ex-presidentes de Portugal. Eeeh…Salazar? Bonga? Não sei voz, eu não percebo muito de geografia.”

Ou seja, neste momento vale tudo, a Abelha tanto pode ser a Xana Toc Toc como o Cardeal Tolentino Mendonça, não há limites para a imaginação. Por mim até pode ser a Maya, só espero é que descubram rápido que é para não termos de continuar a ouvir o Manzarra a dizer “abêlha”.

A “abêlha”, como diz Manzarra, é outra das participantes.

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