O médico norte-americano Salvador Plasencia, um dos profissionais acusados no caso da morte de Matthew Perry, foi condenado a dois anos e meio de prisão por ter receitado os sedativos que levaram à overdose do ator. A decisão foi conhecida esta quarta-feira, 3 de dezembro. O clínico de 44 anos terá ainda de pagar uma multa de quase cinco mil euros.
Plasencia era dono de uma clínica médica nos arredores de Los Angeles que terá fornecido, de forma ilegal, uma substância anestésica e analgésica usada como alucinogénico. A substância pode ser receitada para tratar problemas de saúde mental, mas também é usada de forma ilícita com fins recreativos.
“Falhei ao senhor Perry, falhei à família dele e falhei à comunidade”, declarou em tribunal, perante a mãe e outros familiares do ator. “Peço muita desculpa.”
Antes do acordo judicial, o médico enfrentava outras acusações, incluindo sete crimes de distribuição de cetamina e duas acusações de alteração e falsificação de documentos ou registos ligados à investigação federal sobre a morte de Perry. Inicialmente, a pena máxima podia chegar aos 40 anos de prisão.
No processo, Plasencia reconheceu que “distribuiu conscientemente cetamina” a Matthew Perry antes da sua morte, em 2023. Admitiu também ter agido de forma que “não corresponde à prática profissional” e que essa distribuição da substância não teve “nenhum propósito médico legítimo”, segundo o documento citado pela revista “People”.
O ator foi encontrado sem vida no jacuzzi da sua casa, a 28 de outubro de 2023, depois de os serviços de emergência terem sido chamados por causa de uma paragem cardíaca. A causa da morte, divulgada a 15 de dezembro pelo Médico Legista do Condado de Los Angeles, foi atribuída a “efeitos agudos de cetamina”. Trata-se de um medicamento usado para aliviar a dor, mas que pode causar superestimulação cardiovascular e depressão respiratória quando administrado em doses elevadas.
A autópsia classificou a morte como “acidental” e apontou também outros fatores que podem ter contribuído, como doença arterial coronária e os efeitos do analgésico buprenorfina.
Um ano antes de morrer, em novembro de 2022, Matthew Perry lançou a autobiografia “Friends, Lovers and the Big Terrible Thing”. A versão portuguesa chegou às livrarias a 26 de março de 2023 pela Casa das Letras.
Na obra, o ator revelou histórias dos bastidores de “Friends” e falou abertamente sobre o vício. Contou que gastou quase nove milhões de euros em tratamentos, participou em seis mil reuniões dos Alcoólicos Anónimos e passou por 15 reabilitações. O livro fala ainda sobre a infância difícil, os rumores sobre os seus romances e o desejo constante de alcançar a fama.

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