Televisão

Morte dos atores da Netflix: amigos e colegas protestam contra condições de trabalho

A produção estava a ser gravada no México. Há relatos de “condições medíocres” e “más medidas de segurança”.
As gravações da série foram suspensas.

Na semana passada, a 16 de junho, dois atores que gravavam uma série da Netflix morreram num acidente de viação: os seus nomes eram Raymundo Garduño Cruz e Juan Francisco González Aguilar. Na viatura seguiam também outros seis elementos da equipa do projeto, que ficaram feridos, embora se encontrem estáveis.

A série “The Chosen One” estava a ser gravada no México e as filmagens foram suspensas pela produtora responsável, a Redrum. Conta a história de um rapaz de 12 anos que descobre que é Jesus Cristo e que foi enviado de novo à Terra para salvar a humanidade. A narrativa baseia-se na saga de banda desenhada de Mark Millar e Peter Gross. 

Agora, várias pessoas próximas dos dois atores estão a alertar a comunicação social para as “condições medíocres” de transporte e logística desta produção. Alegadamente, o próprio Juan Francisco González Aguilar já tinha criticado isso mesmo.

“Enche-me de raiva que existam relatos de abuso e exploração a ser partilhados pelas pessoas envolvidas na produção”, diz à imprensa Liliana Conlisk Gallegos, amiga de uma das vítimas, que também trabalha na indústria do cinema e televisão. “Quero exigir que isto seja investigado de forma mais aprofundada. Se nada de errado estava a acontecer, então não deve haver problema em providenciarem a informação.”

Acrescentou ainda: “Dói-me pensar que se aproveitaram dele, que foi forçado a trabalhar em condições medíocres, especialmente para uma empresa multimilionária como a Netflix. Sacrificou-se pela sua paixão pela representação”. 

Já o argumentista Faisal Lutchmedial, que havia trabalhado com Aguilar em trabalhos anteriores, apontou também o dedo às alegadas “más medidas de segurança” implementadas. O ator e diretor Fernando Bonilla, por sua vez, comentou nas redes sociais acerca da “sobreexploração dos motoristas”. O escritor Rick Zazueta também comentou o caso no Facebook, exigindo que a indústria cinematográfica assuma a responsabilidade pelo que aconteceu.

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