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Mortes, depressões e violência doméstica: a vida difícil de Elisabete Cardoso

A pretendente de "Quem Quer Namorar Com o Agricultor?" deu uma entrevista surpreendente no programa de Júlia Pinheiro.

Elisabete Cardoso chegou a “Quem Quer Namorar com o Agricultor?” como uma das pretendentes. Não encontrou o amor, mas sim uma forte amizade com José Coutinho, um dos concorrentes. Foi a lisboeta quem o encontrou prostrado no chão da sua quinta, já depois do final das gravações. O choque da morte do amigo foi apenas um de muitos vividos ao longo da sua vida.

Aos 53 anos, a ex-concorrente do programa visitou o programa de Júlia Pinheiro, na SIC, esta terça-feira, 20 de setembro, onde revelou vários segredos. Entre eles, o de outro choque provocado por um ataque cardíaco, que vitimou o pai, uma semana antes do seu nascimento.

“Infelizmente nunca conheci o meu pai. Faleceu de ataque cardíaco uma semana antes de eu nascer. Ele faleceu no hospital Santa Maria uma terça, ao meio-dia. Eu nasci na terça-feira seguinte, ao meio-dia também. E a minha mãe ficou com seis filhos para criar”, confessa.

Elisabete era a mais nova e teve que ajudar a mãe, viúva aos 37 anos. “Ajudávamo-nos uns aos outros, tomávamos conta uns dos outros quando a minha mãe saía para trabalhar”, conta. Aos 17, a vida foi abalada por outro choque, a morte de dois irmãos num acidente de viação.

“Fui eu quem recebeu a notícia, porque era a única [dos irmãos] que ainda estava em casa”, conta sobre a morte dos irmãos, um com 37, o outro com 33 anos. “Tive que aguentar o barco com a minha mãe. Fui obrigada a crescer, apesar de ter que dar apoio à minha mãe e ao pai [o padrasto].”

A morte dos irmãos abalou-a e Elisabete sofreu uma depressão profunda. “A minha mãe estava a ver que me ia perdendo, porque eu esqueci-me de mim. Entrei em depressão, tive que tomar medicação. Um dia olhei para o espelho e não me estava a reconhecer. Foi quando pus os medicamentos de lado e disse ‘vamos em frente’.”

“Ainda conseguiu dar formação e cursos aos meus irmãos. Eu só consegui tirar relações públicas.” Acabaria por conseguir concretizar o seu primeiro sonho e trabalhar como cabeleireira. Formou-se e ainda hoje mantém o seu salão.

Eventualmente, acabou por conhecer um homem por quem se apaixonou. “Fomo-nos conhecendo, ele encantou-me nessa fase menos boa. Os primeiros dois anos correram bem, mas depois comecei a perceber certas coisas”, recorda sobre a relação marcada por traições e violência psicológica.

“Ele controlava tudo, tudo o que eu fazia ou dizia, nunca estava bem. Verbalmente era muito agressivo. Insultava-me”, conta sobre a relação que durou 15 anos. “Fiquei com ele porque perdi o amor próprio. A minha vida era casa, trabalho, trabalho, casa. Os meus pais nunca souberam, nunca contei a ninguém. No cabeleireiro, ouvia muitas histórias parecidas, mas nunca falei.”

Elisabete sofreu também dois abortos espontâneos. Chegou a separar-se, mas cometeu “o pior erro que podia cometer” e voltou a reatar a relação.

Em 2019, conseguiu reunir a coragem para escapar. “Um dia ele foi buscar-me ao salão, precisávamos de pão para o jantar, paramos o carro e ele foi comprar. O rádio descontrolou-se, eu não mexi naquilo. Ele quando chegou…. O que houve ali, o que ele me disse, pensei para mim ‘é hoje’. Fui para casa, fiz o jantar, arrumei a cozinha, sentei-me e disse-lhe que para mim, chegava. ‘Não dá mais, não há mais a fazer’.”

Hoje, Elisabete continua a trabalhar como cabeleireira, mas descobriu outro talento: é locutora de rádio. “A rádio era a minha companhia, era o que ouvia à noite. Participava e, um dia, o dono da rádio começou a dizer que eu tinha voz de rádio. Foi insistindo para experimentar e pensei ‘porque não?’.”

Fez uma formação e, apesar da “terrível” primeira emissão, hoje tem um programa na rádio Toca a Dançar. Só ainda não encontrou o amor.

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