Televisão

Na nova série de sucesso da Netflix os espectadores “sentem que são inspetores”

Chama-se "Menos Uma Vida nas Canárias" e mistura mistério e humor, ao estilo de "Knives Out". Já está no top da plataforma.
Está a ser um sucesso.

“Menos Uma Vida nas Canárias”. O título aparenta revelar tudo o que precisa de saber sobre a produção espanhola da Netflix que estreou este sábado, 25 de maio, mas há muito mais para descobrir. O espectador sente que é um verdadeiro detetive, garantem os protagonistas em entrevista ao “E-cartelera”.

A série é protagonizada por Ginés García Millán, de 59 anos, e Natalia Verbeke, de 49. Interpretam os inspetores Luis Lacasa e Naira, respetivamente. Ele é natural de Madrid e vai às Ilhas Canárias para o que pensava serem umas férias, mas quando lá chega vê-se envolvido num mistério. Ao longo dos cinco episódios, tenta descobrir o assassino que tirou a vida a cinco hóspedes.

“Parte de uma premissa: envolver os espectadores de modo que a se sintam como os próprios inspetores. Criar esse grau de empatia era um dos nossos principais objetivos, para que sentissem vontade de acompanhar cada novo capítulo”, explica García Millán à mesma publicação.

Cada episódio começa e termina com os protagonistas a resolverem crimes diferentes. Os capítulos não seguem uma ordem cronológica linear, ao contrário do que acontece em muitas produções deste género.

“Começámos a gravar pelo último episódio e não pelo primeiro. Foi uma experiência muito divertida”, conta, desta vez, Natalia. As gravações decorreram em Tenerife, onde a equipa ficou instalada alguns meses. “Criámos relações muito fortes. O elenco é maravilhoso e de luxo. Além disso, filmámos numa ilha maravilhosa.”

O processo também teve alguns aspetos menos positivos, típicos da indústria cinematográfica. “São muitas horas a gravar e temos de enfrentar as circunstâncias e as alterações constantes de cada dia. E também há momentos de crise, o que é inevitável.”

As personagens são complexas e cheias de nuances, porque “ninguém gosta de um protagonista perfeito”, sublinha a atriz. A química entre os dois é outro dos destaques. “O Luis tem medo de conseguir não corresponder às expectativas e adota uma atitude contrária à que deveria ter, criando uma espécie de rivalidade com a Naira. Ao longo dos episódios acabamos por perceber que esta animosidade não era necessária.”

Os detetives têm perfis completamente diferentes. “Naria é uma mulher que teve de lutar num mundo de homens. Não deixa que um homem lhe diga o que deve fazer, mas também nunca perde o sentido de humor e o otimismo”, descreve

Natalia Verbeke. E acrescenta: “Quando o Lacasa chega, não se deixa intimidar.”

Já Luis é mais reservado e cuidadoso quando chega a altura de se mostrar ao mundo. Pensa duas vezes em tudo o que faz, provavelmente devido ao seu passado atribulado — que é conhecido enquanto a narrativa se desenrola. “Quando baixa finalmente a guarda, percebemos que é mais sensível do que parece”, comenta o ator.

As personalidades de ambos os personagens estavam bem definidas e detalhadas nos guiões iniciais, um fator que pesou na decisão dos atores de aceitarem os respetivos papéis. “É uma série diferente e com muito sentido humor. Percebi logo que tinha potencial”, afirma.

Contudo, García Millán confessa que sentiu uma dificuldade acrescida na abordagem à personagem: o facto de serem poucos episódios. “Tivemos de trabalhar muito para materializar o conceito e não pudemos saltar uma única vírgula no guião. Tivemos de apressar coisas que poderiam ter sido adiadas e tratadas com mais foco, se a série tivesse mais capítulos.”

O resultado está a agradar ao público português: a série está atualmente no top 10 da Netflix em Portugal. “Há a possibilidade de voltarmos para uma segunda temporada. A série é uma de que em Espanha fazemos boa ficção”, conclui García.

Carregue na galeria e conheça outras séries e temporadas que estrearam nas plataformas de streaming e canais de televisão em maio.

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