Televisão

Conan O’Brien regressa com um programa de viagens recheado de humor

"Conan O'Brien Must Go" leva o apresentador a diferentes partes do mundo e é descrita como "deliciosamente idiota".
Os críticos (e o público) estão a adorar.

Conan O’Brien sempre gostou que as pessoas se rissem com ele. Mas, acima de tudo, gosta que se riam de si. “Adoro ser alvo de piadas”, contou durante um painel do Paley Center for Media em Nova Iorque que decorreu a 12 de abril. O humor e os roasts sempre foram, para O’Brien, uma demonstração de amor e carinho.

Também sabemos que o ex-apresentador de talk shows tem uma relação próxima com os que acompanham o seu trabalho. Prova disso mesmo, o podcast que lançou em 2018 sob o nome “Conan O’Brien Needs a Fan”, isto é, Conan O’Brien precisa de um fã. O norte-americano de 60 anos quis levar estas ligações mais além e foi assim que surgiu “Conan O’Brien Must Go”, uma série documental que chega à HBO Max nesta sexta-feira, 19 de abril.

“Nesta série de viagens divertidíssima, O’Brien conhece culturas locais e convive com fãs que conheceu anteriormente no seu podcast”, lê-se na sinopse disponibilizada pela plataforma de streaming. Ao longo dos quatro episódios viajou para a Noruega, Tailândia, Argentina e Irlanda.

No país nórdico encontrou-se com os E.D.A., um duo de rap que espera que este projeto ajude a arrancar as sua carreira musical. E se as reações da sua equipa servirem de premonição, é muito provável que isso aconteça.

“Os editores têm-me estado a ligar desde que começaram a trabalhar neste episódio e dizem-me que as canções deles não lhes saem da cabeça”, conta ao “UPI”. Bem ao estilo Conan, acrescenta: “A música deles não é boa, mas muita música não é boa. Simplesmente fica nos ouvidos.”

Enquanto esteve na Noruega, o apresentador aproveitou para conhecer melhor a história rica da região. Aprendeu a tricotar e visitou uma recriação de uma vila viking. Por ali conheceu um ator que interpreta vikings e com o qual se atreveu a embarcar numa batalha de insultos — e perdeu.

“Ele era um tipo fixe, então deixei-o começar. Após alguns segundos de silêncio ele começa a disparar e a chamar-me de diabético. Pensei: ‘Meu Deus, dentro dele há um homem mau que realmente odeia os Estados Unidos'”, brinca.

No segundo capítulo da obra viaja até à Tailândia, onde a sua determinação física e mental é posta à prova. Enfrenta vários desafios: lutar contra uma praticante de muay thai, fugir de um pitão e comer um escorpião frito.

“A atleta olhou para mim, viu que sou velho e ficou com pena”, revela. Apesar de a lutadora não se ter esforçado, Conan acabou por ficar estafado enquanto gravava o sketch. “Eles puseram-me a combater na rua onde estavam 42 graus e muita humidade. Tenho 60 anos. Só pensava que a minha equipa me ia ter de socorrer e reanimar, porque ia morrer.”

Alguns dos amigos de Conan também aparecem na série. O produtor Jordan Schlansky é um dos mais conhecidos entre os fãs, visto que trabalhava com o apresentador nos seus talk shows. Enquanto O’Brien é mais descontraído, Jordan é picuinhas e um pouco rígido. Cria-se assim uma dinâmica desastrosa, mas hilariante.

“Levámo-lo para a Argentina porque ele é muito sabichão e sabe tudo sobre culturas do mundo. Não parava de falar sobre o tango, comida e como é que esta deve ser provada e apreciada”, recorda o anfitrião cujo primeiro programa foi “Late Night”, em 1993.

Desde esse ano que as viagens têm sido uma constante na carreira do humorista. Tudo começou em 2006, quando foi até à Finlândia para conhecer Tarja Halonen, a então presidente. Toda a gente dizia que eram iguais e o apresentador quis comprovar se os rumores eram verdadeiros.

Também teve a oportunidade de ir até Cuba, Itália, Coreia do Sul, entre outros. E continua a fazer novas amizades graças a todos estes episódios do programa. “É comum finlandeses virem ter comigo, darem-me um abraço e começarem a falar. Adoro isso e acho que nunca me vou fartar”, confessa.

A sua bucket list ainda tem muitos destinos por riscar. Um deles é a Rússia, mas acredita que não será possível devido ao conflito com a Ucrânia. “Imagino o Putin a ver o meu programa em casa dele e a dizer aos seguranças para me levarem até ele: ‘Tragam-na. Tragam-me esta senhora alta e de cabelo ruivo’.”

A nova série está a ser muito elogiada pela crítica. No Rotten Tomatoes conta com uma avaliação de 89 por cento. “É um daqueles projetos que se vai manter nas nossas vidas”, diz a “Variety”. “Deliciosamente idiota”, resume, muito brevemente, a “Vulture”.

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