Televisão

“Nem Mais Uma”: o novo hit espanhol da Netflix quer dar voz às vítimas de violação

A série estreou a 31 de maio e já é a mais vista em Portugal. Baseia-se num romance de Miguel Sáez Carral.
Nicole Wallace é a protagonista

Alma é uma adolescente rebelde que passa os seus dias a fumar charros, a faltar às aulas e a mentir aos pais, desesperados para que a filha atine e se concentre nos estudos. A jovem tem a companhia de Greta (Clara Galle) e Nata (Aïcha Villaverde), as melhores amigas cujas relações sofrem dos mesmos males de todas as relações adolescentes, entre amor e zangas.

O dia a dia habitual de Alma é abalado por um vídeo publicado no Instagram que inclui uma confissão chocante: “Esta sou eu antes de ser violada.” Pouco depois, Alma ergue uma faixa polémica na escola: “Cuidado, aí dentro esconde-se um violador!”.

Este é um dos momentos marcantes da história de “Ni Una Más”, a nova série espanhola da Netflix de oito episódios que estreou na sexta-feira, 31 de maio. A produção espanhola está a ser um sucesso enorme e em Portugal já está no número um no top dos mais vistos, ultrapassando séries como “Bridgerton” e “Eric”, a nova série de Benedict Cumberbatch.

Até chegar a esse ponto na vida de Alma, a série mergulha naquilo que a protagonista Nicole Wallace diz ser “o que acontece, o que há, o que está a acontecer no mundo”. O drama adolescente baseia-se no romance homónimo escrito por Miguel Sáez Carral, publicado em 2021.

A obra de Carral e, por consequência, “Nem Mais Uma”, tem sido comparada à série de sucesso “Por Treze Razões”, uma das séries de adolescentes mais marcantes dos últimos anos. Nos oito episódios, a série parte desse gesto radical de Alma para recuar no tempo e desvendar os acontecimentos que levam a jovem até esse ponto.

Fala-se sobretudo da liberdade sexual das jovens, do consentimento e os seus limites, mas também do machismo latente que tudo influencia. É um mergulho no dia a dia e na vida dos adolescentes de hoje.

Wallace, promissora atriz espanhola de 22 anos, agarrou o papel com tudo. “Preparei o filme durante dois meses com uma coaching maravilhosa (…) Fizemos muitos exercícios de sentir física e mentalmente como é viver um abuso e depois existir neste mundo, que é o mais complicado. O que significa sofrer uma agressão sexual e levantar-se no dia seguinte e continuar como se nada tivesse acontecido, apesar de o teu corpo saber que sim, aconteceu. Foi muito interessante, muito triste, muito duro, mas também muito maravilhoso poder viver esta experiência”, explica em entrevista ao “El Mundo”.

“Houve dois momentos muito difíceis na rodagem. Um foi nos ensaios. Tínhamos de estar deitadas e de imaginar que nos agrediam. Foi uma sensação super difícil de processar porque depois tinhas de te levantar e ser capaz de seguir o dia e as tarefas com esse sentimento. Acabámos todas a chorar. O segundo foi depois do que acontece com o papel de Berta. Sentia-me muito culpada”, conta.

Para Wallace, a série “não é uma história de bons e maus, nem de coisas que estão bem ou mal, nem de vítimas ou agressores, mas sim de mostrar que isto é algo que acontece, que é o que há, que é o que está a acontecer no mundo”. “Tínhamos de fazê-lo da forma mais honesta possível. Veja, no cinema as violações e abusos estão muito fabricados e feitos para o cinema. Quer dizer, mostram-nos como um tipo horrível te agarra numa festa e leva-te à força para casa. Isso acontece, mas 90 por dos casos de violação são de alguém que conheces, de alguém em quem confias. Esta série abre muito o debate sobre quem fez mal.”

Carregue na galeria para conhecer as novas séries que chegam à televisão em junho.

Áudio deste artigo

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT