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No “Big Brother” de Halloween, o mais assustador foram os comentadores

E a reação de Tatiana. O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa a mais recente gala do reality show da TVI.
Marta Gil e Flávio Furtado são comentadores.

A gala deste domingo, 30 de outubro, do “Big Brother”, foi dedicada ao Halloween, numa clara alusão aos últimos quatro anos de governação no Brasil, que agora terminam. Antes do arranque em estúdio, vimos imagens de Cristina Ferreira a entrar na casa, vestida com uma túnica preta com capuz e uma máscara, para deixar uma misteriosa caixa na mesa da sala. 

Pouco depois surge um tipo mascarado de esqueleto a correr enquanto grita “não abram a malaaaaa!” Fez-me lembrar quando eu voltava do Festival Sudoeste, depois de uma semana a acampar, e também gritava para minha mãe: “Não abra a maaalaaaaa!”

Quem também estava muito dentro do espírito do Dia das Bruxas eram os comentadores. Por um lado, Marta Gil estava com uma voz de João Malheiro, verdadeiramente assustadora; por outro, Flávio Furtado apresentou-se com um casaco que metia medo ao Jason do filme “Sexta-Feira 13”. 

O Halloween é uma celebração relativamente recente no nosso país, mas em 2022 já não soa tanto a importação americana. É uma tradição quase tão tuga como as touradas e, para mim, igualmente inútil. Com a agravante de que no Halloween o sangue é na verdade Betadine e na arena o sangue é mesmo do touro. Só há dois grupos de criaturas para os quais o Halloween tem interesse: pessoas com negócios e crianças. Para crianças que sejam donas de negócios então, o Halloween é mesmo um sonho. 

De todas as festividades inventadas para fazer as pessoas gastarem dinheiro, o Halloween é a mais perversa de todas. Se pensarmos bem, o “doce ou travessura” é um género de curso de iniciação à máfia. Vejam bem: as crianças deslocam-se em grupo a uma casa ou estabelecimento comercial e basicamente ameaçam o proprietário a dar-lhes uma dose generosa do seu produto, sob pena de sofrer a consequência. Se isto não é extorsão para totós, não sei o que é. 

Cristina Ferreira na gala deste domingo

Depois, gostava de descobrir quem foi a primeira pessoa a traduzir a expressão americana “trick or treat”, porque “doce ou travessura” é péssimo. Faz-me lembrar um velho rebarbado, tipo aquele pedófilo do “Family Guy”, que acha que as criancinhas se estão a fazer a ele: “Humm, doce ou travessura, escolha difícil… pode ser travessura que os caramelos prendem-se na placa”.

Como se já não bastasse termos de levar, no Carnaval, com centenas de fotografias dos filhos dos nossos amigos mascarados — que entopem os feeds de todas as redes sociais — agora no Halloween repete-se o massacre. “Olha o meu filho mascarado de vampiro, estive até às cinco da manhã a fazer o fato”; “olha a minha filha mascarada de zombie, gastei metade do ordenado em pinturas e adereços”; “olha a bruxa da minha ex-mulher mascarada de ela própria”.

Quem entretanto está de volta ao mundo dos vivos é o Big. A icónica voz voltou ao programa e ontem pôde exibir a sua gargalhada maléfica em todo o seu esplendor. 

“Eu sou o Big Brother e peço-vos que deem as boas vindas ao meu novo assistente: o carrasco.” Entra um senhor que me parecia mais a figura da morte do que um carrasco, que empunhava uma foice e na outra mão um caldeirão de onde os concorrentes tinham de retirar olhos. Quem tirasse um olho encarnado teria de entrar numa sala de terror cheia de bonecos assustadores. Portanto, a partir deste momento valia tudo, inclusive tirar olhos. 

Um dos casais que teve de enfrentar esta prova foi Tatiana e Rúben. “E o carrusco, onde é que ‘tá o carrusco?”, perguntava Tatiana enquanto se preparava para entrar. “É o carrasco, sua rústica!”, dizia a voz para tentar afastar os nervos da concorrente, mas sem sucesso. Tatiana entrou completamente transtornada e só gritava “aaaaai, ai amor, tem um caixão aqui, aaaaai amor!” 

Felizmente, do interior do caixão não saiu o Flávio com o seu fato amarelo às flores porque, aí sim, tinha dado um fanico à rapariga. 

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