Televisão

“Normal People”: 6 motivos para começar a ver a série do momento

Estreia esta quarta-feira na HBO Portugal. Baseia-se num bestseller e conta uma história romântica diferente da maioria.
A série tem 12 episódios.

Ele é popular, uma das estrelas da equipa da escola e um aluno exemplar. Ela também, mas conjuga a inteligência com o mau feitio que a torna numa solitária. Connell e Marianne são os protagonistas de “Normal People”, uma história de um amor intermitente que tem conquistado o público e os críticos.

Estreia em Portugal a 12 de agosto na plataforma de streaming da HBO — alguns meses depois do sucesso que teve nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. É um projeto original irlandês da BBC e da Hulu.

A antecipação é grande e a NiT dá-lhe seis motivos para começar a ver a série do momento, que tem 12 episódios e foi realizada por Lenny Abrahamson (cineasta responsável por “Quarto”) e Hettie Macdonald. Está nomeada para quatro prémios Emmy.

Um romance que não é como os outros

A história acompanha o romance de Connell e Marianne, que se conhecem na escola secundária, pouco antes da partida para a universidade. Filha de família abastada, ela tem um temperamento feroz que a torna numa outsider entre os colegas — um comportamento que esconde uma personalidade mais vulnerável.

Connell percebe-o e aproxima-se, dando início a uma relação que é mantida em segredo, até porque ambos se movem em círculos diferentes. A série acompanha a história ao longo dos anos, que vai tendo altos e baixos, encontros e desencontros, à medida que ambos vão crescendo. 

É um romance épico e apaixonado, que por vezes envolve enormes momentos de dor — como qualquer grande história de amor —, mas é contado de uma forma discreta e pouco espalhafatosa. Houve uma preocupação em ter uma perspetiva realista, em ser uma narrativa terra a terra, focada, lá está, em “pessoas normais”. 

A maioria dos sentimentos expressados é transmitida através de gestos subtis (pode ser apenas um olhar) e não de diálogos muito diretos ou óbvios, como noutras produções televisivas. Connell, apesar de ser muito inteligente, tem grandes dificuldades em expressar as suas emoções — e isso é algo que é bem explorado e que se reflete no enredo e no texto.

Tanto ele como Marianne não dizem a coisa certa em muitos momentos, o que faz com que haja cenas dolorosas de assistir, e altamente dramáticas, coisas que podiam ser evitadas se os protagonistas dissessem o que sentem na altura certa. Obviamente, isso também dá uma sensação reforçada de realismo e torna esta série distinta, com um romance que não é como os outros.

Além disso, ao longo da temporada os anos vão passando, as personagens mudam e, com elas, a relação entre ambas também. São duas pessoas apaixonadas, mas cujo amor se vai alterando conforme uma série de fatores internos ou externos.

As cenas eróticas

Há bastantes cenas eróticas em “Normal People”, o que normalmente é um motivo para que uma história tenha mais audiências e curiosos a assistir. Os momentos mais íntimos da narrativa não são retratados de forma gratuita nem existem por si mesmo — apesar de não haver muitas palavras, os sentimentos e a comunicação entre os protagonistas continua a acontecer nessas alturas.

Além disso, há também uma preocupação para tornar as cenas reais, retratando pormenores íntimos que habitualmente não vemos na televisão — desde uma troca de posição sexual a uma conversa rápida em sussurros. A sensação continua a ser de realismo e esse pode ser mais um dos pontos fortes desta série.

Os temas abordados

Do ponto de vista destes jovens, são abordados vários temas importantes e relevantes — como a ansiedade social e a depressão experienciadas por Connell. Mais uma vez, os temas são retratados de uma forma realista e pouco glamourosa, e nem sempre existe uma razão concreta para existirem. 

Por seu lado, Marianne tem de lidar com os problemas de uma família disfuncional, com a ausência do pai, o seu irmão agressivo e um antigo namorado abusivo. As diferentes classes sociais dos protagonistas também são um dos temas explorados. Apesar de ser mais popular, Connell é de uma família da classe trabalhadora, enquanto Marianne, uma outsider, é de classe média alta.

Baseia-se num bestseller

“Normal People” é a adaptação televisiva de um bestseller com o mesmo título escrito por Sally Rooney. Nem sempre as séries conseguem igualar a qualidade dos livros em que se baseiam, mas este não parece ser o caso. 

Editado em 2018, “Normal People” fez parte da lista preliminar de candidatos ao Man Booker Prize desse ano, depois de críticas fabulosas. O crítico do “The Guardian” descreveu-o como “o fenómeno literário da década” e um “futuro clássico”. Se estiver interessado, a obra está à venda em Portugal. A série é bastante fiel à história original.

Os protagonistas

Connell e Marianne são interpretados pelos jovens Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones. Esta é a estreia de Mescal a interpretar uma personagem relevante no ecrã — antes de “Normal People”, apareceu apenas numa série chamada “Bump”.

Já Daisy Edgar-Jones, apesar de ter mais experiência, também começou a carreira há pouco tempo. Participou na mais recente versão televisiva de “A Guerra dos Mundos” e em “Cold Feet”

Ambos têm sido imensamente elogiados pelos papéis que fazem em “Normal People”, onde interpretam personagens complexas com várias nuances, com muitas emoções e sentimentos diferentes, e que vão mudando ao longo da narrativa.

As críticas

A série de 12 episódios tem recebido enormes elogios do lado da crítica. “Uma das melhores produções de televisão do ano”, descreveu o “The Washington Post”. “Um triunfo em todos os aspetos, da interpretação à realização, à escrita, e se virmos um drama melhor do que este ainda este ano, ficarei muito surpreendida”, notou Lucy Mangan, crítica do “The Guardian”.

No “The New York Times” foi descrita como “comovente e emocionalmente destruidora na melhor forma possível”. “Estranhamente esperta, sofisticada e melancólica de uma forma sedutora”, pode ler-se no texto do “Wall Street Journal”.

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