Televisão

“Nós Tivemos Sorte”: a série sobre o Holocausto onde se chorava “do nada” nas gravações

O enredo baseia-se no livro homónimo, que conta histórias verídicas sobre a família da autora — Georgia Hunter.
Joey King e Logan Lerman são os protagonistas.

Filmes e séries sobre o Holocausto há muitos, mas poucos conseguem verdadeiramente retratar um marco histórico tão denso e complexo como o da Segunda Guerra Mundial. Na próxima quarta-feira, 19 de junho, será a vez da Disney Plus lançar a sua tentativa, numa minissérie de oito episódios. 

“Nós Tivemos Sorte (“We Were The Lucky Ones”, em inglês) conta com a presença de dois protagonistas talentosos, ambas promessas de Hollywood. Joey King, de 24 anos, conhecida pelo seu papel em “The Act”, onde interpretou Gypsy Blanchard — papel que lhe valeu uma indicação ao Primetime Emmy Award e aos Globos de Ouro. Logan Lerman, de 32 anos, ganhou reconhecimento pela interpretação principal na saga “Percy Jackson” e com os títulos “Noah” e “Fury”.

 A história baseia-se no bestseller inspirado em acontecimentos verídicos escrito por Georgia Hunter. O livro conta a luta da sua família polaca para sobreviver ao Holocausto. Como no livro, os episódios acompanham os vários destinos dos membros do clã Kurc.

Três gerações são obrigadas a deixar de lado as suas vidas, quando se deparam com uma onda de medo e terror. O filho do meio, Addy (Logan Lerman) tenta fugir do continente, enquanto Halina (Joey King) e outros lutam para escapar à morte certa, seja a trabalhar horas exaustivas nas fábricas ou recorrendo a identidades falsas, para se esconderem. Enquanto é possível sobreviver, resta à família desejar um reencontro entre todos — baseando-se na perseverança e amor de histórias verídicas. 

“Acho que qualquer ator metódico é realmente corajoso e incrível, mas isso não é para mim”, confessa King, em entrevista à “Variety”. “Quando se grava uma série deste tipo, não sei como estaria se recorresse a essa prática, porque os momentos de pausa entre setups e takes com os teus amigos são muito necessários”.

O “método”, criado por Konstantin Stanislavski, é uma das várias técnicas que os atores podem utilizar para interpretar um papel. A ideia é fazer treinos específicos que aproximem o personagem do ator, ativando voluntária e involuntariamente a subconsciência da pessoa. Com isso, é expectável que se misturem traumas entre o personagem e quem lhe dá vida. 

Nas gravações de “Nós Tivemos Sorte”, a jovem confessa que havia muitas alturas onde simplesmente não se sabia quando viria um momento de tristeza. “Podíamos estar sentados a passar um bom bocado, a filmar uma cena, e do nada, alguém começava a hiperventilar e a chorar, porque se sentia uma onda de desespero a cair sobre ti”.

A produtora, no caso a Hulu, chegou a disponibilizar psicólogos e terapeutas para o elenco, que verificavam regularmente como todos se sentiam. “Achei uma ótima ideia”, contou King. Contudo, a protagonista acredita que, no final de contas, o que realmente ajudou a ultrapassar os dias mais pesados foi a entreajuda entre atores. “À noite juntávamo-nos para ver o ‘À Procura de Nemo”, simplesmente porque precisávamos”.

A experiência pode-se ter revelado especialmente difícil para a atriz, visto que a própria foi vítima de antissemitismo, quando criou uma conta de Instagram, aos 12 anos. À data, revela que foi um choque a frequência de vezes com que se deparava com esse tipo de situações. Agora, apenas está “à espera que aconteça”, porque não é a única agressão que experiencia em termos de bullying online.

Por sua vez, Logan Lerman afirma que, embora normalmente sinta dificuldade com histórias sobre o Holocausto, porque podem facilmente sentir-se “exploradas”, as gravações da série fizeram-no acreditar que estaria a contribuir para um cânone de novas e ressonantes formas de o fazer, contou em entrevista ao “The Wrap”. 

Um fator que, definitivamente, contribuiu para a experiência, facilitando a interpretação dos atores, foi a presença de Hunter — a escritora da obra — e a sua família, disponíveis enquanto recurso e objeto de verificação de detalhes, mas também como fonte de apoio que “transcendeu a produção”, afirmou o ator. 

“Ver as pessoas verdadeiras que estávamos a retratar, a ver-nos em todas as cenas, nos guarda-roupas, em cenários que eram recriações das vidas da sua família, acrescentou um nível de conexão diferente ao material e à experiência”, explica o protagonista.

“O estado do mundo encontra-se num momento muito difícil. Racismo, islamofobia, antissemitismo — é tudo muito triste. Ter a oportunidade de contar uma história destas é sempre relevante, em qualquer altura”, concluiu King. 

O restante elenco conta com as presenças de Sam Woolf, Robin Weigart, Lior Ashkenazi, Hadas Yaron, Amit Rahav e Eva Feiler. A minissérie foi realizada por Erica Lipez e estreou nos Estados Unidos a 28 de março de 2024, pela Hulu. 

Vai poder assistir aos episódios na Disney Plus, a partir de quarta-feira, 19 de junho. 

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estreiam em junho nas plataformas de streaming e canais de televisão.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT