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A nova série documental da Netflix é sobre pinguins hilariantes que vivem na cidade

“A Cidade dos Pinguins” foi gravada na África do Sul, onde uma comunidade peculiar vive entre os humanos.
São oito episódios.

Nem todos os pinguins adoram glaciares de gelo, rochas cobertas de neve e água com temperaturas negativas. Aliás, todos os anos, durante boa parte do ano, uma comunidade de milhares de pinguins africanos ruma à pequena cidade portuária de Simon’s Town, na África do Sul, para a época de acasalamento.

A Netflix, que tem apostado cada vez mais em programas de natureza — que o diga o naturalista britânico David Attenborough, narrador e apresentador de vários deles — decidiu produzir uma série documental sobre esta comunidade peculiar que durante vários meses vive na cidade.

O resultado final é “A Cidade dos Pinguins”, produção de oito episódios (cada um com cerca de 25 minutos) que pode ser vista desde 16 de junho. Os capítulos são narrados pelo comediante e ator Patton Oswalt — até porque o tom pretende ser, em muitos casos, hilariante. Apesar de também haver situações dramáticas pelo meio.

Enquanto os humanos estão na praia a pôr protetor solar ou a preparar as pranchas para irem surfar, estes pinguins — considerados em perigo de extinção —, que se adaptaram ao calor e a viajarem durante longas distâncias, estão a tentar reproduzir-se. A sua missão é encontrar um parceiro, acasalar e ter filhos. Ou repetir o ritual se já for algo habitual, tendo em conta que esta é uma espécie sobretudo monogâmica.

Um dos casais protagonistas são os Bougainvilleas. Têm 12 anos, o que significa que estão mais ou menos a meio da sua vida, e passaram a maior parte do tempo juntos. Todos os anos, vão até Simon’s Town, onde constroem o ninho por baixo de um arbusto. Ali tratam das suas crias.

“Eles são os pinguins modelo de monogamia”, diz Patton Oswald na série. “Sabem construir a colónia melhor do que todos os outros e aprenderam que, em Simon’s Town, quanto mais perto dos humanos, mais o ninho é seguro, porque as pessoas afugentam os predadores. O seu arbusto é um dos sítios mais frescos da vizinhança, o que é crucial sob o calor africano.”

Os Bougainvilleas também são filmados a nadar e a pescar no oceano, onde são caçadores sofisticados e rápidos. Todos os dias costumam percorrer 16 quilómetros em busca dos melhores peixes para alimentar a família. “O objetivo dos pinguins é ficar o mais gordo possível o mais rápido possível.”

Outro dos casais centrais da história são o Mr. e Mrs. Culvert, que parecem recém-casados. Só se juntaram no ano em que as filmagens aconteceram e vão acasalar pela primeira vez. São inexperientes no geral e têm dificuldades em encontrar o sítio perfeito para fazer o seu ninho, mas não têm tempo a perder — porque a competição entre pinguins para encontrar os melhores locais pode tornar-se feroz.

“Não há tempo para luas de mel para este casal porque eles precisam de encontrar um ninho rapidamente”, explica Patton Oswalt. “Escolher um local seguro para deixar os ovos vai determinar o seu sucesso enquanto pais, mas como é a primeira vez deles, eles não fazem ideia.”

Existe ainda a personagem Junior. Sobreviveu durante mais de um ano sozinho no mar, o que é um feito — cerca de metade dos jovens pinguins não chegam à idade adulta. A culpa é sobretudo de predadores como os lobos-marinhos (em Simon’s Town, todos os anos morrem cerca de 150 pinguins vítimas destes animais).

“A primeira missão de Junior é mudar. Todos os anos, os pinguins substituem as suas antigas penas por um novíssimo casaco à prova de água, que é um processo que dura três semanas e que os faz perder cerca de metade do seu peso. É a primeira mudança de penas do Junior, que deixa o castanho juvenil para se tornar branco e preto. Mas as suas lutas no mar deixaram-no fraco e magro. Perdeu uma quantidade perigosa de peso e se gastar as suas reservas de gordura, não vai conseguir sobreviver ao verão”, explica o narrador.

“A Cidade dos Pinguins” também explora a relação dos animais com a cidade. Convivem lado a lado com as pessoas, provocam trânsito nas estradas e têm de se adaptar a uma vida natural num meio urbano turístico.

Os pinguins africanos serão uma das primeiras espécies de pinguins a terem sido identificadas por humanos. Existem na Namíbia, no Gabão, em Angola e Moçambique, além de na África do Sul. Também são conhecidos como “pinguins jackass”, já que os seus ruídos fazem lembrar o som de um burro. Nos últimos 30 anos, houve uma quebra de população de cerca de 60 por cento, devido à pesca intensiva e à destruição de habitats naturais.

Carregue na galeria para conhecer algumas das principais estreias de televisão (e plataformas de streaming) neste mês de junho.

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