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Televisão

A nova série documental sobre 3 homicídios (e os condenados que podem estar inocentes)

“Miramar Murders" é a nova minissérie da HBO e promete dar um outro olhar sobre um mistério bem real (e violento).
Um caso com 26 anos.

As imagens eram brutais. Captadas numa câmara de videovigilância doméstica, mostravam as agressões a um homem, dois suspeitos a andar pela casa e a pegarem em objetos e algo chocante, para sempre captado pelas câmaras: o momento em que o homicida assassina, com tiros na nuca, três pessoas que estão amarradas e imóveis no chão.

As vítimas eram Casimir Sucharski, também conhecido como Butch Casey, dono de uma discoteca de 48 anos de idade, e Marie Rogers e Sharon Anderson, dançarinas de 25 anos de idade. Antes de desaparecerem do local, um dos suspeitos retira o tecido que lhe cobria a cara e o seu rosto é filmado.

Na altura, o caso ficou conhecido como “os homicídios de Casey’s Nickelodeon”, em alusão ao negócio do homem assassinado. Hoje em dia é também conhecido pelo nome de Miramar, o local na Flórida, nos EUA, onde tudo aconteceu, em 1994.

Poucas semanas depois do triplo homicídio, a polícia detinha um suspeito, o espanhol Pablo Ibar, e mais tarde um segundo suspeito, Seth Penalver. Foram ambos acusados de assalto à mão armada e três homicídios em primeiro grau. Acabaram condenados à morte. A história, no entanto, estava longe de estar terminada.

Os dois homens sempre afirmaram a sua inocência. O caso, por ter sido tão brutal e o primeiro que mostrava as mortes em câmaras de videovigilância domésticas, colocadas no interior da casa, ganhou atenção nacional.

Em 2012, Seth Penalver via a sua condenação à morte ser revertida e quatro anos depois era mesmo exonerado. Desde então tem falado publicamente em palestras contra a pena de morte (alertando precisamente para o risco de um homem inocente poder ser executado). Já Pablo tem visto o seu caso ter avanços e recuos. 26 anos após o triplo homicídio, continua a alegar a sua inocência.

O caso de Pablo era particularmente complexo. Foi ele que foi identificado como sendo o homem que era filmado a retirar o tecido, que deixou o seu rosto a descoberto. Foi ainda encontrado ADN parcial seu no local do crime, embora tenha sido levantada a possibilidade de ser um caso de contaminação.

Certezas sobre o caso não há muitas, para lá das mortes brutais das vítimas. Entre testemunhos falsos ou contestados, jurados com dúvidas sobre as suas decisões e provas que voltaram a ser revisitadas, o caso continua a fazer correr tinta. Agora, é retratado numa minissérie da HBO, “Miramar Murders”. Estreou a 4 de dezembro e promete um olhar único (e meticuloso).

Foram seis anos de trabalho. São horas incontáveis de investigação, mais de duas mil horas de filmagens a que se juntam centenas de horas de arquivos em vídeo, fotografias, testemunhos e milhares de páginas de um processo judicial que abalou a América. É algo de impressionante o que aí vem.

O trabalho foi conduzido pelo realizador Olmo Figueredo, que teve oportunidade de falar com testemunhas, investigadores, familiares das vítimas e de Pablo. É todo um leque de provas, suspeitas, e figuras que ao mesmo tempo que vão revelar mais do caso, prometem deixar também o espectador a ponderar em quem (e no que) acreditar.

“Miramar Murders” divide-se entre seis episódios que prometem não ser aconselhados para os estômagos mais sensíveis. O próprio trailer não poupa o espectador: é possível ver o exato momento em que as vítimas foram executadas. Pode-se ver também as certezas de ambos os lados, certos de que ele é o culpado (ou de que está inocente).

Hoje em dia (e pode já fechar este artigo se quiser guardar todo o mistério para a minissérie), Pablo Ibar continua detido. A sua sentença de condenado à morte foi revertida mas depois de muitas dúvidas sobre o julgamento original, o caso voltou a tribunal. Em 2019, foi novamente considerado culpado. Encontra-se nesta altura a cumprir uma pena de prisão perpétua. Mas é bem possível que o novo trabalho da HBO abra caminho a mais capítulos sobre o caso.

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