Televisão

A nova série do realizador de “Moonlight” que está a ser super elogiada pela crítica

Barry Jenkins é o homem por trás de “The Underground Railroad”. Centra-se na fuga da escravidão nos EUA.
A série tem dez episódios.

Depois de realizar os muito conceituados filmes “Moonlight” e “Se Esta Rua Falasse”, o realizador americano Barry Jenkins estreia-se como criador de uma série. O resultado é “The Underground Railroad”, que estreou na sexta-feira passada, 14 de maio, na Amazon Prime Video.

Trata-se de uma produção de dez episódios que é uma adaptação do livro com o mesmo título de Colson Whitehead. Como várias outras histórias que chegaram aos cinemas ou à televisão nos últimos anos, a narrativa centra-se na escravatura nos EUA durante o século XIX.

A protagonista é Cora, uma jovem mulher afro-americana que nasceu e cresceu escrava numa plantação de algodão no estado da Georgia. Foi abandonada pela mãe, ainda criança, que conseguiu fugir da plantação.

Apesar de ter este exemplo tão evidente na sua vida — e também pelo facto de odiar o que a mãe lhe fez — Cora está resignada ao seu destino. A vida na plantação, como Barry Jenkins nos mostra de forma crua (e realista), é um pesadelo vivo.

A violência física e psicológica, os abusos sexuais e a falta de dignidade são comuns no dia a dia destes escravos — que, entre si, têm visões diferentes sobre a sua condição. Um dos amigos de Cora, Caesar, tem uma atitude mais revoltada contra os seus donos. E acaba por ser ele quem ajuda a convencer Cora a fugir.

A “underground railroad” foi como ficou conhecida a rede de pessoas e de casas seguras que ajudava escravos do sul dos EUA a escapar daquela vida. Através de contactos mais ou menos clandestinos, e de pessoas livres que simpatizavam com os escravos, faziam com que muitos conseguissem chegar às cidades do norte dos EUA, ou mesmo ao Canadá, onde a escravatura já tinha sido abolida.

No livro de Colson Whitehead, que Barry Jenkins transpõe para a televisão, esta “underground railroad” é literal — trata-se mesmo de uma linha de comboio subterrânea com várias paragens. Tanto no livro como na série a narrativa é levada para contornos mais fantasiosos, de realismo mágico, ainda que continue sempre a centrar-se num fenómeno completamente real.

Enquanto assistimos à fuga física de Cora, vamos também acompanhando o seu processo de auto libertação psicológica, de formação de uma identidade livre, da descoberta da liberdade que nunca teve. Só que todo o cuidado é pouco, porque atrás de si vem Ridgeway, um implacável caçador de escravos fugidos, que trabalha para os proprietários das grandes plantações.

Numa das paragens nesta linha de comboio narrativa, Cora depara-se com uma cidade aparentemente evoluída na Carolina do Sul, onde os brancos têm programas de apoio a antigos escravos, de educação e inserção na sociedade. Mas ela acaba por ir trabalhar para um museu sobre a escravatura, que tem recriações de cenas da vida de escravo — o que faz com que basicamente interprete a antiga Cora naquele trabalho, atrás de uma parede de vidro, a apanhar algodão.

Como tudo nesta série, há grandes metáforas e alegorias em relação aos dias de hoje, e de como eles continuam a ser profundamente marcados pela escravatura de séculos passados. Tudo é abordado num cruzamento entre realismo e fantasia, entre aquilo que é visível e o que é subjacente.

Barry Jenkins a dirigir Thuso Mbedu, que faz de Cora.

Todos os passos de Cora em direção à liberdade vêm com consequências negativas para o seu lado — naquilo que pode ser entendido como uma analogia para a condição de se ser negro na América.

Barry Jenkins realizou todos os episódios deste projeto, escreveu a maioria e trouxe consigo o diretor de fotografia James Laxton e o compositor Nicholas Britell (com quem tinha trabalhado em “Moonlight” e “Se Esta Rua Falasse”). A produção tem sido muito elogiada pela crítica pela abordagem que faz ao tema, pela adaptação do livro e pela sua beleza visual.

O elenco inclui nomes como Thuso Mbedu, Aaron Pierre, Chase Dillon, Joel Edgerton, Amber Gray, William Jackson Harper, Peter Mullan, Kraig Dane, Sheila Atim, Jeff Pope e Lucius Baston, entre outros.

Carregue na galeria para conhecer outras das principais novidades das plataformas de streaming (e da televisão) neste mês de maio.

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