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A nova série sobre uma rainha que está a causar controvérsia no Reino Unido

A atriz Jodie Turner-Smith interpreta a monarca protagonista em “Anne Boleyn”. Tem três episódios.
Jodie Turner-Smith interpreta a rainha Anne Boleyn.

Estreou na HBO Portugal a 9 de novembro, e no Reino Unido já se tornou controversa. Falamos da minissérie “Anne Boleyn”, de três episódios, que estreou há uns meses na televisão britânica. Jodie Turner-Smith interpreta a monarca protagonista, a segunda das seis mulheres do rei Henrique VIII.

A narrativa, baseada em factos reais, passa-se no longínquo ano de 1536. Anne é rainha há dois anos e meio, deu uma filha ao rei, teve dois abortos espontâneos e agora está de novo grávida. É a mulher mais poderosa do reino, mas só tem cinco meses de vida.

Porquê? Todos os britânicos conhecem a história. Anne foi executada depois de ser acusada de traição, adultério e incesto. Acredita-se que pode ter havido uma conspiração, possivelmente orquestrada pelo ministro Thomas Cromwell, motivada por disputas de poder na casa real.

A sua história já foi contada inúmeras vezes, por exemplo, em “Os Tudors” uma série de quatro temporadas centrada na época e que retratou estes acontecimentos. O romance histórico “Wolf Hall” (de Hilary Mantel e que depois também deu origem a uma produção televisiva) é outra referência. Geralmente, fala-se em Anne Boleyn como uma jovem de princípios morais duvidosos que seduziu o rei e o levou a deixar a mulher — e a sua igreja.

Afinal, Henrique VIII distanciou-se de Roma e afirmou a igreja anglicana para se separar de Catarina de Aragão, com quem estava casado há vários anos. O objetivo era casar-se com Anne. Depois, Anne não lhe conseguiu dar um herdeiro masculino — uma tragédia para o futuro da dinastia. Esse terá sido um fator decisivo para o aumento das tensões na corte. Além disso, Anne ficou conhecida por ser a mãe da rainha Isabel I. Foi no seu reinado que nasceu o império britânico — uma era dourada na história do país.

Esta minissérie centra-se completamente na perspectiva de Anne Boleyn. Foca-se nos seus últimos meses de vida e mostra como tentou manter o poder num sistema legal e político que lhe garantia muito pouco. Escrita por Eve Hedderwick Turner, tem uma clara vertente feminista de evidenciar como, apesar de ser rainha, Anne tinha muito pouco poder.

Na narrativa da série, que obviamente inclui elementos de ficção, Anne é desconsiderada por Henrique depois de perder um bebé. Independentemente do seu poder ou ambição, a rainha não consegue resistir às forças que querem acabar consigo — nas quais acaba por se incluir o próprio rei.

A questão que provocou muita discussão sobre a série, tanto na imprensa como nas redes sociais, deve-se à escolha de Jodie Turner-Smith — uma atriz negra — para interpretar a caucasiana Anne Boleyn. É a primeira vez que a monarca é interpretada por uma atriz que não é branca.

“Queríamos encontrar alguém que a pudesse encarnar mas que também fosse surpreendente para o público”, disse uma das produtoras executivas da série, Faye Ward, citada pelo “The New York Times”. Afinal, a personagem já tinha sido interpretada inúmeras vezes, por outras tantas atrizes.

Não é o único caso em que isto acontece. O ator britânico de origens ganesas Paapa Essiedu interpreta o irmão de Anne, George Boleyn. Thalissa Teixeira, anglo-brasileira, interpreta a prima da rainha, Madge Shelton.

Apesar de a etnia não ser um tema relevante no enredo, Jodie Turner-Smith diz que se conseguiu aproximar da sua personagem devido à sua faceta de outsider. Anne foi criada na corte francesa e sentia-se uma estranha na realidade britânica.

“Enquanto mulher negra, consigo entender o que é ser marginalizada”, disse, também citada pelo “The New York Times”. “Tenho uma experiência de vida que inclui a limitação e  a marginalização. Pensei que era interessante trazer a frescura de um corpo negro para contar esta história.”

Na mesma entrevista, a atriz estabeleceu um paralelismo entre a história de Anne Boleyn e a forma como, na atualidade, Meghan Markle foi tratada pela família real. Na conversa que Meghan e Harry tiveram com Oprah Winfrey no início deste ano, a duquesa de Sussex afirmou que chegou a ter pensamentos suicidas pela forma como era tratada na casa real britânica.

“Mostra como não mudámos assim tanto no contexto da monarquia relativamente à questão de alguém ser outsider e diferente, e poder estar naqueles meandros.” E acrescentou, sobre o facto de interpretar Anne: “Há muito pouco espaço para alguém com a minha cor de pele abordar a monarquia. E a arte é suposto desafiar. O principal objetivo de fazer as coisas desta forma foi a de mostrar uma perspetiva diferente”.

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