A espera terminou. A quinta temporada de “Machos Alfa” chegou esta sexta-feira, 17 de abril, à Netflix. Traz de volta o grupo de protagonistas que conquistou o público com a sua visão satírica, e muitas vezes desconfortável, sobre masculinidade nos tempos modernos.
O novo capítulo da série de sucesso, que acompanha quatro homens de meia-idade a tentarem adaptar-se às mudanças sociais na era da igualdade de género, promete ser ainda mais divertido, mas também mais reflexivo e colocar todas as personagens em zonas de desconforto.
Criada pelos irmãos Alberto e Laura Caballero, conhecidos por êxitos como “Aqui Não Há Quem Viva” e “La Que Se Avecina”, a comédia espanhola lançou a primeira temporada em dezembro de 2022. Desde logo, trazia uma fórmula de sucesso: Pedro, Luis, Raúl e Santi são confrontados com um mundo de mulheres empoderadas, levando a uma difícil “desconstrução” do que a sociedade lhes incutiu desde novos.
O facto de satirizar comportamentos e estereótipos masculinos numa sociedade em mudança, explorando dúvidas reais, contradições e fragilidades dos protagonistas, fez com que o público se identificasse. No IMDb a série tem uma qualificação de 7.7 em 10.
Ao longo das temporadas, “Machos Alfa” continuou a explorar, com humor e perspicácia, as contrariedades e provações dos seus protagonistas. O novo volume aprofunda ainda mais a crise existencial do grupo, perante consequências das mudanças sociais que antes tentavam apenas “acompanhar”.
Se já era fã, saiba que a nova temporada mantém o ADN, acrescentando camadas de tensão e evolução às personagens. A nova fase da série aposta numa abordagem ainda mais intensa das dinâmicas entre os amigos. As relações pessoais tornam-se mais complexas e as decisões de cada personagem têm consequências mais sérias do que antes.
À medida que os amigos lidam com os divórcios, novas relações e desafios familiares, a série vai explorando de forma mais madura e, por vezes, mais ácida, o impacto da desconstrução masculina no quotidiano. O humor surge muitas vezes misturado com momentos de desconforto e autocrítica.
Uma das novidades mais presentes nesta temporada é a inclusão de perspectivas femininas mais fortes. Nestes momentos, destacam-se as situações que acabam por explorar, sobretudo, as contradições nas dinâmicas de casal.
Os próprios atores sentiram a mudança de tom enquanto gravavam os novos episódios e consideram este novo capítulo o “mais duro” para as suas personagens.
Raúl Tejón, que interpreta Raúl, disse ao “Us Weekly” que esta é “a época da rendição”. O ator referiu as personagens têm agora menos controlo sobre as suas vidas, mais crises pessoais e emocionais, uma “queda de resistência” à mudança social e uma abordagem mais madura e desconfortável da masculinidade.
“As personagens já não conseguem controlar tudo e acabam por aceitar as suas próprias limitações”, apontou o ator. Já Raquel Guerrero, que dá vida a Esther, diz que todos são “obrigados a sair completamente da zona de conforto.”
As críticas a este novo capítulo continuam a ser maioritariamente positivas. Vários sites especializados, como o “Moviementarios”, referem a evidente mudança de tom na série. Apesar de ter sido uma escolha ousada, acabou por ser uma aposta certeira.
“É uma excelente crítica, uma sátira ao caos social atual”, escreveu também o jornal espanhol “El Diario”. “Usa o humor para retratar a fragilidade de quem vê o avanço social como uma ameaça”, acrescentou.
Já o portal “Moviesr”, considera que “quando podia haver conflito mais forte, a série opta por soluções mais seguras”. Há ainda quem aponte falta de ousadia e que certas narrativas parecem repetitivas. No entanto, continua a ser vista como uma das comédias europeias mais consistentes da Netflix
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