Os anos 80 não foram discretos e “Rivais” também não faz qualquer esforço para o ser. Entre jogos de poder, traições, sexo, escândalos políticos e romances difíceis, a segunda temporada da série britânica chegou esta sexta-feira, 15 de maio, à Disney+, mais extravagante, intensa e viciante do que a anterior.
O novo volume tem um total de 12 episódios, embora apenas os três primeiros estejam já disponíveis. Os restantes capítulos do primeiro bloco serão lançados semanalmente até junho, enquanto os últimos seis episódios só chegam no final do ano.
Inspirada nos romances de Jilly Cooper, “Rivais” passa-se em 1986, na cidade fictícia de Rutshire, e acompanha a guerra entre duas figuras poderosas da elite britânica: Rupert Campbell-Black (Alex Hassell), antigo atleta olímpico e político mulherengo, e Tony Baddingham (David Tennant), um magnata da televisão disposto a destruir toda a gente à sua volta para manter o controlo da estação Corinium TV.
Numa entrevista divulgada no site da Disney+, Alex Hassell admitiu que a série “inclina-se propositadamente” para a imagem exagerada de Rupert como “o homem mais desejado do país”, acrescentando que se sentiu “muito mais confortável” a regressar à personagem nesta segunda temporada.
A primeira temporada terminou num clima de guerra aberta. Depois de meses de rivalidade empresarial, manipulação, casos amorosos e alianças inesperadas, Rupert, Declan O’Hara (Aidan Turner) e Freddie Jones (Danny Dyer) conseguiram derrotar Tony e conquistar a licença televisiva para a nova estação Venturer.
Ao mesmo tempo, Rupert e Taggie O’Hara (Bella Maclean) finalmente admitiram aquilo que sentiam um pelo outro. Porém, tudo mudou nos minutos finais da temporada, quando Cameron Cook (Nafessa Williams) atacou Tony violentamente depois de ele descobrir a traição dela e a agredir.
A segunda temporada arranca precisamente a partir desse momento. Tony sobrevive ao ataque e regressa ainda mais vingativo, disposto a destruir Rupert, Cameron e toda a gente ligada à Venturer. Pelo meio, a série continua a explorar romances proibidos, jogos de poder, traições constantes e a decadência da alta sociedade britânica dos anos 80.
Também David Tennant revelou que Tony regressa “mais determinado a vencer e a ir ainda mais longe”, apesar de surgir inicialmente “mais vulnerável” após os acontecimentos do final da primeira temporada.
“Uma rivalidade entre dois homens poderosos na Inglaterra dos anos 80 chega finalmente ao ponto de rutura”, revela sinopse da plataforma.
O elenco principal volta a juntar Alex Hassell, David Tennant, Aidan Turner, Bella Maclean, Victoria Smurfit, Katherine Parkinson e Danny Dyer. Entre as novidades da temporada estão ainda Hayley Atwell e Rupert Everett.
Ao contrário de muitos dramas atuais mais sombrios e realistas, “Rivais” assume o exagero, o humor sem limites e o melodrama sexual típico dos romances da escritora inglesa, Jilly Cooper. A série mistura escândalos políticos, traições conjugais, jogos empresariais e humor britânico num tom quase de novela dos anos 80.
Aidan Turner explicou ainda que Declan regressa “apanhado entre o orgulho no trabalho que construiu e a devastação de ver a família a desmoronar-se à sua frente”. Já Nafessa Williams prometeu uma Cameron Cook “maior, mais sexy e mais intensa” nesta nova fase da história, confessa ao site da plataforma.
A receção crítica tem sido extremamente positiva. No Rotten Tomatoes, a segunda temporada soma atualmente 100 por cento de aprovação entre os críticos.
O “The Guardian”, descreve a série como “muito para além de qualquer elogio terreno”, referindo o “escapismo exagerado, os diálogos fabulosos e a forma como a produção consegue equilibrar humor com temas mais sérios como homofobia e a crise da sida nos anos 80”. Já a “Esquire” considera que a nova temporada “pode ser ainda melhor do que a primeira”, destacando especialmente o “equilíbrio entre comédia, drama e crítica social dentro daquele universo exagerado e sexualizado”.
Uma leitura semelhante surge no “Telegraph”, que descreve “Rivais” como “televisão em forma de pantomima para adultos”, elogiando o facto de a série nunca tentar conter os excessos da década. O jornal escreve ainda que o projeto funciona graças à “inteligência do elenco e dos argumentistas, que conseguem transformar o absurdo em algo genuinamente divertido”.
Também o “Collider” sublinha a evolução da série na segunda temporada. A publicação escreve que “Rivais” se tornou “maior e melhor em praticamente todos os aspetos”, destacando especialmente a profundidade dada às personagens e o crescimento emocional de Rupert Campbell-Black.
Apesar de toda a loucura, sensualidade e dramatismo, “Rivais” continua a resultar porque nunca tenta esconder aquilo que realmente é: uma fantasia britânica delirante, sofisticada e totalmente descontrolada sobre milionários a destruírem as vidas uns dos outros enquanto fumam, bebem e discutem televisão regional. E, pelos vistos, o público continua rendido a isso.
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