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Novo documentário da Netflix aborda a morte do jornalista que tentou desmascarar a CIA

A produção esmiúça uma teoria da conspiração famosa nos EUA — que também envolve assassinatos, lavagem de dinheiro e espionagem.
É uma teoria da conspiração muito popular.

O 11 de setembro de 2001 foi organizado pelos Estados Unidos, os membros do governo norte-americano são répteis, a Marilyn Monroe foi assassinada e vivemos todos numa simulação das civilizações futuras. Estas são apenas algumas das teorias da conspiração mais populares nos EUA. Outra menos conhecida, mas considerada por muitos “extremamente fascinante”, tem a ver com a morte do jornalista Danny Casolaro.

O relatório da polícia indica que se tratou de um suicídio. Porém, há quem acredite que Casolaro foi assassinado pela CIA. As suspeitas e alegações em torno do que terá ou não acontecido são abordadas na nova série documental da Netflix. “Conspiração Americana: Os Crimes do Polvo” chegou à plataforma de streaming esta quarta-feira, 28 de fevereiro.

Danny Casolaro tinha 44 anos quando foi encontrado sem vida na banheira de um motel em Martinsburg (West Virginia) em agosto de 1991 por uma empregada doméstica. A autópsia afirmava que tinha morrido devido à perda de sangue excessiva. Nos pulsos foram encontradas marcas que apenas podiam ser feitas com um objeto afiado. A polícia disse desde o início que se tratava de um caso de automutilação. A família de Danny, contudo, não acreditou.

A vida do jornalista nunca foi fácil. Nasceu em junho de 1947 em McLean (Virginia) e tinha seis irmãos. Um deles morreu com apenas um ano devido a um problema no coração. Lisa, que era mais velha, faleceu aos 17 devido a uma overdose.

Vivia apenas com o pai, que era obstetra, e passou por muitas escolas católicas. Em 1968, formou-se numa universidade em Rhode Island, também nos EUA. Nunca pensou em ser jornalista. A escrita era, para ele, um hobby (a lista de passatempos também incluía atividades como poesia, boxe e criação de cavalos).

Desempregado, começou a trabalhar como freelancer em 1962. Abordava sobretudo temas relacionados com a política, como a Crise dos Mísseis de Cuba e a Guerra Fria. Muito do seu trabalho, porém, nunca foi publicado.

Sendo pai de um miúdo, sabia que tinha de começar a fazer algo rentável rapidamente. Virou-se, assim, para a indústria da tecnologia, com a esperança de conseguir ganhar algum dinheiro.

Nessa altura, em meados da década de 80, começou a investigar um caso que envolvia o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América e uma empresa tecnológica chamada INSLAW.

Aparentemente, o confronto tinha a ver com direitos de autor e propriedade intelectual. A companhia alegava que o governo norte-americano e a CIA tinham roubado um programa que podia ser usado para espiar os líderes e movimentos de outros países.

À medida que mergulhava na disputa, Danny percebeu que nem tudo era o que parecia, e que havia uma sinistra conspiração a decorrer. Nos meses seguintes, enquanto investigava, descobriu, alegadamente, uma teia de “software de espionagem governamental e usado pela CIA, lavagem de dinheiro, assassinatos por resolver e alguns dos maiores escândalos políticos do século XX”, descreve a Netflix.

Durante o caminho, cruzou-se com Michael Riconosciuto, que afirmava ter sido um dos responsáveis pelo PROMIS, o tal software. Este homem também lhe garantiu que Ronald Reagan, antigo presidente dos EUA, tinha convencido o Irão a manter o controlo de reféns norte-americanos até depois das eleições de 1980, a fim de travar a potencial vitória de Jimmy Carter.

Danny e Michael sentiam-se confiantes de que o mundo era controlado por oito líderes, recorrendo a atividades ilegais. As pessoas à sua volta, contudo, não faziam ideia do que se passava.

“Estes homens já não pertencem ao governo, mas os seus tentáculos conseguem chegar aos líderes de qualquer país”, lê-se num dos documentos de Casolaro apresentados na série de quatro episódios.

Ninguém o levava a sério, mas não se sentiu desmotivado. No verão de 1991 conduziu em direção a um motel discreto onde pensava que ia entrevistar uma fonte do caso, e que seria essa a resposta para o mistério. Não saiu vivo do alojamento, e a sua morte continua a intrigar milhares de pessoas até hoje.

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em fevereiro às plataformas de streaming e à televisão. 

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