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O caso do polícia corrupto que chocou a Noruega vai chegar à Netflix esta sexta-feira

"Eirik Jensen: Polícia ou Bandido?" contará com declarações do próprio agente que ajudou um drug lord a traficar no país.
Esteve 37 anos na polícia norueguesa.

Outrora vistos como modelos a seguir, as opiniões das populações sobre os polícias estão cada vez mais polarizadas. Alguns, acreditam que são protetores e membros essenciais das sociedades, enquanto outros pensam exatamente o contrário. Esta oposição ideológica verifica-se de forma mais intensa nos Estados Unidos da América, especialmente após o caso de George Floyd, afro-americano que morreu na sequência das agressões de um agente da autoridade.

A dicotomia “Polícia ou Bandido” é debatida em vários pontos do mundo, e a nova série da Netflix tenta oferecer um contributo para a discussão, recorrendo ao caso de Eirik Jensen, um polícia norueguês. “Eirik Jensen: Polícia ou Bandido?” estreia na plataforma de streaming a 3 de junho, e conta com entrevistas com o próprio agente.

“O envolvimento de Jensen é algo que tem sido muito importante para nós. Temos o lado dele e os outros do caso”, contou Bendik Mondal, o produtor, em entrevista à rádio NRK. Segundo Mondal, a colaboração só foi possível graças a uma boa comunicação e relação de confiança que começou a ser construída em 2020, altura em que o projeto começou a ser pensado. “Fizemos entrevistas na prisão e estivemos lá com o Eirik. Também falámos com ele antes da condenação”, revela.

A série documental terá quatro episódios de cerca de 50 minutos cada um. A produção examina a história e carreira de Jensen, sem esquecer uma pergunta essencial: “como é que um polícia acaba a receber a punição mais severa da lei?” No país nórdico, 21 anos de prisão são a pena máxima, a que o ex-agente foi condenado.

“Mostramos lados e perspetivas diferentes, e apesar do Jensen estar envolvido, não foi o único. Mas foi importante fazermos perguntas críticas ao Eirik e basear o documentário no julgamento final”, acrescenta.

De polícia respeitado a bandido condenado

É descrito como “o pior caso de corrupção” que a Noruega alguma vez viu. O choque foi fortíssimo, especialmente tendo em conta que até as suspeitas virem ao de cima, Jensen era um pai, marido e polícia exemplar. 

Nasceu a 30 de julho de 1957, e segundo o que conta, não demonstra ter tido uma infância difícil. Cresceu num bairro agradável, tinha vários amigos e era bastante carismático, algo que o ajudou a conquistar Cecilie Blegeberg, a mulher com quem teve dois filhos. Sempre foram a sua maior preocupação. Após ter sido detido, escreveu um livro onde fala da sua experiência na polícia, e pediu à irmã que todas as receitas da obra fossem dadas aos filhos para que pudessem ter um bom futuro, mesmo sem o pai por perto. “Se eu tirasse a minha própria vida, ela daria o meu dinheiro aos miúdos”, contou ao “The Nordic Page”.

Dedicou toda a carreira à polícia norueguesa. Tinha apenas 20 anos quando se juntou à força da autoridade, em 1977, e por lá ficou até 2014. Mas, durante grande parte do seu percurso não seguiu as normas estabelecidas. 

Em 1993 conheceu Gjermun Cappelen, um traficante de droga que acabou por o recrutar graças às informações privilegiadas que tinha. Crê-se que tenha recebido cerca de 2,1 milhões de coroas norueguesas (aproximadamente 234 mil euros) enquanto trabalhava com o drug lord. Por sua vez, Cappelen fez cerca de 221 milhões enquanto cooperava com o agende da polícia.

Foram eficazes durante algum tempo, mas algumas mensagens crípticas que trocaram fizeram com que entrassem nos radares dos restantes polícias. De acordo com a NRK, Jensen revelava a Cappelen as alturas em que os agentes estavam de olho nele e nos seus movimentos. Em abril de 2011, o polícia mandou uma mensagem ao traficante de droga onde dizia que “tudo está bem agora. Sossegado e solarengo.” Nesse mesmo dia, tanto o departamento policial responsável pelos crimes que envolvem droga e operações especiais encerraram pelas 14 horas.

Jensen alegou que estava a pensar a fazer conversa de circunstância sobre o tempo, e que aquilo não era nenhum tipo de mensagem subliminar. Nesse mesmo dia, entraram 200 quilos de haxixe na Noruega. Este é apenas um exemplo das várias comunicações entre ambos.

Uns anos depois, a 19 de dezembro de 2013, foram encontrados 109 quilos de droga num armazém de Cappelen em Oslo. A polícia fingiu uma invasão ao espaço, pois estavam seguros que o traficante comunicaria com Jensen. E tinham razão. Trocaram mensagens e foi aí que a polícia finalmente conseguiu apanhá-los.

Em 2017, o tribunal de Oslo condenou Eirik Jensen com a pena máxima, que permanecerá na prisão de Kongsvinger até 2038.

Carregue na galeria para conhecer outras estreias reservadas para o mês de junho.

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