Televisão

O documentário da Netflix que conta a história real de uma bizarra “seita do sexo”

Prometiam a salvação através de orgasmos femininos de 15 minutos. Acabou investigada pelo FBI por tráfico sexual e prostituição.
O documentário tem uma hora e meia.

Tem sido uma das maiores apostas na programação da Netflix ao longo dos anos. Todas as semanas, a plataforma de streaming estreia documentários que contam histórias reais — muitas delas relacionadas com crimes ou acontecimentos bizarros. No sábado, 5 de novembro, estreou mais um: “OneTaste: Meditação, Prazer e Controvérsia”.

Esta é a história da OneTaste, uma empresa de bem-estar sexual que foi fundada em 2005 na zona de São Francisco, nos EUA, por Nicole Daedone, em parceria com outras pessoas. “Há um distúrbio de défice de prazer neste país… e a cura é o orgasmo feminino”, defendia Daedone numa TED talk em 2011, que resumia um pouco o propósito da empresa.

A OneTaste promovia eventos, conferências ou workshops sobre uma prática a que chamavam “orgasmo meditativo”. Alegadamente, era uma forma eficaz para uma mulher atingir o orgasmo, que duraria 15 minutos e seria benéfico a diversos níveis. 

Como a empresa era publicitada por celebridades como Gwyneth Paltrow ou Khloé Kardashian, tornou-se imensamente popular, sobretudo entre 2013 e 2014. Milhares de pessoas participavam nos eventos e pagavam (bastante) para terem acesso. Havia passes anuais, aliás, à venda por cerca de 60 mil euros. O sucesso levou à expansão da marca, com a abertura de instalações em Los Angeles e Nova Iorque, também nos EUA; e em Londres, no Reino Unido.

A empresa disponibilizava aos clientes demonstrações desta prática de orgasmo meditativo — tanto em eventos ao vivo como através de vídeos que eram gravados. Uma mulher deitava-se numa cama e um homem especialista acariciava-a da forma certa para atingir o tão desejado objetivo. 

Muitos clientes estavam interessados em alcançar o prazer sexual que nunca haviam tido. Outros procuravam recuperar de traumas. E alguns pretendiam estabelecer ligações mais profundas com outras pessoas, uma vez que toda esta prática era também bastante espiritual e ligada ao mindfulness.

Por mais bizarro que tudo isto seja, a história tornou-se ainda mais obscura quando surgiram alegações da parte de ex-funcionários que diziam que a OneTaste orquestrava práticas de prostituição e tráfico sexual. Vários antigos trabalhadores acusaram a empresa de os pressionar a iniciar práticas sexuais com clientes ou uns com os outros.

Foi sobretudo uma reportagem da “Bloomberg” em 2018 que alertou para o problema, dizendo que, “de acordo com as experiências de alguns membros, a empresa usava a sedução e o sexo para atrair alvos emocionalmente vulneráveis”. “Ensinavam os trabalhadores a trabalhar de graça ou por valores baratos para mostrarem devoção. E os gerentes costumavam ordenar ao pessoal que tivesse sexo ou praticasse o orgasmo meditativo uns com os outros ou com clientes”, pode ler-se no artigo.

Na altura, o FBI começou a investigar a OneTaste. Nicole Daedone deixou de ser a CEO da empresa, e logo a seguir a OneTaste mudou de nome para The Institute of OM (“OM” sempre foi a sigla usada para “orgasm meditation”), de forma a tentar conter os estragos. Todos os escritórios nos EUA foram encerrados.

O documentário da Netflix, que se prolonga durante uma hora e meia, inclui entrevistas com antigos trabalhadores (incluindo aqueles que praticavam os orgasmos meditativos), antigos clientes, com uma jornalista da “Bloomberg” e o ex-marido de Nicole Daedone. Muitos referem-se à OneTaste como uma “seita do sexo”. A investigação do FBI não levou, pelo menos ainda, a qualquer acusação criminal.

Entretanto, um grupo de 15 antigos clientes está a processar a plataforma de streaming por alegadamente incluir imagens não autorizadas, que teriam sido “roubadas” por um antigo videógrafo da empresa. A realizadora, Sarah Gibson, frisou que os vídeos foram obtidos de forma legal e que grande parte dessas imagens até já tinham sido usadas por órgãos de comunicação social e em vídeos do YouTube.

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