Televisão

O “MasterChef Portugal” está de volta — com uma temporada cheia de lágrimas e sorrisos

A NiT falou com um dos jurados desta temporada, o chef Ricardo Costa. Embora possa parecer, diz que não é o mais “mauzão”.
Ricardo Costa conquistou duas estrelas Michelin.

Ricardo Costa tornou-se chef do restaurante do hotel The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, há quase 13 anos. Lá, conquistou duas estrelas Michelin — que foram renovadas esta semana — e foi também durante este período que se estreou na televisão. Participou no programa “Top Chef” há quase 10 anos e, desde então, Ricardo Costa tem sido chamado pela produtora Shine Iberia para diversas colaborações esporádicas noutros formatos.

A partir deste sábado, 26 de novembro, conquista um maior protagonismo na televisão. Ricardo Costa será um dos três jurados da nova temporada de “MasterChef Portugal”, que estreia na RTP1 a partir das 21 horas. Os outros são os chefs Noélia Jerónimo e Pedro Pena Bastos.

Em entrevista à NiT, Ricardo Costa explica que ficou entusiasmado quando recebeu o convite, mas teve de gerir a situação da melhor forma, visto que isso significaria ausentar-se do dia a dia do restaurante que dirige durante algumas semanas.

“O The Yeatman ganhou uma dimensão muito grande e tive de ponderar. Falei com a administração e com a direção, e tivemos de criar bases e condições para poder estar um pouco mais ausente. Sempre que podia vinha cá ao hotel e estava com a minha equipa. As equipas também são boas, o que permitiu que isso possa ter acontecido”, revela.

Como sempre, no “MasterChef Portugal” os três jurados avaliam — numa série de provas distintas — as capacidades de um conjunto de apaixonados cozinheiros amadores. Neste caso, Ricardo Costa admite que teve de ir recapitular uma série de “receitas simples” das quais já não se lembrava tão bem, uma vez que está habituado aos pratos elaborados da alta gastronomia.

Perguntamos-lhe se ficou satisfeito com o nível dos concorrentes. “Trabalho com uma equipa grande, com excelentes cozinheiros. Fiquei muito satisfeito com a enorme evolução que tiveram. Inicialmente eram quase todos iguais, uns com melhores características ou mais potencial do que outros, mas, no final,  todos evoluíram muito. O esforço e o sacrifício que os concorrentes fizeram para chegar ali foram muito importantes. Muitas vezes, no nosso trabalho, gostávamos que os cozinheiros tivessem um bocadinho daquela garra — são profissionais, passaram pelas escolas, fizeram estágios e alguns estão há alguns anos no mercado. Mas, às vezes, falta-lhes garra. E com os concorrentes foi muito bom de ver que tiveram, desde o primeiro ao último dia, muita garra.”

Quanto aos colegas de júri, já conhecia ambos. Conheceu Pedro Pena Bastos, do restaurante Cura, do hotel Ritz, “há três ou quatro anos”. No caso de Noélia Jerónimo, a relação é mais próxima. Todos os anos, Ricardo Costa ruma à zona do Algarve onde fica o restaurante Noélia e Jerónimo, em Cabanas de Tavira. Por isso, frisa que passa sempre lá, seja com a família ou com outros amigos chefs.

“Quem fez as escolhas já nos conhecia minimamente bem, ou então arriscou, mas acho que correu bem. As nossas personalidades, apesar de serem diferentes, encaixaram bem e isso fez com estivesse logo meio caminho andado para aquilo funcionar. Entrar para gravar e estarmos felizes porque íamos fazer aquilo.” 

Quanto aos perfis dos jurados, Ricardo Costa não tem dúvidas de que o mais “bonzinho” é Noélia Jerónimo. E acredita que, embora possa parecer, também não é o mais “mauzão”. “Aparentemente sou o mauzão, o mais fechado, o menos sorridente, mas depois quando se começam a desenrolar as coisas, talvez não seja o mais mauzão [risos]. Penso que não há mauzões — há exigência e maneiras diferentes de explicar as coisas. Tudo de forma divertida, mas fazendo bem o trabalho. O objetivo é sensibilizar as pessoas em casa sobre o que é, ou pode ser, a cozinha.”

Um dos principais desafios é que esta temporada de “MasterChef Portugal” volta a não ter apresentador. Isso significa que os três chefs tiveram de gravar alguns momentos de apresentação, de forma a intercalar os diversos segmentos do programa e a apresentar as provas.

“Requer muito mais atenção, mais empenho, mais estudo. O resto é freestyle: a prova, os conselhos que damos, isso tudo é genuíno. Tenho a certeza de que nós, os três jurados, deixámos ingredientes suficientes para a produção poder cozinhar um bom programa [risos]. Os jurados e concorrentes estiveram muito bem, com um resultado final de excelência. Acho que é um programa low profile, uma coisa divertida, pedagógica, com que as pessoas se podem divertir e emocionar… É muito emotivo. Aqueles concorrentes estiveram juntos aquele tempo todo, mais o tempo de formação, foi quase um ‘Big Brother’. Ou seja, havia uns que gostavam mais de uns do que de outros, mas no geral era sempre muito emotivo, quando alguém saía ou era prejudicado. Há muitas lágrimas, muitos sorrisos, abraços, beijos…”

Perguntamos-lhe se também se emocionou. “Quase. Não vão ver, mas quase. No final há ali uma ou outra situação, em que já estava tão emotivo… A Noélia era todos os dias [risos], mas era tão forte e tão intenso. E estamos à vontade, somos nós mesmos. Outro dos desafios era mostrar um pouco mais de mim, quem é o Ricardo Costa, porque se tem sempre aquela ideia do mauzão nas cozinhas, porque é a minha maneira de ser. A minha cara é esta, fecho-me um bocado e cruzo os braços, mas ali é um bocado diferente. De certa forma, não conseguia avaliar os concorrentes como avalio os cozinheiros, não é? São amadores, ou seja, se fazem algo mal, tenho de os aconselhar e motivar a fazerem melhor da próxima vez. Não dizer que fizeram tudo mal. Não há violência, nada disso… É muito emotivo e pedagógico.”

Ricardo Costa descreve as gravações como “viciantes” e recheadas de “adrenalina”. “Até me custou quando voltei ao trabalho [risos]. Pensámos que era ao contrário, que aqui era a 200, mas se aqui era a 200, ali na televisão era 300. Era muita adrenalina.”

O programa arranca este sábado.

Normalmente, o chef do The Yeatman só conseguia ver os programas de culinária quando eram transmitidos ao domingo, o único dia da semana em que tem disponibilidade para ver alguma televisão. Aos sábados é mais difícil — mas diz que terá de abrir uma exceção desta vez.

“Este programa, mesmo dando ao sábado, vou puxar para trás ou gravar [risos]. Tenho acompanhado alguns programas, mas também me faz alguma confusão. Vivo todos os dias nas cozinhas, de manhã à noite, então não me relaxa ver cozinha na televisão. Relaxo a ver futebol ou outras coisas quaisquer, mas programas de cozinha não. Ativa logo a minha adrenalina, seja com que chef for. Uma simples receita vai logo chamar-me a atenção”, argumenta, além de explicar que também não foi fácil conciliar as gravações com o restaurante e a vida familiar, com tantas viagens e cansaço pelo meio. “Também foi esse o grande desafio.”

Quanto à renovação das duas estrelas Michelin, não esconde que gostaria de ter conquistado a terceira nesta cerimónia dos prémios. “Temos crescido, ano após ano, e sabemos perfeitamente que estamos num campeonato superior — no mais alto campeonato do País. A comparação é com o nível mais alto do país vizinho. Talvez a pandemia nos tenha quebrado um bocadinho, e ajudado de outra forma. Talvez em 2020 não tivéssemos grandes expetativas, em 2021 também não, mas este ano foi extraordinário. Com uma consistência incrível, muita criatividade, boas equipas, fatores que nos levaram a ter a ilusão de que poderíamos ter um bocadinho mais.”

Acabou por não acontecer. “Não aconteceu, poderá nunca acontecer, poderá acontecer para o ano, daqui a dois anos. O importante é termos motivação no nosso trabalho, sempre a criar, a afinar, para chegar a esse nível de excelência. A renovação é muito boa. Às vezes, queremos mais, e acabamos por esquecer  que, afinal, é como se tivéssemos ganho novamente duas estrelas. A renovação passa por aí — festejar as duas estrelas — e ano após ano, tentar crescer um bocadinho mais. Há pessoas em Portugal a fazerem um bom trabalho e o País merece, num curto espaço de tempo, ter um restaurante de três estrelas. Se puder ser o The Yeatman, melhor, mas se for outro também fico contente [risos].”

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT