Televisão

“O Noivo é que Sabe”: agora que já não é crime, Rebeca casou-se com o Élio

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o último episódio desta temporada do reality show da SIC.
Rebeca e Élio foram namorados há muitos, muitos anos.

Neste domingo à noite foi transmitido o último episódio de “O Noivo é que Sabe”, na SIC. Foi uma temporada divertida em que ficámos a conhecer todo o tipo de noivos: betos, choninhas, com micose, com psicose, organizados, mais desorientados do que um turista no Bairro Alto, mas enfim, todos com o mesmo pensamento em comum: “se é para casar, que seja a SIC a bancar”.

Desta derradeira vez, os holofotes incidiram sobre mais uma figura pública, a cantora Rebeca, que se apresentou entoando uma das suas músicas. “Meu nome é Rebeca, e o teu qual é? Eu quero conhecer-te para dançar o tereré”. Como sou um cavalheiro aproveito para responder que “o meu nome é Miguel, Lambertini pois é. Se tentasse essa dança, provavelmente torcia o pé.” Não sei o que é o tereré, mas soa a algo perigoso.

Curiosamente, Rebeca é apenas nome artístico. Na verdade a cantora chama-se Cláudia mas Ágata, que é sua madrinha, batizou-a de Rebeca, sabe Deus porquê. Ágata que, por sua vez, também não se chama Ágata mas sim Maria Fernanda, tem claramente uma obsessão em substituir nomes perfeitamente razoáveis por nomes bimbos. Mas é uma opção estética que eu percebo. Trata-se de música popular e não teria o mesmo impacto se a Romana se chamasse Teresa ou se o Emanuel se chamasse Américo que, by the way, é o seu nome verdadeiro. Quase de certeza que o alterou por sugestão da Ágata, que aquela senhora não se aguenta. “Podes ficar com as jóias, o carro e a casa, mas não fiques Américo…”

O noivo desta história chama-se Élio — creio que é o seu nome verdadeiro — e foi o primeiro amor de Rebeca. A cantora explicou que se conheceram há muitos anos, namoraram e só depois de já ambos se terem divorciado é que voltaram a juntar-se. “O nosso namoro durou dois meses. Eu tinha 15 anos e o Élio tinha 21.”

Provavelmente acabou porque passados dois meses o Élio achou que Rebeca já estava a ficar demasiado velha para ele. A cantora acrescenta: “começámos a namorar porque eu cantava e o Élio era barman onde eu atuava. Mas fui eu que acabei com ele”. Quando Rebeca diz “eu”, suspeito que esteja a referir-se ao seu pai, o Sr. Quim, que faz lembrar uma versão 2020 do Serafim Saudade.

Pelo que vi, não me parece que o Sr. Quim tenha achado muita piada ao facto de a sua filha protagonizar um romance ao estilo do Nabokov e o seu clássico “Lolita”. Mas entretanto os anos passaram, a relação amorosa entre os dois deixou de constituir prática de crime e o casal voltou a reatar a sua paixão, desta feita já com a benção do pai de Rebeca. 

Com todos os detalhes preparados para o grande dia, Élio foi desfrutar da sua despedida de solteiro a fazer stand-up paddle. Quer dizer, stand-up é como quem diz, porque pelas imagens que vimos acabou por ser fall down paddle. Ainda assim, Élio não concorda. “Eu não caía, eu mergulhava. Sentia-me com calor e mergulhava, ninguém me viu a cair.” Pois não, Élio, acontece-me exatamente o mesmo a andar no overboard do meu filho, eu não caio, eu atiro-me porque gosto da sensação de esfregar a minha cara no alcatrão. 

Já a despedida de solteira de Rebeca tinha todos os ingredientes para ser inesquecível. Vanessa, a irmã da noiva, quis fazer-lhe uma surpresa e por isso colocou uma venda nos olhos de Rebeca e levou-a de carro, para grande nervosismo da cantora. Quando chegaram ao quartel dos bombeiros de Óbidos, Vanessa encaminhou a irmã ainda vendada para o local onde iriam desvendar a surpresa: “aqui, aqui, a-qui! Liiiinda.” Não sei se é por se chamar Rebeca, mas Vanessa dá instruções à sua irmã como se ela fosse uma cadela.

Quando remove a venda, Rebeca depara-se com uma coreografia feita pela irmã e mais duas dançarinas, vestidas de bombeiras e iluminadas pelos faróis de um camião dos soldados da paz. A luz refletia nos equipamentos, mas principalmente nos dentes reluzentes da irmã Vanessa, quase ofuscando Rebeca, que não se apercebeu de imediato de que o bombeiro que surgia no meio das dançarinas era o seu futuro marido Élio. O noivo fez o que pôde para tentar acompanhar a coreografia, e durante alguns momentos conseguiu mesmo não parecer alguém em pleno ataque epilético.

“Ele dança bem”, comenta Rebeca, ainda meio encadeada pelos dentes da sua irmã, que estão sempre com os máximos ligados. Depois da dança, Élio diz para a sua noiva: “Vou concretizar o teu sonho”. Pensei para mim, “será que o Élio vai aproveitar o facto de estar vestido de bombeiro e fazer um strip maroto como presente de casamento?” Mas não, felizmente Rebeca tem sonhos mais estimulantes como, por exemplo, conduzir um camião de bombeiros. E assim foi, com a mulher ao volante o casal deu umas voltas pelo quartel, para grande felicidade de Rebeca e total temor de Élio, que estava em stress no lugar do pendura, como se fosse a 200 quilómetros por hora na Avenida Marginal.

Aparentemente correu tudo bem, porque no dia seguinte tanto um como o outro apareceram na quinta para, por fim, celebrarem o seu casamento. O Sr. Quim ficou deslumbrado ao ver a sua filha e, como todo o pai babado, comentou: “Estás linda. Eu tinha um fraco pela Princesa Diana e tu estás igual à Princesa Diana”. Princesa Diana ou, como Ágata lhe chamaria, Princesa Kátia.  

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