Televisão

“O Noivo é que Sabe”: a bexiga de Gracy não aguentou mas o importante foi seguir em frente

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo do programa da SIC.
O programa dá aos domingos à noite na SIC.

Há três semanas que estamos a ouvir que “aconteceu um imprevisto” no casamento do Ricardo e da Graciete… Graciela? Acabei por ficar sem perceber como se chama a senhora. No ecrã aparece Graciete, mas depois a Cláudia Vieira chama-lhe Graciela uma vezes e Graciete outras. Não se percebe nada, deve ser tipo IKEA, cada um diz à sua maneira. Assim sendo, vou chamar-lhe Gracy, que é fofinho e dá para as duas versões.

Pois é, este domingo, 27 de setembro, em “O Noivo é que Sabe”, emitido na SIC, as atenções centraram-se no casamento da Gracy e do Ricardo, onde foi possível percebermos finalmente o que raio aconteceu à noiva a caminho do altar. E não foi bom, mas a culpa é do noivo. A verdade é que Ricardo lembrou-se de tudo para dar à sua namorada o casamento com o qual ela sempre sonhou. A quinta, o vestido, as alianças, a maquilhagem, mas esqueceu-se de um pormenor que acabou por ser fatal: não pôs gasolina no carro!

Resultado: a caminho da quinta onde iam casar tiveram de parar para atestar o depósito. A madrinha queixou-se que estava a morrer de calor e foi nesse momento que a noiva avisou “E eu estou com uma dor para mijar, que ainda é pior”. Mas apesar dos sinais que lhe enviava a bexiga, Gracy optou por aguentar e não sair ali para se aliviar. Provavelmente, porque concluiu que tentar usar uma retrete de uma casa de banho pública com um vestido de noiva é um processo mais moroso e difícil que pintar as unhas em cima de um touro mecânico.

Mas como qualquer pessoa que já teve muito aflita para fazer chichi — ou em coma alcoólico — sabe, há um ponto de não retorno que não se pode passar. É aquela linha invisível temporal após a qual já não há nada a fazer, apenas relaxar e aceitar o riacho de amarelo quente que desce pelo vale das pernas e desagua numa poça de vergonha. “Sandra, sai, aconteceu um imprevisto. Tou toda mijada, mijei-me toda. Tou batizada.” Não sei a que tipo de batizados a Gracy costuma ir, mas desconfio que sejam aqueles lá da sacerdotisa do Tibete que curou o Ângelo Rodrigues com chuva dourada.

A madrinha fez o seu papel e ajudou a noiva que, coitada, evitou urinar numa casa de banho pública mas acabou por ficar a cheirar a casa de banho pública. Mas Gracy é claramente uma mulher de armas e não ia ser um incidente como este a deitar abaixo a sua confiança. E como não havia vestido suplente, o que não tem remédio, remediado está, pelo que mais vale seguir em frente e se alguém perguntar pelo cheiro meter as culpas na avó incontinente.

Entretanto o noivo entrou ao som da música de “O Rei Leão” e os convidados aplaudiram, pelo menos aqueles que ainda não tinham derretido por estarem há horas à torreira do sol. Depois de mais um longo compasso de espera cuja justificação foi a “falta de gasolina”, a marcha nupcial começa a entoar e finalmente Ricardo vislumbra a sua noiva a chegar. Com emoção, o noivo confessou:

“Tive vontade de chorar, mas aguentei-me, porque se eu deixasse escorrer uma lágrima, ela ia ficar toda borrada”. Em nome de todos os espectadores da SIC, obrigado Ricardo, “número 1” ainda vá, mais do que isso já passava a ser conteúdo digno do PornHub. Mas, quem sou eu para julgar, o noivo é que sabe…

Já no copo de água, Gracy, que não tinha uma relação muito próxima com a sogra, emocionou-se ao agradecer o apoio dela e ambas choraram. No seguimento da cena, o pai do noivo comentou: “O que conta é o amor, o carinho. Somos todos iguais, o sangue é igual. Seja cigano, árabe ou romeno o que interessa é dar-nos todos bem.” Nem mais. É certo que não bebi duas garrafas de vinho como o senhor, mas não diria melhor.  

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