Televisão

“O Noivo é que Sabe”: Bruna, Adérito e o tal convidado “um bocado maluco”

Aqui está a análise do humorista Miguel Lambertini ao episódio deste domingo do programa da SIC.
Bruna e Adérito estiveram em destaque.

Como já vem sendo hábito, no último episódio de “O Noivo é que Sabe” — emitido este domingo, 11 de outubro, na SIC —, voltámos a ouvir Cláudia Vieira anunciar a sua profecia dramática favorita: “O casamento de sonho está prestes a tornar-se num pesadelo!” Não faças isso, Cláudia. É mentira, nós já vimos os outros episódios e sabemos que vai correr tudo bem, pára de nos tentar enganar com essa conversa de Nostradamus em vestido de João Rolo, se faz favor.

Faz-me lembrar aquela história que anda para aí do Mercúrio retrógrado. O que é isso? Para já o nome é ridículo, parece uma pomada do anos 60 para as hemorróidas; e depois, se os planetas são tão importantes para a vossa vida pessoal, porque é que não começam por se preocupar com o planeta Terra e passam a ir de bicicleta para o trabalho? Fica a dica, tenham só cuidado no caso de serem Sagitários com ascendente em Capricórnio porque esta é uma semana propensa a acidentes com veículos de duas rodas.

Uma das coisas boas deste programa é ficar a conhecer histórias de relacionamentos felizes e saudáveis entre pessoas apaixonadas. Por isso o que mais me impressionou no episódio de ontem foi o amor puro e verdadeiro que todos pudemos testemunhar entre o Adérito e os seus padrinhos, James, Kaka e Marquinhos. Não me interpretem mal, a Bruna parece uma jóia de pessoa, mas é impossível ficar indiferente a este bromance, principalmente quando parecem todos saídos de um filme do Ben Affleck, com a ligeira diferença de o cenário ser o Cacém, em vez de Boston.

Apesar do apoio dos amigos, as coisas demoraram um pouco a arrancar porque Adérito não sabia muito bem por onde começar. A poucos dias do casamento Cláudia Vieira sentou-se com o noivo para fazer um ponto de situação. “Então vamos lá ver o que é que tu tens: tens o tema”. “Sim”, responde Adérito com ar pouco confiante”. Cláudia insiste novamente, a espera que ele conclua: “Tens o tema…” E Adérito conclui resignado, “Ya tenho o tema.”

O rapaz tinha efetivamente a coisa mais importante para todos os noivos que participam neste programa, que era o tema — Nova Iorque. Só faltava tudo o resto. Como não sabia as medidas da sua namorada Bruna, Adérito pediu ao padrinho Marquinhos que experimentasse algumas opções. O amigo deu o corpo ao manifesto e, apesar de ter mais peito do que a noiva, acabou por ser um ótimo modelo e resolver a questão do vestido. Mas se ajudou a despachar a escolha do vestido, por outro lado Marquinhos lixou os planos do noivo quando foi visitar a quinta que Adérito tinha escolhido.

O padrinho constatou que aquele espaço era perfeito se o tema fosse o faroeste, mas que não tinha nada a ver com a ambiência de Nova Iorque que Adérito tanto queria. “Isto tem cavalos mano, isto é Nova Iorque onde, só ser for de há 300 anos”. Bem visto, cara, o Marquinhos até pode ter nome de sobrinho do Tio Patinhas, mas não é nenhum totó.

Descartada a hipótese da quinta, Adérito acabou por escolher um espaço mais moderno e cosmopolita, o Espelho de Água, em Lisboa. Mas foi a chamada escolha ovo Kinder, porque lá dentro tem uma surpresa e é daquelas manhosas com que os miúdos brincam dois minutos e depois dão ao cão. É que sem saber, Adérito acabou por não cumprir o único pedido que a noiva lhe fez antes de aceitarem este desafio.

“Há só uma pessoa que eu não quero mesmo que vá ao casamento, que é o meu pai”. É que é preciso pontaria, a Bruna não foi chatinha com nada, é a noiva mais tranquila de sempre e o homem vai mesmo escolher o único espaço no país inteiro onde trabalha o pai da rapariga. Quando chegou ao local do casamento para ver as decorações que os seus amigos tinham preparado, Adérito dá de caras com Rui, o pai da noiva que lhe pergunta: “Gostas do que eu fiz, tá brutal, não tá? Não sabias que era eu que estava aqui? Pois, estou aqui há cinco anos e já agora vou aproveitar para ver a Bruna”. Aqui Adérito riu-se nervoso e começou a ficar da cor do seu fato branco enquanto pensava o quão poluído estava aquele lago do Espelho de Água para onde a noiva o vai atirar quando perceber que o seu pai está no casamento.

Bruna chega ao espaço na limusina branca que o Adérito contratou ao Scarface e desabafa de imediato: “Não quero ver o meu pai.” Produção do programa: “Bora pôr o pai da Bruna mesmo na entrada para ser a primeira coisa que ela vê?”; Rui estava um pouco nervoso por rever a filha e por isso foi repetido insistentemente; “Fui eu que montei tudo, fui eu que montei tudo, fui eu que montei tudo, espero que gostes”.

Rui, que tem uma ligeira cara de psycho, achou mesmo que montar dez mesas com arranjos florais no centro ia ser suficiente para compensar uma infância inteira sem ver a filha. O pai tenta justificar o seu afastamento: “Não sei, ela diz que eu sou um pai um bocado irresponsável e maluco.” Realmente Rui, que estranho, são dois atributos tão positivos e indispensáveis num pai que não se percebe porque é que a Bruna não havia de quer que estivesse no seu casamento.

Mas no final e como já todos sabíamos — ouviste Cláudia? — o sonho tornou-se mesmo realidade e Adérito casou-se com a sua Bruna. Ele que até esteve a um fio de desistir porque o seu pai tinha falecido há pouco tempo e estava a acusar a pressão da tarefa. Felizmente pôde contar com o apoio dos seus “damos, ya?” que o acompanharam do princípio ao fim. E no fim todos choraram abraçados de felicidade com o sentimento de missão cumprida e a promessa muda de que sempre que faltar aquele abraço do pai os padrinhos tomam conta do recado. “Eu te amo moleque”, diz o Marquinhos enquanto afaga a cabeça do seu amigo Adérito. Confesso que aqui fiquei com uma lagriminha no canto do olho, mas provavelmente é o Mercúrio retrógrado a fazer das suas.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

Novos talentos

AGENDA NiT