Televisão

“O Noivo é que Sabe” deste domingo esteve cheio de momentos (muito) nojentos de amor

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o mais recente episódio do programa da SIC.
Pedro Guedes e Kelly Baron foram o primeiro casal de famosos.

Depois de um casamento triplo, “O Noivo é que Sabe”, emitido aos domingos na SIC, voltou a surpreender com uma novidade. Desde o casamento de Toy com Daniela — transmitido em direto na CMTV — que não víamos um casal de famosos dar o nó na televisão. Como este domingo a CMTV estava ocupada a escarafunchar no lodo da tragédia alheia, foi a SIC que se ocupou de cobrir a boda de Kelly e Pedro Guedes.

Conheceram-se num reality show e Pedro conta que foi amor à primeira vista. Daí até obrigar a noiva a beijar os seus pés cheios de micose foi um passo: “Você fez-me beijar a sua unha cheia de micose para provar que te amo”, diz Kelly com ar apaixonado, como se tivesse acabado de contar a coisa mais romântica do mundo. Percebo agora porque é que o Pedro pediu a namorada em casamento. Uma mulher que beija pés com fungos e não vomita, em princípio é uma pessoa que qualquer homem quer ao seu lado até ao final dos seus dias. Ou isso ou um daqueles aquários que há nos centros comerciais, onde peixinhos se alimentam do surro que as pessoas têm nos dedos dos pés. Mas as manifestações asquerosas de amor não se ficam por aqui.

Depois de contar este episódio fofinho, Kelly palitou os dentes do namorado para tirar um pedaço de comida que estava preso. Isto não só é repugnante, como é uma verdadeira prova de amor. Se a Kelly faz isto em público, imagino o que fará não havendo uma equipa de televisão a filmar. “Querida, já fiz cocó, podes vir lavar-me o rabinho como só tu sabes, meu anjo?”

O mano Guedes não quer uma mulher, quer uma enfermeira marota e eu não posso julgá-lo. Pedro adora a sua namorada e ambos confessam que sempre que se beijam é como se fosse a primeira vez. Kelly, como todas as pessoas que nasceram no Brasil, morre se não malhar diariamente e por isso lembrou-se de criar um negócio de bombons fitness. Uma ideia inteligente que permite a todos os adeptos do exercício físico desfrutar do prazer de um chocolate light, sem ficar com os remorsos de estar a dar cabo da linha. Faz sentido, porque uma pessoa fica sempre com aquela larica depois de ir ao ginásio, mas eu, por exemplo, não gosto de bombons. No entanto era menino para aderir perfeitamente a um batido de cozido à portuguesa ou a uma barra energética de chanfana de borrego, mas vá-se lá saber porquê a Prozis não vende.

Depois de meia hora de imagens do casal a fazer higiene oral, ora com palitos ora com a língua enfiada na boca um do outro, a SIC fez o favor de andar para a frente com o programa e seguir para a parte em que o noivo tem de organizar um casamento em dez dias. Pedro pediu obviamente a ajuda do seu irmão Ricardo, que, embora sendo gémeo, é dos dois o mais bonito.

Foi bonito.

 É inevitável. Sempre que vejo gémeos gosto de fazer este jogo de encontrar as diferenças, como se estivesse a olhar para a última página da revista Maria, enquanto vou desenhando bolinhas na cara de um deles. Às vezes há pessoas que não gostam e mandam-me levar no sudoku. Depois de terem escolhido o vestido de noiva que Kelly iria usar, os manos foram escolher o fato do noivo. Pedro optou por um modelo com cartola e bengala e por isso apresentou-se no casamento vestido de Johnnie Walker, o que dá sempre jeito no caso de faltarem bebidas brancas.

Enquanto ultimava todos os restantes preparativos para o grande dia, Pedro ainda teve tempo de ir fazer uma sessão fotográfica com uma corporação de bombeiros. O noivo e o irmão aprenderam algumas das técnicas usadas no combate ao fogo e, depois, provavelmente porque estavam com muito calor, despiram-se para tirar fotografias sexys para um calendário. Eu percebo a intenção dos bombeiros, 2020 foi um ano para esquecer, mas temos de pôr as amarguras para trás das costas e entrar em 2021 como os manos Guedes: a agarrar na mangueira e em tronco nu. 

Por falar em festa da mangueira, a despedida de solteiro do Pedro foi animada com bebida, fichas de poker e adereços que transformaram o grupo em matrafonas do carnaval de Torres Vedras. Já a despedida de solteira de Kelly pareceu bastante menos divertida, até porque o Pedro achou que não seria boa ideia disponibilizar álcool e portanto as amigas acabaram a noite a beber água da torneira de um garrafão. Provavelmente o noivo teve receio de que se houvesse bebidas alcoólicas a Kelly pudesse entusiasmar-se e no meio da loucura beijar o dedo do pé do empregado que as estava a servir.

Já na manhã do casamento, Pedro começou a acusar nervosismo enquanto se vestia. O irmão estranhou a opção na indumentária e perguntou com alguma surpresa: “vais levar meias desportivas?” Pedro encolheu os ombros como quem diz “vou e tens muita sorte, porque a minha ideia inicial era levar uns chinelos do Lidl”.

No altar, o noivo aguardou ansiosamente pela sua noiva enquanto os convidados se sentavam, entre eles a irmã da noiva, Sybelly, que tem nome de boneca da Majora que faz bolhinhas com a boca. Kelly finalmente chegou e caminhou lindíssima até ao altar ao som de “Garota de Ipanema” tocada em violino. Uma opção que fez imenso sentido, era isso ou o “Ave Maria” de Schubert tocado com uma vuvuzela. Já casados e de aliança no dedo, a celebrante anunciou: “podem beijar-se”. Nesse momento Pedro descalçou-se, tirou a meia desportiva e Kelly beijou-lhe a unha com micose, como se fosse a primeira vez.

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