Subscreva a nossa newsletter para receber as melhores sugestões de lifestyle todos os dias.

Televisão

“O Noivo é que Sabe”: Houve mais discursos do que no congresso do PCP

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o mais recente episódio do programa da SIC.
Houve mais saga do casamento triplo.

Este domingo, em “O Noivo é que sabe”, na SIC, continuou a saga do casamento triplo. Desafortunadamente, ao contrário do que eu antevia, nem o Manu nem o Luís conseguiram levar a cabo a sua fuga com sucesso. E assim, depois de um compasso de espera desconfortável, as três noivas viram finalmente os seus futuros maridos chegarem, cada um no seu quadrado.

Primeiro, surgiu na entrada um Ford Mustang que deixou os convidados intrigados. Seriam os noivos? Seria aquele rapaz da novela “Quer o Destino” que gosta de entrar em casamentos e desatar aos tiros? A avó Primavera lança um palpite, “vem no vapor”. Não sei bem o que a expressão significa, mas a Dona Primavera, mãe e avó das noivas, pode dizer o que bem lhe apetecer porque é uma querida e, diga-se, foi a rainha da noite, mas já lá irei.

Poucos segundos depois vemos aproximar-se um jeep Hummer branco que fica também parado à entrada da tenda. Com o Mustang e o Hummer posicionados em V, havia uma forte probabilidade de aquilo ser o começo de um videoclipe do rapper Piruka. Mas não, até porque o melhor ainda estava para vir. Montado num cavalo, como um verdadeiro príncipe, surge o Manu, que é recebido em apoteose pelos presentes.

Carros de alta cilindrada são muito engraçados, sim senhor, mas nada bate um homem montado num equídeo no que toca a impressionar uma audiência. Eu sei, porque vou muitas vezes de cavalo para a ponte Vasco da Gama picar-me com a malta do tuning e bem vejo a surpresa estampada na cara deles. Mas é natural, não é todos os dias que se vê um cavalo rebaixado com ferraduras de liga leve. Estudassem.

Depois desta bela surpresa, a cerimónia iniciou-se e com ela uma catrefada de discursos. Houve mais discursos naquele casamento do que no congresso do PCP, este fim de semana. Primeiro, foi o celebrante que vinha cheio de coisas para dizer, depois foi a Fernanda que quis agradecer ao Fernando, aos genros, às filhas, à irmã, à rapariga da loja dos vestidos, à SIC, ao senhor do catering, à gata que estava à entrada da quinta, a Deus, ao Pinto da Costa (não necessariamente por esta ordem), e por aí fora.

Mais tarde, discursaram cada uma das filhas, e quando achávamos que já não havia mais nada para dizer, pumba, a avó Primavera levanta-se e bota discurso! Muito gostam de discursar nesta família, imagino como será a Consoada lá em casa: marcam o jantar para às nove da manhã, que é para dar tempo para toda a gente discursar e começar a comer o bacalhau às oito da noite.

Por altura da sobremesa e quando os convidados achavam que iam finalmente poder comer o seu cheesecake em paz sem ter de ouvir pessoas a soprar para microfones para confirmar se está ligado, as noivas acharam que era boa ideia discursar uma vez mais. Desta feita, não era apenas um discurso era também um concurso de Misses para escolher o melhor noivo da noite. Não havia muitas opções, mas ainda assim Fernanda, Ana e Paula explicaram, à vez, porque é que o seu é o melhor noivo e entregaram a cada um uma faixa e um diploma. Claro que Fernando não quis ficar atrás, principalmente agora que tinha um canudo, e aproveitou aquela oportunidade para fazer um discurso.

Felizmente, a produção resumiu-o ao essencial, que era basicamente oferecer um par de ténis ou neste caso sapatilhas às noivas, para que elas pudessem desfrutar do resto da festa sem acabar com dois queijos da serra em vez de pés. Mãe e filhas agradeceram o gesto e retribuíram com mais um discurso de quatro horas. Mentira, desta vez optaram antes por fazer uma bonita coreografia em line dancing, ao som de “Jerusalema”, o hit musical deste ano, a par daquele meme dos senhores africanos que transportam um caixão.

Quem não aguentou ver aquela animação toda e teve de se juntar à festa foi, claro, a rainha da noite, D. Primavera. A avó saltou para a pista de dança, abanou a anca (depois voltou a colocá-la no lugar) e mostrou a fibra de que são feitas as mulheres do Norte. Só por causa desta vitalidade e espírito jovem merecia ter recebido uma faixa e um diploma, ou no mínimo um discurso. Posso começar eu: “fffff, está ligado?”

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT