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Televisão

“O Noivo é que Sabe”: um casamento digno de uma aposta tripla no Totobola

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o mais recente episódio do programa da SIC.
Onde casa um português...

Há coisas que não foram feitas para fazer a dois, quanto mais a três, ou a seis. Por exemplo ir à casa de banho é uma delas, mas ainda assim as senhoras insistem em fazê-lo em grupo, não vá o xixi ser psicopata e puxá-las pela retrete abaixo. Casar é outra, mas pela primeira vez em “O Noivo é que sabe”, emitido o domingo passado na SIC, assistimos ao chamado casamento 1, X, 2, tipo aposta tripla do Totobola. Fernando quis casar com Fernanda, mas como não lhe apetecia organizar um casamento sozinho – chama-lhe burro – arranjou dois ajudantes. Quer dizer, ajudantes é força de expressão, porque basicamente Fernando coagiu os namorados das filhas de Fernanda a casarem no mesmo dia que ele.

“Vou-vos convidar e espero que vocês aceitem casar no mesmo dia que eu”, disse Fernando enquanto lançava um olhar intenso aos outros dois. Manu e Luís que, coitados, achavam que iam apenas assistir a um pedido de casamento, de repente perceberam que iam ter de pedir as namoradas em casamento e que tinham de organizá-lo em dez dias. Paula tem 21 anos e Luís 23 anos, mas cara de 15, o que ainda tornou a coisa mais estranha.

A irmã de Paula, Ana, tem 23 e Manu tem 24 e cara de ganzado. Manu, não estava muito convencido, mas depois de ver o amigo Luis aceitar, pensou “que remédio”, e assim os três surpreenderam as respetivas companheiras, com um pedido de casamento muito romântico, num local idílico e…não, foi mesmo na sala de cinema do Centro Multimeios de Espinho. Mas pronto, o que interessa é estarem todos felizes e isso notava-se nas suas caras, inclusive nas dos rapazes que foram obrigados a casar e nas das suas namoradas cujo sonho sempre foi partilhar o altar com mais duas mulheres, sendo que uma delas é a própria mãe.

Depois de se despedirem das namoradas, Fernando Luís e Manu instalaram-se num hotel durante os dez dias que antecederam o casamento.

Foi basicamente a forma que o Fernando encontrou de manter os outros dois em cativeiro, enquanto fingia que ouvia as suas sugestões e tomava as decisões todas sozinho. Todas menos uma, Fernando deixou o seus reféns decidirem como seria a despedida de solteiro dos três. Luís e Manu tinham finalmente aqui a sua oportunidade de fuga e depois de muito pensarem, Luís teve uma ideia de mestre, “já sei, vamos saltar de paraquedas!” Manu achou ótima ideia, até porque naquele momento, até saltar de um avião a 5.000 metros de altitude parecia melhor opção do que estar ali fechado a ter de ouvir o Fernando cantar. Com um bocadinho de sorte o paraquedas até nem abria e ele safa-se de vez deste filme.

Mas ainda não foi desta que Manu se safou, o salto correu bem mas não deu para aproveitar para fugir. A verdade é que nesta fase Manu e Luís já tinham gerado alguns sentimentos de afeição pelo seu carcereiro Fernando, num claro caso de Síndrome de Estocolmo. Enquanto descia a pique Fernando gritou, “Fernanda consegui, amo-te”. Consegui? O que é que havia para não conseguir? Consegui deixar a gravidade exercer a sua força e deixar-me cair agarrado a um homem que tem um paraquedas nas costas, enquanto as minhas bochechas se mexem como se tivessem vida própria, I rule!

Entretanto as noivas foram experimentar os seus vestidos, mas como estavam vendadas tiveram de o fazer às apalpadelas. Foi assim que as irmãs Ana e Paula descobriram que tinham vestidos iguais o que deixou Paula muito indignada. Claro que Paula seria um pouco mais compreensiva se tivesse visto o que Fernando escolheu para a sua mãe. Um vestido/macacão que parecia os fatos do homem-bala do Circo, só faltava mesmo o capacete com as estrelas e ficava pronta para ser disparada pelo canhão.

Umas das “sugestões” que Fernando lançou aos dois sequestrados foi a de cantar uma música em português do brasil. Com Luís na guitarra, Fernando começou a cantar “agentiquichigamosaquimaispra frentxi”. Nesse momento alguns hóspedes do hotel chamaram a polícia porque acharam que alguém estava a maltratar animais num dos quartos.

Já na despedida de solteira, as amigas surpreendem Paula com alguns presentes. A noiva abre a caixa e lá dentro encontra um avental com um desenho de uma mulher nua e umas algemas. “É para tu utilizares numa futura casa com o Luís. O avental tudo bem que é sempre divertido ver um homem com mamocas e pipi, mas as algemas acho uma péssima ideia, porque vai fazer o Luís lembrar-se do seu período traumatizante de 10 dias em cativeiro no hotel, e pode fazer com que ele se pire na noite de núpcias.

Na véspera do casamento, os noivos (o Fernando, pronto) prepararam um tratamento de beleza. Paula e Fernanda estavam de pé atrás porque ainda se lembravam do tratamento de beleza que a Ana tinha preparado em casa e que consistia basicamente em espetar molho de batatas do Mac na cara e esfregar. Mas este era bastante melhor e como se não bastasse, ainda tiveram direito a ir passear de limusine pelas ruas de Espinho enquanto bebiam espumante (ou água, no caso de Ana) Woooo, loucura!

Finalmente chegou o dia do casamento e as irmãs e a mãe – a verdade é que parecem todas irmãs, justiça seja feita à Fernanda – deslocaram-se na limousine até à quinta escolhida pelo Fernando. Quando chegaram, tiveram uma enorme surpresa, na sala estavam todos os convidados, mas noivos nem vê-los. O que será que aconteceu? Só saberemos na próxima semana, mas cá para mim o Luís e o Manu conseguiram escapar-se durante a noite por uma conduta de ar condicionado. O que vale é que o Fernando pode sempre cantar “agentiquichigamosaquimaispra frentxi”, para entreter os convidados, enquanto os dobermans tentam descobrir o paradeiro dos fugitivos.

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