Televisão

O programa ainda não acabou, mas já vimos tudo o que havia para ver em “Hell’s Kitchen”

Com mais cinco episódios pela frente, sem ideias novas e um mapa feito até à final, conseguiremos não mudar de canal?
E o prato de hoje é...mais do mesmo

A mais de meio da primeira temporada, seriam poucos ou nenhuns os espectadores que não adivinhavam já o que aconteceria até ao final do programa. Do leque de concorrentes, restavam poucas dúvidas sobre quem estava talhado para mostrar a Ljubomir Stanisic que teriam um lugar na sua cozinha.

Só que ainda antes da transmissão do oitavo episódio, surgiram as primeiras notícias com fugas de informação e que avançavam que concorrentes chegam à final e até quem foi o grande vencedor do programa — cujas gravações já terminaram. E a pergunta que se impõe é: alguém ficou surpreendido?

A revelação é apenas mais um dos muitos pecados de um programa cuja adaptação não foi, de todo, feliz. Stanisic é inatacável: ele é o coração do programa e o único e grande responsável por manter agarrados todos os espectadores.

“Hell’s Kitchen” é demasiado longo. Cada episódio daria tempo para ver o grande vencedor dos Óscares com direito a duas pausas para ir à casa de banho e ainda fazer uma tosta mista bem caprichada.

Não só tem o dobro da duração do programa original, como esse tempo extra é gasto em coisas supérfluas. Façam lá o favor de não nos impingir uma cerveja para acompanhar um crème brûlée. Ninguém estava confortável: nem o cliente que precisou de um teleponto para fazer uma simples questão; nem o chefe de sala transformado em Manuel Luís Goucha das cervejas; nem os telespectadores. Pelo meio, um espetáculo de dança no meio da sala do restaurante. Afinal, “Hell’s Kitchen” é um show de variedades.

E for falar em desconforto: a versão nacional do programa quis inovar e criar duas mesas do chef, uma em cada cozinha. Só que em vez de as usar para trazer nomes conhecidos da cozinha, especialistas, pessoas que pudessem dar algum input de qualidade, fizeram uma lotaria no catálogo de caras famosas do canal. Para vermos famosos a fotografarem pratos de comida já temos o Instagram.

As mesas VIP são uma animação — ou não

Voltando ao oitavo e último episódio, a fórmula repete-se tantas e tantas vezes quantas as desculpas que, a cada programa, Stanisic tem que encontrar para ameaçar alguém com a expulsão imediata. É um formato cansativo e esgotado ao fim de sete semanas — e com mais cinco pela frente.

Não há nada pior do que uma competição previsível e, a fazer fé nos mais recentes rumores, qualquer telespectador mais atento conseguiria prever o que iria acontecer sem a ajuda de revelações bombásticas.

É mais do que evidente que Francisca é uma das concorrentes mais bem-preparadas para enfrentar os desafios. Já o era antes sequer de cozinhar o primeiro prato. Foi escolhida para isso.

Lucas, por sua vez, também mostrou qualidades acima da média entre os concorrentes — felizmente, é um concurso onde se premeiam as aptidões culinárias e não a eloquência, senão estaria condenado — e será, certamente, um dos grandes finalistas.

A grande questão que se impõe é esta: o que é que nos prende ainda a “Hell’s Kitchen”? Será que ainda vale a pena darmos mais de sete horas da nossa vida a uma competição que parece ter ficado sem ideias a meio da corrida?

Entre publicidade descarada, serviços repetitivos, tramas gastas — quantas mais caras de frete da Cândida teremos que aguentar? — e agora um final revelado antes de tempo, conseguirá o mau génio de Stanisic tornar tudo suficientemente empolgante até ao fim? Chamem o João: de certeza que ele terá uma desculpa na ponta da língua.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT