Televisão

Tom Ripley volta a semear o caos na nova série da Netflix

O elenco da produção também conta com Dakota Fanning. Estreia esta quinta-feira, 4 de abril, na plataforma de streaming.
O sociopata está de volta.

Gwyneth Paltrow cativou o público em 1999 quando interpretou Marge Sherwood em “O Talentoso Mr. Ripley”. Era uma mulher querida e ingénua que convidava o protagonista, interpretado por Matt Damon, a entrar na vida idílica que construiu ao lado do namorado Dickie Greenleaf (Jude Law), em Itália durante os anos 50. Quando começa a perceber que Ripley matou o parceiro, continua a mostrar uma certa fragilidade — embora queira que seja feita justiça.

Em “Ripley”, série que estreia esta quinta-feira, 4 de abril, na Netflix, Marge passa a ser encarnada por Dakota Fanning. Apesar de se tratar da mesma personagem — também inspirada no bestseller publicado por Patricia Highsmith em 1955 — são completamente diferentes.

Os vestidos florais e fluídos foram trocados por calças e camisas largas. Sherwood é agora uma mulher mais atenta, dura, astuta e reconhece imediatamente Tom Ripley, interpretado agora por Andrew Scott, pelo sociopata que ele é.

Enquanto o seu namorado (encarnado por Johnny Flynn) passa os dias a aproveitar o sol escaldante de Itália, Marge fica principalmente no quarto a trabalhar nos seus livros, mas sempre atenta a tudo o que se passa à sua volta. Os seus backgrounds são completamente diferentes. Ele sempre pertenceu à elite de Nova Iorque. Ela, tal como a própria se descreve num dos oito episódios, é “uma saloia de uma pequena cidade” no Minnesota.

O papel chegou até à atriz de 30 anos após Steven Zaillian, o realizador, a ter visto em “Era Uma Vez Em… Hollywood”. “Ele gostou e depois quis falar comigo sobre este novo trabalho. Eu já estava familiarizada com a história e com a personagem. Li o guião e era um dos melhores que já tinha visto. O Steve é brilhante e a visão que ele tinha para a série também. Não tive de pensar duas vezes”, conta à “Vogue”.

O que a cativou imediatamente foram as nuances que existem em todas as cenas e personagens que entram e saem da narrativa. Explica que, muitas vezes, as falas dos intervenientes escondem segredos que não vemos imediatamente e têm segundas intenções. “Sabia que criar uma personagem com base no que não é dito seria um grande desafio.”

Quando são criadas novas histórias baseadas no mesmo universo, muitos atores veem os filmes passados das sagas para se prepararem para os papéis. Não foi este o caso de Andrew Scott, Dakota Fanning e Johnny Flynn. “Sou uma grande fã do ‘Talentoso Mr. Ripley’, mas a série é completamente diferente. É a preto e branco, o que muda logo tudo e também é mais fiel ao livro”, reflete a norte-americana.

Claro que as gravações também tiveram os seus momentos menos positivos. A produção foi parcialmente filmada em Itália durante a Covid-19. O elenco passou por lugares deslumbrantes, mas, infelizmente, os atores não tiveram grandes oportunidades para explorarem o que os rodeava.

Mesmo assim, o núcleo central da série, ou seja, Dakota, Andrew e Johnny, arranjaram tempo para se conhecerem melhor. “Jantámos juntos muitas vezes, bebemos vinho, jogámos às cartas e aprendemos italiano. Num dia até fizemos um churrasco numa casa que o Johnny tinha em Capri. Eles são muito queridos e adorei trabalhar ao lado deles”, acrescenta.

As belas paisagens daquele país são apenas um pano de fundo que muitas vezes passa despercebido assim que Tom Ripley entra em cena. Quanto a este papel, Andrew Scott, de 47 anos, compara-o ao de Jim Moriarty na série “Sherlock”, da BBC e afirma que são muito diferentes, apesar das semelhanças que possam ter inicialmente.

“Sinto que o Moriarty era um vilão. Embora o Tom faça coisas muito más, penso nele como sendo um herói e um protagonista — e não como o antagonista da história. Estão em territórios muito diferentes”, explica ao “Huffington Post”.

O público pode discordar, mas o ator não vê Ripley como “um assassinato nato”. É, sim, alguém “que está apenas a tentar sobreviver. Ele não é sedento por sangue”, acrescenta Andrew, cujos trabalhos passados incluem papéis em fenómenos como “All Of Us Strangers”, “Fleabag” e “007 Spectre”.

“Embora ele seja um homem muito negro, é-o numa forma diferente do habitual. Ele sente-se sozinho e, ideologicamente, é muito elusivo. Estes eram detalhes que eu tinha de ter sempre em consideração.” Tal como já explicou à “GQ”, está sempre interessado em “personagens que tenham muitas nuances”.

Carregue na galeria e conheça algumas das novidades de abril.

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