No topo de um edifício em ruínas, Brad Pitt e Tom Cruise disputam uma luta corpo a corpo. À primeira vista, o duelo entre dois dos maiores nomes do cinema mundial parece estranhamente real, mas trata-se de um vídeo de 15 segundos criado com Inteligência Artificial (IA).
Desde que foi lançado esta quinta-feira, 12 de fevereiro, surgiu novamente o alerta para os perigos que estas ferramentas tecnológicas significam para a indústria, uma das maiores polémicas atuais em Hollywood. Voltam a surgir questões como infrações de direitos de autor e uso indevido de imagens preexistentes para novo material.
A última e única vez que Brad Pitt e Tom Cruise, de 62 e 63 anos, respetivamente, contracenaram juntos foi em “Entrevista com o Vampiro”, de 1994. Os dois atores estiveram juntos na estreia de “F1” em Londres, em junho do ano passado, de forma descontraída.
Vários nomes da indústria audiovisual têm dado a sua opinião sobre o tema. “Provavelmente, é o fim para nós”, lamentou Rhett Reese, um dos argumentistas de blockbusters como “Deadpool & Wolverine”, nas suas redes sociais.
Por detrás deste vídeo, está o cineasta irlandês Ruairi Robinson, nomeado ao Óscar de Melhor Curta-Metragem pelo filme “Fifty Percent Grey”, de 2001. O realizador só precisou de escrever uma instrução de duas linhas para o modelo de geração de vídeo em IA, Seedance 2.0, criar uma nova obra, revelou o próprio através da rede social X. “Se Hollywood está acabado, talvez os tipos que dizem isso também estejam acabados”, escreveu, para defender os programas de Inteligência Artificial usados na indústria.
Seguiram-se outros exemplos de conteúdos, publicados pelo mesmo realizador, com Brad Pitt a lutar com um ninja zombie ou com os dois atores, vistos a “colocar as suas diferenças de lado para lutar contra o inimigo comum”, descreveu numa das várias partilhas. Neste caso, enfrentam um robô idêntico ao BB-8 de “Star Wars”,
This was a 2 line prompt in seedance 2. If the hollywood is cooked guys are right maybe the hollywood is cooked guys are cooked too idk. pic.twitter.com/dNTyLUIwAV
— Ruairi Robinson (@RuairiRobinson) February 11, 2026
As críticas e avisos judiciais
Lançada a polémica, a associação norte-americana Motion Picture Association (MPA) exige que a ByteDance, empresa chinesa que detém o Seedance 2.0 encerre a atividade. A ferramenta apresenta-se como “o gerador de vídeo IA número um” e foi “construído para criadores que querem controlo”.
Na página inicial, é ilustrado quão fácil pode ser a utilização da ferramenta. Ao lado do exemplo “Prompt: uma princesa Disney a cantar”, surge uma boneca de animação, rodeada de passarinhos, a trautear uma canção, o que levou também a Disney a enviar uma notificação extrajudicial à mesma empresa, segundo o site “Axios”.
Quando o Seedance 2.0 foi lançado, a 7 de fevereiro, foi logo alvo de críticas pela associação que representa os profissionais da indústria do cinema, televisão e streaming dos EUA. Segundo a entidade, “num único dia”, o serviço chinês “fez uso não autorizado em grande escala de obras protegidas por direitos de autor nos EUA”.
“Ao lançar um serviço que opera sem salvaguardas significativas contra a violação de direitos de autor, a ByteDance está a desrespeitar leis firmes de direitos de autor que protegem os direitos dos criadores e sustentam milhões de empregos nos Estados Unidos”, lê-se no comunicado disponível no site do grupo. “A ByteDance deve cessar imediatamente as suas atividades ilegais”.
O Sindicato dos Atores dos EUA também mostrou a sua preocupação sobre o que considera uma “violação da lei”, relativamente ao clipe aparentemente protagonizado por Pitt e Cruise. Além de classificar o vídeo como “inaceitável”, menciona que o uso indevido das vozes e imagens “prejudica a capacidade de o talento humano” manter o sustento financeiramente.
“O Seedance 2.0 desrespeita a lei, a ética, as normas da indústria e os princípios básicos de consentimento. O desenvolvimento responsável da IA exige responsabilidade, e não é o caso”, conclui.
Carregue na galeria para ver algumas das séries que estrearam (ou vão estrear) este mês nas plataformas de streaming.

LET'S ROCK







