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Original e com um equilíbrio perfeito entre mistério e emoção. “DTF St. Louis” chegou ao fim

A minissérie da HBO Max mistura humor negro, crime e drama numa história inesperada que foge ao típico policial e tem conquistado os espectadores.

A morte estava no centro da história desde o primeiro episódio, mas o desfecho final foi muito menos convencional do que parecia. A minissérie “DTF St. Louis” chegou ao fim este domingo, 12 de abril, na HBO Max, fechando uma narrativa de sete capítulos que foi sendo lançada semanalmente a partir de 2 de março. A produção tem sido um sucesso junto do público estando, atualmente, no quarto lugar no top das produções mais vistas da plataforma em Portugal.

Thriller, humor negro e drama de meia-idade cruzam-se nesta narrativa centrada em três adultos desiludidos com a vida (Clark, Floyd e Carol), apanhados num triângulo amoroso que acaba com a morte prematura de um deles. Pelo meio, há uma investigação policial, vários flashbacks e uma série de pistas falsas que transformam a série em algo mais estranho e menos previsível do que um policial típico.

Ao longo dos episódios, a narrativa vai saltando entre o presente e o passado para mostrar como a relação entre os três se foi tornando cada vez mais complexa, marcada por traições, segredos e uma constante sensação de vazio. A aplicação que dá nome à série serve de ponto de partida para encontros extraconjugais, mas rapidamente se torna um símbolo de tudo o que falta na vida destas personagens.

Ao mesmo tempo, os detetives tentam reconstruir os últimos dias de Floyd (o amigo que faleceu), cruzando depoimentos contraditórios e revelando pequenas pistas que nunca são totalmente óbvias. Cada episódio levanta novas suspeitas: ora sobre a mulher, ora sobre o melhor amigo, ora até sobre o próprio ambiente familiar, criando uma tensão constante que prende o espectador, mesmo quando a história entra em territórios mais absurdos ou desconfortáveis.

Do elenco fazem parte Jason Bateman, David Harbour e Linda Cardellini, que interpretam Clark Forrest, Floyd Smernitch e Carol Love-Smernitch. Conta ainda com participações de Richard Jenkins e Joy Sunday como os detetives que tentam perceber o que realmente aconteceu, além de Arlan Ruf no papel de Richard, o enteado de Floyd.

O criador Steve Conrad nunca escondeu que queria fazer mais do que um simples mistério criminal. Em entrevista à “Variety”, explicou que a série é, no fundo, sobre outra coisa: “Não se pode dizer a ninguém o que realmente nos está a magoar. Só podemos fingir que algumas coisas triviais nos podem ajudar”. A publicação sublinha precisamente isso ao dizer que “‘DTF St. Louis’ não é um mistério de homicídio convencional e o último episódio também não oferece uma conclusão convencional”.

As críticas

Para a “Variety”, a série mistura “humor negro” com um subtexto muito mais triste sobre solidão, desilusão e a forma como a vida adulta pode falhar segundo as expectativas que criámos. Para Steve Conrad, essa foi sempre a ideia principal: mostrar personagens que chegam à meia-idade e percebem que a paz que esperavam nunca apareceu.

Também o “The New York Times” destaca essa dimensão mais inesperada da série. O jornal escreve que, à primeira vista, “parece mais uma história sobre um crime passional suburbano”, mas rapidamente se torna “uma relação muito mais subtil e significativamente mais interessante entre os dois protagonistas masculinos”. A publicação descreve a série como uma “complexa tragédia do homem hetero-quase”, precisamente por explorar uma intimidade masculina raramente retratada na televisão.

A crítica tem sido bastante simpática. No Rotten Tomatoes, “DTF St. Louis” soma 88 por cento de aprovação entre os críticos e 71 por cento entre o público. A receção positiva explica-se precisamente por esse equilíbrio entre mistério e emoção. Em vez de apostar apenas no suspense, a série dá tempo às personagens, aos silêncios e às contradições, criando momentos que são ao mesmo tempo desconfortáveis e muito humanos. O humor negro, muitas vezes absurdo, ajuda a aliviar a tensão, mas também reforça o lado trágico da história, tornando tudo mais imprevisível.

O resultado foi uma série difícil de catalogar, mas fácil de seguir para quem gosta de histórias sobre relações falhadas, pequenos desastres emocionais e personagens que nunca sabem bem o que fazer com a própria vida.

Agora que o último episódio já estreou, “DTF St. Louis” fica completa na HBO Max. E, para quem gosta de thrillers estranhos com humor negro e um elenco de luxo, pode ser uma das minisséries mais inesperadas do ano.

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