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“Parasyte”: a banda-desenhada que vendeu 25 milhões de cópias já é uma série da Netflix

Vai encontrar algumas semelhanças com "The Last Of Us". Aqui não há fungos, mas há parasitas que dizimam os humanos.
É um thriller muito assustador.

O realizador Yeon Sang-ho não tem problema em admitir que é um autêntico nerd. Desde miúdo que passa várias horas por semana a ler mangas, ou seja, livros de banda-desenhada do Japão. Quando mergulhava nas diferentes narrativas, pensava sempre na mesma coisa: “Como é que seria esta história se ela acontecesse no meu país?”

Esta ideia típica de um miúdo com imaginação fértil acompanhou-o ao longo da sua vida. Tudo culminou em “Parasyte: Cinza”, série que estreou esta sexta-feira, 5 de abril, na Netflix. A obra lançada pela primeira vez por Hitoshi Iwaaki em 1989 — e que desde então já conta com oito volumes e 25 milhões de cópias vendidas em todo o mundo — já não se passa no Japão, mas sim na Coreia do Sul, de onde o cineasta é natural.

A história da série de seis episódios acompanha a vida num país devastado por parasitas não identificados que se alimentam de humanos e que os tornam mais fortes e altamente mortais. Cabe a um grupo corajoso pôr fim ao massacre.

As publicações originais deram origens a muitas outras adaptações, como o anime “Parasyte: The Maxim” e dois filmes live-action realizados por Takashi Yamazaki, também responsável por “Godzilla Minus One”.

A produção da Netflix é diferente, em grande parte por não se manter fiel ao trabalho de Hitoshi Iwaaki. “Deixei que a minha imaginação fluísse e acho que isso é algo natural quando amamos uma obra intensamente — começamos a pensar em extensões e reimaginações delas”, conta Yeon Sang-ho, de 45 anos, ao site brasileiro “Omelete”.

O criativo sabe, contudo, que estes mangas são muito acarinhados pelo público e promete que ninguém vai ficar dececionado. “Comecei a minha carreira na animação e sempre li banda-desenhada japonesa. Para qualquer pessoa que também seja fã destas publicações, ‘Parasyte’ é quase como uma Bíblia. A minha série vem da mente de um fã e é uma honra poder apresentá-la a toda a gente.”

Para esta novidade da Netflix, Yeon reuniu-se com muitos atores com os quais já tinha trabalhado anteriormente, como Koo Kyo-hwan e Lee Jung-hyun. Os três colaboraram em “Peninsula”, a sequela do fenómeno “Train to Busan”.

Quando começou a pensar nesta reinterpretação, sabia que tinha de ter Koo no elenco. Como a história é muito negra, precisava de alguém que fosse bom com comédia para criar alguns momentos mais leves e tranquilos. “Ele contrasta perfeitamente com a personagem principal, que tende a ser mais sério e sombrio”, conta ao “Deadline”.

Voltar a trabalhar com Koo Kyo-hwan era algo que estava definido desde o início. Este deve ter sido um dos poucos aspetos da série que nunca mudou. Até a própria narrativa foi completamente alterada pelo realizador. No início, queria fazer um thriller mais ao estilo de “O Silêncio dos Inocentes”. “Ia ter um tom mais sério e estaria mais próximo do género de uma investigação criminal. No entanto, percebi que a manga era tão cativante porque tinha uma jornada de heróis e focava-se mais nas personagens e não tanto num mistério”, comenta.

Para esta versão do fenómeno japonês, o cineasta também decidiu ambientar a narrativa no mundo adulto e não numa escola secundária — como acontecia nos livros originais.

O facto de “Parasyte” recorrer a uma enorme quantidade de efeitos especiais nas cenas em que humanos se tornam em monstros acabou por dificultar o trabalho do realizador porque, tal como o próprio explica, “é difícil orientar atores que não sabem o que está exatamente a acontecer”. “Felizmente, consegui contornar este obstáculo graças ao som. Eu mostrava sons aos atores e eles conseguiam perceber rapidamente o que é que eu queria que eles sentissem e mostrassem”, conclui.

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