Televisão

Pauline: a discreta irmã de Timothée Chalamet é a estrela de uma série da HBO

Apesar de ainda não ter atingido o nível de reconhecimento do irmão, o seu futuro pode ser brilhante em Hollywood.
Pauline Chalamet é mais velha quase quatro anos.

Aos 26 anos, Timothée Chalamet é claramente uma das grandes estrelas de cinema da sua geração. O papel que começou por lhe dar mais protagonismo terá sido em “Chama-me Pelo Teu Nome”, mas o ator nova-iorquino já se destacou em “Dune”, “Mulherzinhas”, “Não Olhem Para Cima”, “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” ou “Beautiful Boy”. E vêm aí muitos mais papéis.

Quem também é atriz, embora seja uma figura muito mais discreta, é a sua irmã mais velha, Pauline Chalamet. Aos 30 anos, está agora a fazer o seu papel de maior destaque, na série “The Sex Lives of College Girls”, produção da HBO da autoria de Mindy Kaling. A segunda temporada estreou na quinta-feira passada, 17 de novembro, em Portugal.

Nesta história, Pauline Chalamet interpreta Kimberly Finkle. O enredo começa quando quatro jovens que não se conhecem partilham um quarto na faculdade. Ao longo de 20 episódios — dez por cada temporada — acompanhamos as suas aventuras e frustrações sexuais, os seus desafios académicos, as saudades de casa e os múltiplos dilemas cómicos. Agora, na segunda temporada, Kimberly perdeu a sua bolsa e está em dificuldades financeiras para conseguir pagar o curso, ao contrário das amigas.

Pauline Chalamet identificou-se bastante com a sua personagem — descrita como desajeitada e constrangida — até porque também não considerou que os tempos de faculdade fossem muito fáceis. “Cheguei à faculdade e muitas pessoas à minha volta estavam tão felizes de terem terminado o liceu. Eu não me sentia assim. Conheci os meus melhores amigos no liceu, e adorei o liceu. Cheguei à faculdade e percebi ‘OK, aqui tens muita ansiedade’. E estás sozinha, tens de tentar ir percebendo as coisas”, explicou a atriz ao “The Daily Beast”.

E acrescentou: “Eu entendi esta personagem. Entendi-a tão bem. Foi como se a conhecesse. Sei como ela fala, conheço os seus tempos, e o constrangimento em que vive (…) Já tínhamos visto diferenças de classe na televisão, claro. Mas ver uma rapariga na faculdade a dar-se com pessoas que têm mais dinheiro do que ela… Eu vivi isso”.

Nascidos e criados em Nova Iorque, os irmãos Chalamet são filhos de Marc Chalamet, francês que foi jornalista e trabalha com a UNICEF; e da americana Nicole Flender, professora de línguas e dança, que trabalhou no mundo da Broadway como bailarina. O tio, Rodman Flender, trabalha na indústria cinematográfica — assim como a tia Amy Lippman.

Como se percebe, os dois irmãos cresceram no ambiente artístico de Manhattan, numa elite cultural liberal, que ia regularmente aos teatros da Broadway. “Vivíamos em Times Square, basicamente, por isso os teatros pareciam todos muito acessíveis”, explicou à revista “The Face”. Não surpreende, portanto, que ambos tenham enveredado pelo meio das artes e da representação. Tal como a mãe, Pauline Chalamet começou pela dança.

Aos nove anos inscreveu-se na School of American Ballet. Um ano depois, estreou-se na Broadway, no espetáculo “A Midsummer Night’s Dream”. Ao mesmo tempo, também se deixou entusiasmar pela representação — refere o papel de Liev Schreiber na peça “Talk Radio”, que esteve em cena por volta de 2006, como uma enorme influência.

Foi por isso que decidiu candidatar-se ao liceu artístico Fiorello H. LaGuardia High School, onde estudou Drama. No ano em que terminou o liceu, 2010, Pauline ambicionava seguir uma carreira na dança. Só que nessa mesma altura sofreu um acidente de bicicleta que destruiu por completo os seus sonhos de se tornar uma bailarina profissional.

Acabou por ir estudar para o Bard College, também no estado de Nova Iorque mas longe da cidade, onde se especializou em representação — e também em ciência política. Chegou a equacionar seguir uma carreira enquanto advogada especializada em direitos humanos, durante um estágio que realizou num firma, mas esse projeto nunca seguiu em frente. Enquanto estava na faculdade, teve vários empregos para ajudar a pagar o empréstimo estudantil — trabalhou na biblioteca da universidade e fez tarefas numa quinta. Quando se licenciou, serviu às mesas e foi babysitter. Nos seus poucos tempos livres dedicava-se à escrita.

Desesperada por uma mudança de vida, Pauline resolveu mudar-se para Paris, a capital francesa, em 2016 — talvez em busca das suas raízes francófonas. Tomou a decisão sem consultar a família, o que se revelou um choque para toda a gente. Lá, aprofundou os seus estudos na área da representação e recuperou o interesse pela área. Conseguiu fechar contrato com um agente sediado em Nova Iorque e ia fazendo castings sempre que visitava a família do outro lado do Atlântico. “Era normal na casa onde cresci, apesar de ter percebido que não era tão ‘normal’ assim. Pensei que quereria fazer muitas outras coisas, e às vezes ainda quero”, disse à “The Face”, sobre o facto de ter apostado na representação.

Foi participando em diversas curtas-metragens a partir de 2016, tanto nos EUA como em França. Neste período, também escreveu e realizou algumas curtas. Em 2020, conseguiu o primeiro papel numa longa-metragem, com uma participação na comédia semi autobiográfica de Judd Apatow, “O Rei de Staten Island”. Mas é com “The Sex Lives of College Girls” que se está realmente a apresentar. Hoje, continua a viver em Paris, embora passe a maior parte do tempo entre Los Angeles (onde a série é gravada) e Nova Iorque (a sua cidade, onde vive a sua família).

Pauline Chalamet é uma leitora ávida e uma cinéfila, sendo fã assumida de cineastas como Agnès Varda, Alfred Hitchcock, Andrei Tarkovsky, François Truffaut, Wong Kar-Wai, Janicza Bravo ou Greta Gerwig, entre tantos outros. 

Em entrevista, já disse que ela e o irmão não partilham dicas de representação. Mas são próximos e já apareceram juntos em vários eventos ligados à indústria de Hollywood. Este pode também ser o início de uma carreira auspiciosa para Pauline. “The Sex Lives of College Girls” está a ser uma comédia elogiada. Em declarações à “E! News”, Pauline confirmou que o irmão Timothée já viu o projeto e que o aprovou com distinção.

“O meu irmão adora. Mas têm de falar com ele sobre isso, porque acho que viu a série com um dos nossos pais”, explicou, antes de frisar que não iria ver esta história — onde faz várias cenas íntimas — com os pais pelos constrangimentos óbvios. “Não, não vejo isto com os meus pais. Estão a brincar?”

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