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Arrasado pela crítica: “Persuasão” é “um dos piores filmes” da Netflix

Trata-se de uma adaptação do livro homónimo de Jane Austen, com Dakota Johnson no papel principal.
Dakota Johnson é Anne Elliot.

No mundo da literatura de renome, que na sua época era exclusivamente dominado por homens, Jane Austen não se tornou apenas autora de nome próprio. Explorando as fronteiras do romance britânico, a escritora conseguiu tornar-se figura influente que se destacou entre os seus contemporâneos, ainda que, inicialmente, o tenha feito de forma anónima — a figura por detrás de títulos como “Orgulho e Preconceito”, “Emma” e “Razão e Sensibilidade” apenas foi revelada após a sua morte, em 1817.

Mais de dois séculos depois, o legado de Austen permanece vivo, perpetuado por uma legião de leitores que se expande a cada nova geração. Com o interesse e fascínio que as suas obras continuam a despertar, não surpreende que sejam, constantemente, objeto de recriação. Aos ecrãs, por exemplo, já chegaram sob a forma de filmes, séries e minisséries que, mais ou menos fiéis aos textos originais, têm por base o universo criado pela inglesa, invariavelmente centrado em romances aristocratas, gente rica muito preocupada com a imagem pública, a honra e a fortuna.

A mais recente adaptação estreou a 15 de julho na Netflix. “Persuasão”, com Dakota Johnson, Cosmo Jarvis, Henry Golding e Richard E. Grant nos principais papéis, segue o livro homónimo, que foi o último trabalho concluído da autora e publicado postumamente. A narrativa, considerada uma das suas obras mais maduras e sofisticadas, acompanha Anne Elliot. Esta reencontra, oito anos depois de ter sido persuadida a não casar com um homem de origem humilde, esse mesmo homem, deixando em aberto a possibilidade de dar uma segunda oportunidade ao verdadeiro amor.

A longa-metragem, esperada com grande expetativa, porém, não parece ter conquistado a crítica, quem tem sido particularmente feroz. Dana Stevens, da “Slate”, descreveu-a mesmo como “um dos piores filmes em anos”. Acrescenta: “Não há nada de errado em atualizar os romances clássicos, mas tudo está errado com este filme”.

No Twitter, Morgan Leigh Davies, da “Bustle”, não foi mais favorável. “O embargo de ‘Persuasion’ acabou, então posso finalmente dizer que esta é a pior adaptação de Austen que já vi. Absolutamente imperdoável. É abolir a Netflix. Abolir Dakota Johnson”, comentou.

Já Clarisse Loughrey, crítica do “The Independent”, desaprovou a escolha de Johnson para interpretar Anne e referiu que “em nenhum momento durante a estreia de Carrie Cracknell na direção se tem a sensação de que alguém tenha realmente lido ‘Persuasão'”.

Enquanto isso, Wendy Ide, do “The Guardian”, deu apenas uma estrela ao filme — assim como Loughrey —, que definiu como uma “caricatura de Jane Austen” e acusou de “falhar as nuances da escrita da autora, optando, em vez disso, pelo atrevimento das comédias românticas”.

Mais generoso foi o crítico do “The Telegraph”, que atribui duas estrelas à produção. Tim Robey escreveu que a adaptação de Cracknell  “vem com quase um total desrespeito pelo seu suposto material de origem”.

Num artigo do “The Daily Mail”, Brian Viner apelidou o filme como “uma tortura”, “verdadeiramente horrível”. Disse também que a decisão de colocar Anne a olhar para a câmara repetidamente, de modo a quebrar a chamada quarta parede, mostra um “mal-entendido intencional do livro”.

O quebrar desta barreira, foi, inclusive, um dos aspetos mais criticados da obra, assim como o seu tom. Nas redes sociais, logo depois da divulgação do trailer, muitos fãs se mostraram desagradados por o novo filme trazer uma interpretação diferente da história, afetando a personalidade da protagonista e, consequentemente, a complexidade e identidade da obra original, nota o “Observatório do Cinema”.

Cathal Gunning, do “Screen Rant” foi de encontro a esta ideia. “Anne é uma mulher que tem estado a remoer o seu amor perdido por cerca de uma década, por isso a imagem do seu olhar presunçoso para a câmara e do ataque sarcástico às decisões da sua vida não é um ajuste estético próximo do que é frequentemente descrito como o trabalho mais maduro de Austen”, concluiu.

Carregue na galeria para conhecer outras propostas (da Netflix e não só) para o mês de julho.

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