Televisão

Porque é que “The Mandalorian” é uma ótima série para os verdadeiros fãs de “Star Wars”?

A saga banalizou-se com a última trilogia, mas esta produção é um indício de que ainda podem vir coisas boas de uma galáxia distante.
A primeira temporada tem oito episódios.

Foi já há 43 anos que a música composta por John Williams começou a tocar enquanto umas grandes e amarelas letras subiam pelo ecrã acima — e pela galáxia fora — dando início à história épica de “Star Wars”. Em Portugal, a saga ficou conhecida pelo título em português, “Guerra das Estrelas”, entretanto caído em desuso. 

Em seis anos, entre 1977 e 1983, George Lucas criou as histórias da trilogia original, que com o passar do tempo conquistou um estatuto de cada vez maior culto. As personagens carismáticas e diversas, os efeitos especiais e a narrativa envolvente foram características que a tornaram numa das sagas de cinema mais populares de sempre.

Embora com alguns projetos pelo meio — como dois telefilmes nos anos 80 sobre os Ewoks — “Star Wars” esteve adormecida até ao final dos anos 90. Foi em 1999 que George Lucas começou a segunda trilogia, a das prequelas, composta pelos episódios “A Ameaça Fantasma”, “O Ataque dos Clones” (2002) e “A Vingança dos Sith” (2005).

Apesar de não terem sido aclamados pela crítica, os filmes voltaram a alimentar a comunidade de fãs e serviram para atrair novas gerações. O merchandise já era uma das grandes mais-valias da saga, as histórias já tinham chegado a múltiplas coleções de livros. Sete anos depois do último capítulo da segunda trilogia, aconteceu algo inesperado. A Disney adquiriu a Lucasfilm pelo equivalente a vários milhares de milhões de euros. Foi um dos negócios da década na indústria do entretenimento.

Daí nasceu a mais recente trilogia da saga, com os episódios “O Despertar da Força” (2015), “Os Últimos Jedi” (2017) e “A Ascensão de Skywalker” (2019), realizados por J. J. Abrams e Rian Johnson. Pelo meio houve ainda as histórias individuais “Rogue One: Uma História de Star Wars” (2016) e “Han Solo: Uma História de Star Wars” (2018). E tudo aponta para que nos próximos anos haja mais filmes.

A Disney aumentou também as séries de animação dentro do universo de “Star Wars”, ao ressuscitar “The Clone Wars” e ao estrear “Rebels” e “Resistance”. Uma nova fase chegou mais recentemente com o crescimento do streaming e o lançamento da plataforma Disney+. Estreou nos EUA em novembro de 2019, e foi lançada em Portugal há menos de duas semanas, a 15 de setembro.

De forma a alimentar mais uma das suas principais marcas — que é aquilo que “Star Wars” se tornou — a Disney apostou nas séries, um mercado que nos últimos anos também tem crescido bastante face ao cinema. A primeira é “The Mandalorian”, mas vêm aí mais: estão previstos projetos centrados em Obi-Wan Kenobi e Cassian Andor.

Por mais que um aumento de filmes e séries (entre outros conteúdos) possa ser uma boa notícia para os fãs de “Star Wars” — fenómeno para o qual contribuiu uma era em que o entretenimento é consumido a velocidades galopantes e em que a concorrência é alta — a verdade é que a ideia de um novo filme da saga banalizou-se completamente.

Se durante décadas foi um grande acontecimento, as ambições comerciais da Disney tornaram a estreia de uma história de “Star Wars” como algo banal — o que faz com que cada filme ou série tenha menos valor e fez com que muitos fãs originais perdessem até algum interesse nas imensas novidades da saga.

Esta contextualização rápida da história de “Star Wars” leva-nos até “The Mandalorian”. Apesar de ser mais um produto no já longo catálogo de “Star Wars” na era da Disney — que parece ainda mal ter começado — a verdade é que pode ser a série que poderá reconciliar muitos fãs antigos que tenham perdido algum interesse depois da última trilogia (que não foi propriamente elogiada nem pela crítica nem por muitos fãs devotos).

“The Mandalorian” apresenta-se como uma série despretensiosa e pouco ambiciosa — e poderia ser isso mesmo de que a saga precisava. A narrativa centra-se num caçador de recompensas, um guerreiro Mandalorian que ganha dinheiro em troca de capturar fugitivos pelo universo fora.

A sua vida muda, contudo, quando descobre que o seu novo alvo é uma criança — aquela que na Internet ficou mundialmente conhecida como Baby Yoda, por ser da mesma espécie que o icónico mestre jedi.

O Mandalorian protagonista escolhe proteger a criança, em vez de a entregar, e assim começa a sua jornada pelos planetas remotos da galáxia. É por lá que vai enfrentar perigos e conhecer amigos, descobrir comunidades e como o contexto social e político daquela época de “Star Wars” — entre a derrota do Império e a ascensão da Primeira Ordem — está a afetar o seu dia a dia.

Não é uma série brilhante, mas é uma boa série de aventura, com grandes cenas de ação. Apesar de os diálogos escritos por Jon Favreau ficarem aquém das expetativas, e parecerem até preguiçosos nalguns momentos, “The Mandalorian” tem aquilo que muitos fãs sempre adoraram em “Star Wars”.

Em todos os episódios há novas criaturas fantásticas em mundos exóticos por descobrir, com paisagens deslumbrantes repletas de personagens diferentes, que acabam por retratar emoções e problemas humanos. Existe uma biodiversidade impressionante e também são este tipo de universos complexos de fantasia — tal como em “O Senhor dos Anéis” ou “Harry Potter” — que conquistam muitos fãs.

Ainda que tudo seja apresentado num guião quase de videojogo — com excertos de diálogo intercalados com grandes cenas de ação — no geral é uma produção competente e bem conseguida, que cumpre o seu propósito: entreter. 

Depois de brilhar em “Narcos” e em “A Guerra dos Tronos”, Pedro Pascal é o ator que interpreta o protagonista. É um papel especialmente desafiante porque o guerreiro Mandalorian nunca tira o capacete em frente das câmaras nem de outras personagens — pelo menos nos quatro episódios que já se encontram disponíveis na Disney+ em Portugal. Ou seja, Pascal tem de tentar ser expressivo com um capacete a cobrir-lhe o rosto, embora a sua personagem seja bastante séria e sisuda.

Apesar de conter momentos de humor — sobretudo na relação entre humanos e andróides, como é característico em “Star Wars” — existe um lado sombrio e mais obscuro em “The Mandalorian” que é algo que já faltava à saga há muito tempo. 

A primeira temporada de “The Mandalorian” tem oito episódios e todas as semanas chega um novo à Disney+ em Portugal. A segunda temporada também já tem data de estreia: vai poder vê-la a partir de 30 de outubro.

Carregue na galeria para conhecer outras das principais novidades da televisão (e do streaming) para este mês de setembro.

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