Televisão

“Pra Cima de Puta”: um título “provocatório porque o assunto é muito sério”

O livro já dá discussão e ainda não está fechado. A NiT falou com o editor da obra de Cristina Ferreira.
Cristina Ferreira tem novo livro.

O título caiu como uma pequena bomba no mercado dos livros nacional: “Pra Cima de Puta”. A autora? Nada mais do que Cristina Ferreira. Como em tantas coisas envolvendo o universo de Cristina Ferreira, o burburinho já era grande ainda antes da estreia. Até ao momento, o livro continua fechado. Tem estado em pré-venda online mas todas as revelações só começam a ser desvendadas esta sexta-feira, 20 de novembro.

É certo que não é o primeiro livro português com uma palavrão bem escancarado no título. Mas quando o assunto é Cristina, a possível polémica ganha naturalmente logo outra dimensão.

A apresentadora, orgulhosa natural da Malveira, há muito que é o que mais próximo que podemos ver de um fenómeno nacional com o estatuto de Oprah Winfrey. Começou por estudar Ciências da Comunicação mas foi como apresentadora que se destacou.

Tornou-se tosto conhecido ainda ao lado de Manuel Luís Goucha e nunca mais parou, criando pelo meio a sua própria revista, “Cristina”. Em agosto de 2018, a notícia da sua mudança para a SIC foi recebida com estrondo no meio televisivo português. A sua passagem para a SIC contribuiu para mudar o panorama da histórica guerra de audiências entre os dois ganhais privados. Quase dois anos depois, novo estrondo em sentido inverso: Cristina ia voltar à TVI.

É lá que a vemos hoje em dia, não apenas no ecrã, em que até tem o seu próprio “Dia de Cristina”, mas também como acionista e diretora de entretenimento. A mudança ainda recente continua a gerar discussão e notícias sobre o processo que envolve a estação de Paço de Arcos e a apresentadora.

Cristina Ferreira tem falado do tema na antena da TVI mas também online, já habituada aos comentários em abundância nas redes sociais. Com mais de 1,8 milhões de seguidores no Facebook, e outros 1,4 milhões no Instagram, Cristina está habituada a ser tema de conversa e alvo de comentários, alguns elogiosos, outros mais insultuosos. Foi neste entretanto que foi surgindo este “Pra Cima de Puta”, o segundo da apresentadora, que está agora prestes a chegar aos escaparates. O título tanto lhe tem valido comentários a realçar a sua “coragem” como comentários de quem ficou em choque o palavrão.

Por estes dias, no Instagram, Cristina Ferreira apresentava aos seus seguidores “o Rui”. “É o meu editor da Contraponto. O único que me convenceu a escrever o primeiro livro, o ‘Sentir’. Desde esse dia que não mais nos largámos. Somos iguais. Nas ideias e nos ideais”, escreveu.

Rui é Rui Couceiro, antigo jornalista, editor no grupo Bertrand onde está integrada a Contraponto. A NiT chegou à fala com o editor, que nos falou um pouco sobre a opção por este título. “É um título provocatório e é provocatório porque o assunto é sério, muito sério”.

Rui Couceiro não revela o tema central do livro. “A própria Cristina Ferreira há de ser a primeira pessoa a falar. O que posso dizer, como editor, é que é muitíssimo pertinente, que vai chocar muita gente e pôr muita gente a pensar”. Até ao momento, a única sinopse diz apenas “não julgue um livro pela capa”.

O título foi uma ideia da própria apresentadora que foi recebida sem hesitação pelo editor. “Sabendo eu já o tema que ela pretendia abordar, a minha intuição disse-me de imediato que fazia todo o sentido”.

De resto, conta, o palavrão no título, que tem gerado muita discussão nas redes sociais, não foi algo que o preocupasse. “Sendo eu também editor de Miguel Esteves Cardoso, e tendo acabado de reeditar livros como ‘O Amor é Fodido’ ou ‘Como é Linda a Puta da Vida’, o título que me foi proposto pela Cristina Ferreira não me preocupou minimamente”, conta.

Mesmo mantendo-se a capa de mistério em torno do livro, “milhares de pessoas já o compraram em pré-venda, mesmo sem saberem de que trata”. O sucesso é tal que ainda antes de a primeira edição chegar às mãos de leitores já está a ser preparada a segunda edição. Para Rui Couceiro, isto “apenas demonstra aquilo que toda a gente sabe: que a Cristina Ferreira, pelo sua subida a pulso e pela sua autenticidade, é uma figura muitíssimo querida para os portugueses”. E os leitores podem ter uma certeza, é Cristina que ali está, mesmo longe do ecrã.

“Como se percebeu em 2016, com a publicação do ‘Sentir’, a Cristina Ferreira não comunica bem apenas em televisão, ela é uma comunicadora nata e também escreve muitíssimo bem”, argumenta. “Ao contrário de outras figuras públicas, não precisa de escritores fantasmas para nada, cria belas metáforas e sabe estruturar um texto como poucos. E os leitores percebem isso”.

“Agora”, acrescenta ainda, “não será diferente”.

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