Televisão

“Princípio, Meio e Fim” terminou com um momento épico de “Titanic”

O quarto episódio do programa de Bruno Nogueira foi para o ar este domingo na SIC. E ninguém estava preparado para aquilo.
Faltam dois episódios para o final do programa.

Foi para o ar mais tarde do que o habitual e, coincidência ou não, foi um dos episódios mais nonsense de “Princípio, Meio e Fim”, o programa de Bruno Nogueira na SIC. Aquilo a que assistimos este domingo, 2 de maio, foi a uma epopeia marítima de contornos alucinantes, num desafio à imaginação do espectador.

Foi Salvador Martinha quem teve a ideia logo no “princípio” do episódio. E se, desta vez, o jantar entre aqueles cinco peculiares amigos fosse passado num navio em alto mar, numa noite de tempestade? Ou seja, durante todo o episódio haveria o som das ondas violentas do mar e madeira a ranger (sendo que, claro, não seria apenas uma premissa de envolvência, mas também iria influenciar a própria narrativa).

Filipe Melo, Nuno Markl e Bruno Nogueira aceitaram a proposta e começaram a desenvolver a partir daí — já enquanto um halterofilista levantava uma barra sem quaisquer pesos e, mais tarde, João Manzarra invadia o estúdio com um burro (a dar coices no ar e tudo), em mais uma tentativa (bem-sucedida) da produção para desconcentrar os guionistas.

Com este ponto de partida, já se antecipava um episódio bastante bizarro e pouco realista — e as coisas só descambaram mais quando se introduziu uma aplicação de pombos que levam temas de conversa para jantares de amigos (e ainda esteve para entrar, assim de repente, a temática “discografia de Adelaide Ferreira”).

Os protagonistas Paulo, Luís Henrique, Francisca, Maria João e Stone cambalearam muito, chocaram uns contra os outros e até chegaram a vomitar em uníssono. Pelo meio, apareceu um “lobo do mar” interpretado por Miguel Guilherme.

A sua intenção parecia ser declamar um poema de Sophia de Mello Breyner, mas antes disso beijou de forma vigorosa Francisca e Stone, que estavam no sofá mais próximo. Terminou a sua presença ao atirar-se para o “mar”, bem encenado pela produção, que dava para ver da parede envidraçada da casa de Paulo (ele que também fez várias “coisas de mar” valentes).

Depois do tal pombo que lhes trouxe um tema de conversa relacionado com “relógios de pulso” — e já era o segundo, porque o primeiro foi abatido por Paulo — esta história culminou com a cena final de Jack e Rose em “Titanic”.

Stone, em baixo, e Maria João, por cima da tábua de madeira, estavam encostados a recriar o diálogo dessa cena icónica do filme com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Foi um momento particularmente épico e melancólico — só perturbado pela ideia de Salvador Martinha de que as palavras tinham de ser ditas sem os “l”.

Mesmo que não tenha sido o episódio mais bem construído e envolvente de “Princípio, Meio e Fim”, foi excentricamente divertido, e é difícil imaginar um programa nos principais canais da televisão portuguesa que tenha um terço da liberdade criativa deste formato. Acima de tudo, esperamos que possa ser uma porta para outros programas mais arriscados e menos convencionais — mesmo que não sejam tão nonsense como um épico marítimo passado numa casa na floresta.

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