Televisão

Protagonista de “O Último Airbender” acusado de mentir para entrar na série live-action

O remake do fenómeno da Nickelodeon estreia na Netflix esta quinta-feira, 22 de fevereiro.
A série está envolta em polémicas.

“Avatar: O Último Airbender” foi, durante muito tempo, uma das séries live-action mais aguardadas da Netflix. Inspirada no fenómeno da Nickelodeon que acompanhou toda uma geração, está a ser alvo de críticas ferozes — nomeadamente quanto às alterações na história e aos efeitos especiais. “Promete ser um falhanço”, escreveu um fã da obra original no X (antigo Twitter). Estreia esta quinta-feira, 22 de fevereiro.

A primeira controvérsia surgiu em janeiro de 2022, pouco depois da revelação dos protagonistas. Um dos nomes que constava no anúncio era o de Ian Ousley, que a plataforma de streaming garantiu ser um nativo-americano (algo que na narrativa é um fator importante) pertencente à tribo Cherokee que, com cerca de 300 mil membros, é a maior dos Estados Unidos da América.

“Aqui vamos ter personagens asiáticas e indígenas, mas enquanto pessoas reais”, disse Albert Kim, o showrunner do live-action inspirado na produção animada transmitida no Nickelodeon entre 2005 e 2008.

A afirmação gerou dúvidas entre os fãs e muitos alegavam mesmo que Ian, de 21 anos, é caucasiano. A conta 7genvoices na rede social X levou a suspeita mais além, e começou mesmo a investigar o background do jovem.

O responsável pela página entrou em contacto com as únicas três tribos Cherokee reconhecidas pelo governo dos EUA — a Eastern Band of Cherokee Indians, a United Keetoowah Band of Cherokee Indians e a Cherokee Nation — e todos disseram que Ousley não tinha qualquer ligação com os outros membros. “Ele não está registado como um dos nossos cidadãos”, disse Derrick Vann, que trata de todos os registos, ao “Daily Dot”.

Após um pouco mais de pesquisa, concluíram que a afirmação de Ian não era 100 por cento falsa. Pertencia, sim, à Nação Cherokee do Kentucky. Esta nova informação, contudo, apenas enfureceu mais os fãs.

“Há mais de 200 anos que os historiadores americanos garantem que a tribo Cherokee nunca viveu no Kentucky. Isso é um mito. Aquele grupo de pessoas não tem qualquer descendência nativa”, acrescentaou Derrick Vann.

A Netflix e o ator nunca falaram publicamente sobre a polémica. No entanto, uma amiga de Ousley pronunciou-se, naquela altura, nas redes sociais: “Ele não é branco. Não acreditem em tudo o que leem na Internet”, garantiu Christabelle Marbun. O norte-americano não tardou a colocar um gosto no tweet.

Ainda assim, os fãs continuam a manifestar-se contra a gigante do entretenimento. “‘O Último Airbender’ é uma história baseada nas culturas asiáticas e indígenas que aborda tópicos como a descriminação e o racismo. Ter um ator no elenco que mente sobre ser uma pessoa de cor pode ter um efeito muito negativo em toda a produção”, desabafou uma utilizadora no TikTok.

Como forma de revolta, foi criada uma petição no site Change.org que pede à Netflix para “verificar os factos” e despedir Ousley. Conta, atualmente, com mais de 1.100 assinaturas. Os esforços foram em vão, visto que os primeiros episódios estão prestes a chegar à plataforma.

O enredo da série acontece num mundo dividido por quatro nações: as Tribos da Água, o Reino da Terra, a Nação do Fogo e os Nómadas do Ar. Nesta realidade existem os Benders, pessoas que têm a capacidade de manipular e controlar o elemento correspondente à sua nação, utilizando gestos baseados nas artes marciais chinesas. O Avatar é o único indivíduo com a capacidade de controlar todos os quatro elementos.

A história acompanha Aang, um jovem de 12 anos, enquanto aprende a dominar os quatro elementos para restaurar o equilíbrio de um mundo ameaçado pela Nação do Fogo. É ele que irá tentar travar os conflitos e instaurar novamente a paz.  

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em fevereiro às plataformas de streaming e à televisão.  

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