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Quem foi Halston, o designer das estrelas que inspira a nova grande série da Netflix

A ascensão e a queda de Roy Halston dá origem a uma série de cinco partes. Ewan McGregor é o homem que irá intepretar o designer.
Halston estava sempre bem rodeado

Quando meio mundo não tirava os olhos do jovem novo presidente norte-americano, John F. Kennedy, a outra metade admirava a ousadia da esposa, Jackie Kennedy. No dia da tomada de posse como presidente, foi a mulher quem deu nas vistas pelo seu famoso chapéu. Todas as mulheres queriam um igual.

Esse foi o primeiro passo que levou Roy Halston Frowick a um carrossel louco pelo mundo da alta moda, das celebridades e da fama. O famoso chapéu usado em 1961 entrou diretamente para a herança do estilo deixada pelo homem que vai ser retratado na nova série da Netflix.

Conhecido simplesmente por Halston, foram muitos os que quiseram contar a sua ascensão meteórica. A mais conhecida foi a produção documental de Steven Gaines, “Simply Halston”, na qual se inspira a nova produção dirigida por Ryan Murphy, produtor de séries como “Glee” ou “American Horror Story”.

Dividida em cinco partes, “Halston”, que estreia na sexta-feira, 14 de maio, conta com Ewan McGregor no papel do estilista norte-americano — o anfitrião por excelência da Nova Iorque dos anos 70 e 80. No leme estará Joel Schumacher, que comanda um elenco com outros nomes como Bill Pullman, Vera Farmiga e Rory Culkin.

A série não chega sem trazer consigo um pouco de polémica. Esta segunda-feira, na antecipação da estreia, os herdeiros de Halston lançaram críticas à produção da Netflix, apelidando-a de ser “um registo impreciso e ficcional”.

Conhecido por ser um homem de luxos e de excessos, sempre rodeado de celebridades, Halston era também homossexual. E foi protagonista de uma história tão excitante na sua ascensão como na sua queda.

Do Iowa ao luxo do Studio 54

Ao início, era apenas Roy Frowick, nascido numa modesta família de descendência norueguesa que vivia no estado do Iowa. Apaixonou-se pela costura ao lado da avô e começou ainda criança a fazer as primeiras criações, sobretudo chapéus. Nunca se desviou da arte.

Começou por baixo, depois de tirar o curso de arte em Chicago, trabalhou como designer de montras antes de lançar o seu primeiro negócio: uma marca de chapéus. Tornaram-se instantaneamente populares e valeram-lhe os primeiros encontros com algumas estrelas de Hollywood.

Depois de abrir a primeira loja, ainda em Chicago, mudou-se para a cidade onde tinha que estar se queria ser alguém: Nova Iorque. Foi essa mudança que o levou ao caminho de Jacqueline Kennedy, que ousou usar um chapéu pillbox, normalmente usado apenas no verão. No meio do frio da tomada de posse, Jackie destoou — e brilhou. Tudo graças a Halston.

Para tornar o episódio ainda mais inusitado, o chapéu usado por Jackie tinha uma particularidade que não tinha sido desenhada por Halston: uma pequena amolgadela acidentar que tornou tudo ainda mais único. “Toda a gente que quis copiar o look acrescentou a amolgadela”, notou Halston à época.

O famoso chapéu de Jackie Kennedy

O sucesso levou-o a expandir horizontes. Começou também a desenhar roupa para mulher, sempre com linhas minimalistas, assentes em silhuetas apertadas e tecidos como seda. Eram as peças favoritas de atores, músicos, artistas, todos os que se faziam rodear de luxos — e de Halston.

O designer ficou conhecido pelas roupas e também pelo facto de estar sempre rodeado de estrelas. Liza Minelli não o largava. À sua mesa era ocasional encontrar Greta Garbo, Elizabeth Taylor, Truman Capote ou Mick Jagger. Era anfitrião das festas mais loucas da cidade, recheadas de jóias, ouro, boa comida, muita bebida, droga e sexo.

Halston é, aliás, descrito como o primeiro grande designer a tirar partido do poder dos influencers — que à altura eram simplesmente as caras mais reconhecidas da sociedade artística. Ao rodear-se deles, garantia que o seu nome estaria sempre na ribalta.

“Era fascinante a forma como ele cortejava aquelas pessoas”, revela o realizador Daniel Minahan, que sublinha a importante ligação com Andy Warhol. “Eles entreajudavam-se.”

A queda

Em 1973, assinava um acordo com a Norton Simon, um investidor que garantia fundos para qualquer abordagem, garantindo a liberdade criativa de Halston. O designer ambicionava também levar as suas criações a todo o lado e, numa tentativa de democratizar as peças da alta moda que vendia aos famosos, viria a assinar, dez anos mais tarde, um contrato com os armazéns JCPenny.

O acordo contemplava a criação de uma linha mais acessível que ficaria à venda nos armazéns. Uma jogada que poderia dar-lhe acesso a um mercado gigantesco, mas que irritou os seus clientes (e amigos) mais próximos, ao vulgarizar o nome Halston.

A estratégia foi um fracasso. Não só ostracizou os clientes habituais como os americanos comuns ignoraram as suas peças a preços acessíveis. Um ano depois, os contratos eram cancelados.

Depois do desastre, tudo começou a correr mal. A empresa, detida pela Norton, foi comprada por outra empresa. À medida que as aquisições se sucediam, Halston perdia poder. Em 1984 foi mesmo impedido de desenhar novas peças para a companhia que carregava o seu nome.

Ao mesmo tempo que lutava pelo controlo, tentava encontrar uma forma de recomprar a empresa. Nunca o conseguiu e acabou por se afastar.

Foram anos difíceis para Halston, não só a nível profissional mas a nível pessoal. Homossexual, mantinha uma relação de vários anos com o artista Victor Hugo. No auge da epidemia de SIDA, Halston contraiu HIV. Acabaria por morrer aos 57 anos, vítima de um sarcoma de Kaposi, sequela habitual nos pacientes com SIDA.

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