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“Quem Quer Namorar com o Agricultor?”: a história assustadora da morte de José

Elisabete Cardoso estava na quinta com Nélia, outra pretendente, quando tudo aconteceu.
José Coutinho morreu depois das gravações

O regresso de “Quem Que Namorar com o Agricultor” à SIC, no dia 11 de setembro, trouxe uma homenagem imprevista. Logo após o final das gravações, José Coutinho, um dos concorrentes, morreu vítima de um ataque cardíaco. Tinha 67 anos.

A apresentação do participante no reality show incluiu uma homenagem que se tem prolongado ao longo dos episódios e que vai mostrando como decorreram as suas últimas semanas de vida. No programa e após as filmagens, José Coutinho fez-se acompanhar das duas novas amigas, Elisabete e Nélia, duas das pretendentes. Estavam ao seu lado, no momento da morte.

O relato é dado por Elisabete Cardoso, a concorrente de 53 anos que contou a sua história esta terça-feira, 20 de setembro, no programa de Júlia Pinheiro, na SIC. A lisboeta, que foi inscrita por uma amiga, ficou “muito contente” quando José Coutinho a escolheu para a sua quinta.

“Quando entrei [no programa] e vi o José, fiquei contente. Tinha um ar simpático”, conta sobre o agricultor por quem se afeiçoou. “Naquela altura não percebi que ele estava interessado em mim. Depois de entrar na quinta, percebi que ele tinha alguma simpatia por mim. Não podia dizer um ‘ai’ que ele estava lá.”

A concorrente recorda-o como “um cavalheiro, respeitador, amigo do amigo”. Entre José e as duas concorrentes, Elisabete e Nélia, cresceu uma forte amizade. “Entre mim e ela também ficou uma grande amizade, ela é como uma irmã, uma amiga, confidente. E ele era fantástico comigo.”

A química era notória durante as gravações. Ninguém se apaixonou ou namorou, mas ficou cimentada uma amizade entre os três que se prolongou para lá do programa.

“Até ficámos mais amigos depois de acabar. Comecei a visitar o José com a Nélia. Ele até ficava zangado se ia ao norte e não o visitava”, recorda. “Ficou uma ligação muito forte entre os três. Ele até dizia ‘unidos para sempre’. Falávamos todos os dias, ligava-me de manhã e ao fim do dia.”

José Coutinho nunca revelou, nem mesmo durante o programa, que sofria de problemas cardíacos. Elisabete e Nélia perceberam, por acaso, que o concorrente dependia da medicação. “Um dia, durante um pequeno-almoço nas gravações, olhámos para uma cestinha e vimos os medicamentos. A Nélia, que é enfermeira, percebeu que tinha graves problemas de coração.”

As duas concorrentes passaram a estar mais atentas, a tomar conta dele e a avisá-lo para não se esquecer da medicação. “Quando saí, fiquei preocupada com ele. À noite ligava-lhe e perguntava se já tinha jantado. Enquanto estava lá, conseguia controlar as coisas, as refeições, o descanso.”

Emocionada, recordou também o dia da morte. “É muito triste, porque no dia anterior, tínhamos estados os dois na festa da minha rádio e à noite fui apresentar um evento a uma danceteria. Ele acompanhou-me. Estava muito bem-disposto”, conta. “Mas no domingo, estava muito queixoso. Eu e a Nélia percebemos, porque não era normal dele. Ele só dizia que estava cansado, mas tremia muito. Percebi que estava a tentar controlar-se, estava em esforço.”

Nélia e Elisabete estavam na quinta de José quando tudo aconteceu. “Ouvi um ‘ai’ aflitivo. Eram dez e pouco da manhã. Levantei-me a correr, chamei a Nélia e vi que ele estava deitado no chão com uma respiração ofegante”, conta. “A enfermeira fez os primeiros socorros. O INEM foi chamado, mas só chegou ao fim de mais de meia hora.

“Saí logo do quarto porque percebi o que ia acontecer. O INEM chegou 35 minutos depois, demasiado tempo para uma situação daquelas. Não havia nada a fazer. Tínhamos perdido o nosso Zequinha.”

Sobre os seus últimos meses, explica que “foram felizes”. “Foram passados ao nosso lado. Ele estava sempre a sorrir, com aquele sorriso contagiante. O que ele mais queria era ver o programa.”

Ver o programa, depois de toda esta experiência, “é um vazio”, confessa. “A nossa quinta tinha muito para dar, havia amor, cumplicidade, brincadeira. Havia tudo. O que passa ao domingo é só um bocadinho daquilo que nos vivemos na quinta.”

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