Televisão

A nova série da HBO Max é uma espécie de “Succession” mexicana

No centro de "Sierra Madre: Prohibido Pasar" está a família Parra, uma das mais poderosas na cidade mais rica do México.
Vai ser um sucesso.

Monterrey é o centro da indústria e motor económico do México. Uma força que se reflete na riqueza dos seus habitantes, num dos distritos mais ricos da América Latina. É neste ecossistema tentador e perigoso que vive “Sierra Madre: Prohibido Pasar”, a nova série da HBO Max, que estreia esta segunda-feira, 22 de abril. 

O drama parte destas linhas mestras reais para contar a história da família Parra, a mais rica da região, sob a assinatura de Gabriel Nuncio, criador da produção que se deixou fascinar pela complicada relação entre ricos e pobres e pelo cenário idílico da paisagem mexicana. 

No projeto, o cineasta quis “retratar uma comunidade que vive numa situação delicada e cheia de contrastes”, contou à revista espanhola “Players of Life”. Os filhos do clã Parra lutam para continuar com o negócio próspero do pai e, acima de tudo, manter as aparências — não fossem eles capa de revista todos os dias. Enquanto vivem no luxo, para lá dos muros das mansões, o povo é vítima colateral de uma guerra sem tréguas contra o crime organizado.

A produção mexicana conta, naturalmente, com atores locais, entre eles Paloma Serna, altamente elogiada por Nuncio. “Tenho um carinho especial pela personagem dela. O melhor de tudo é que a atriz é mesmo de Monterrey e trouxe alguns conhecimentos extra à mulher que interpretou”, confessa.

O criador sabia que os telespectadores dificilmente criariam ligações fortes com as personagens. Gabriel preferiu não fazer juízos de valor enquanto trabalhava no argumento. “Acho que um exercício importante quando escrevemos ficção é não julgar os intervenientes da história e, de alguma forma, criarmos oportunidades para que nos apaixonemos por eles. Mesmo assim, há alguns que odeio”, eplica o ator, escritor e também guionista de 45 anos.

Apesar de ser o grande protagonista de “Sierra Madre”, Marcos Parra é o homem que o cineasta mais odeia. Percebe, contudo, o seu valor para a obra: afinal, é complexo e desperta muitas emoções, estas sejam boas ou más. “Ele vive numa classe de elite e só pensa em si mesmo”, explica ao “La Lista” Miguel Rodarte, o ator de 52 anos que o interpreta.

Quem também tem um papel fundamental é Tessa Ía, de 29 anos, que encarna a filha do patriarca, que fica tentada a seguir as suas pisadas na política. “Ela não é uma figura modelo. É difícil identificarmo-nos com ela. É muito privilegiada e vive numa bolha, mas tem uma história muito interessante”, explica a própria.

Esta é uma história local mas que podia muito bem refletir os ecos da economia global, à medida que a desigualdade económica se acentua: os mais ricos tornam-se ainda mais ricos; e os mais pobres cada vez mais pobres. Mas em “Sierra Madre”, é no um por cento de Monterrey que todas as atenções estão centradas. 

A região não é só cenário. É, dizem os protagonistas, quase uma personagem que desempenha um papel muito importante no desenrolar da narrativa. “Influencia o desenvolvimento da trama e da família Parra”, explica Tessa. Filmar no local trouxe “outro charme” à série, mas também provou ser um enorme desafio. “Um dos maiores obstáculos foi o controlo das ruas, porque de repente estávamos a gravar num local público e não conseguíamos impedir que algumas pessoas passassem à frente das câmaras”, brinca.

Com o passar do tempo, descobriram os melhores horários e, pondo tudo na balança, percebem que o esforço valeu a pena. “Filmar na própria vila trouxe um valor agregado à produção”, diz Gabriel, que no passado já trabalhou em “A Casa das Flores”, “Cumbres”, “El Comediante” e “El Norte Sobre el Vacío”.

O elenco de “Sierra Madre”, o seu novo projeto, também conta com participações de Mayra Hermosillo, Lumi Cavazos, Hernán Mendoza, Roberto Cázares, Arturo Barba, Julieta Egurrola, entre outros.

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