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Rui Melo revela a maior surpresa da nova temporada de “Pôr do Sol”

A NiT entrevistou um dos criadores da série, que também é um dos atores principais. Conheça aquilo que já se sabe sobre o regresso.
Rui Melo é Simão Bourbon de Linhaça.

“Pôr do Sol”, um dos grandes fenómenos televisivos de 2021 em Portugal, está de volta a partir desta segunda-feira, 8 de agosto. A segunda temporada estreia na RTP1, às 21 horas, e será mais longa. No total, vai contar com 20 episódios.

O regresso à trama promete. Como ficou explícito no final da primeira temporada, o vilão Simão Bourbon de Linhaça não pereceu. Assim, o grande antagonista do enredo poderá voltar mais vingativo do que nunca. O tio de Matilde (e Filipa) foi uma das personagens favoritas dos fãs durante a primeira temporada. Numa votação realizada pela NiT, foi mesmo eleito como a melhor personagem, com mais de 1.160 votos. 

Rui Melo, o ator que o interpreta, é também um dos criadores de “Pôr do Sol”, ao lado do argumentista Henrique Dias e do realizador Manuel Pureza. Este arranque da segunda parte da história é o pretexto certo para a NiT falar com Rui Melo e antecipar o regresso à herdade do “Pôr do Sol”.

Presumimos que o Simão Bourbon de Linhaça seja uma peça tão fundamental na segunda temporada quanto na primeira. O que é que pode dizer sobre a sua personagem nesta continuação da história?
O Simão, depois de no final da primeira temporada escapar milagrosamente à morte, acorda na morgue — é a última cena da primeira temporada. A narrativa recomeça um ano depois e vamos encontrar o Simão no mosteiro dos monges de chop suey em Espanha, a tentar encontrar-se com o bem, a tentar fugir de uma energia sombria que ele tem e a procurar a sua redenção enquanto ser humano. Ele tem um guia espiritual que é o Pêpê Rapazote, que faz aquilo brilhantemente. E depois há um episódio concreto que deita tudo a perder. Ele volta para se vingar, mais cruel do que nunca [risos]. “Agora é que me vou vingar a sério, vou matar toda a gente”.

Em termos gerais, o que pode contar sobre o enredo da segunda temporada?
A grande surpresa é que há uma terceira gémea [risos], que vai baralhar aquelas coisas todas. E há um drama novo na herdade: a colheita das cerejas deste ano cheira a marisco, o que vai causar a mais que provável ruína da família Bourbon de Linhaça. Mas eles vão encontrar uma forma de superar essa grande catástrofe. 

Quando entrevistámos o argumentista Henrique Dias pela última vez, disse-nos que, com um público consolidado e habituado ao registo, poderiam arriscar um pouco mais nesta segunda temporada. Como é que foi para si abordar a continuação do projeto, tendo em conta que também é um dos criadores de “Pôr do Sol”?
Nas primeiras reuniões que tivemos nesta segunda temporada concluímos — e é uma presunção nossa — que as pessoas já entendem muito bem o código, portanto podemos ir um bocadinho mais fundo. Tanto na estética da realização como na própria escrita, além da interpretação dos atores. E é isso que acaba por acontecer nesta segunda temporada. A realização está muito mais próxima de um registo de série — a direção de fotografia, a luz, está tudo mais próximo de uma série do que de uma novela clássica. Se bem que as novelas também têm evoluído na sua estética, há um maior cuidado. Mas no “Pôr do Sol” resolvemos mesmo arriscar. Já vi até ao episódio 16 e estou fascinado com a estética. A única coisa que consigo dizer é que é mais do mesmo, mas melhor. De facto a realização está melhor, a escrita está mais apurada porque as pessoas já entendem o código, e os próprios atores — tanto os que já estavam na primeira temporada como os que entraram e foram muitos os que entraram — já conhecem o “Pôr do Sol”. Quando vão fazer, já sabem, portanto torna tudo muito mais fácil. Agora, há sempre o risco do segundo álbum, que é o nosso maior medo.

São as expetativas?
Sim, é conseguir corresponder às expetativas, isso por vezes é difícil. Mas estamos mesmo muito entusiasmados com o que fizemos e com o que estamos a ver. Estou absolutamente rendido com os episódios que já vi e cada um é melhor do que o outro. Estamos muito confiantes.

Está preparado para a avalanche de reações que há-de vir aí, tal como aconteceu no ano passado?
Essas expetativas não gosto muito de as ter, porque não é a minha preocupação. Nunca foi. Queremos que as pessoas gostem, porque aquilo nos deu um gozo bestial a fazer e a construir. Desde a primeira reunião de Zoom em que decidimos criar esta estrutura — a família, uma gémea má, uma gémea boa, um vilão que parte copos — até estas últimas, onde discutimos a duração de planos específicos, já na edição… É algo que nos dá muito gozo a fazer. Queremos que as pessoas se deliciem tanto a ver quanto nós a fazer. 

Mas sem expetativas para as reações dos espectadores.
A julgar pelo buzz que está a ser criado, a expetativa é alta, acho que as pessoas vão querer ver. E pelo que já vi, vai correr bem, porque nós somos mesmo muito exigentes, uns com os outros até. Uma coisa que funciona muito bem nesta equipa é isso. Nós não temos qualquer pudor de dizer: olha, isso não está bom. É um processo criativo muito interessante, é a primeira vez até que isto acontece comigo. É uma discussão sem filtros e isso torna a coisa mais fácil. Relativamente à avalanche, vamos ver [risos].

O Rui tem, obviamente, bastante experiência em novelas. E mesmo depois de “Pôr do Sol” tem trabalhado em novelas. Como é que sente que a série foi recebida nesse circuito?
Foi muito bem aceite. Tive pessoas que fazem novelas em exclusivo, e diretores de canais e produções, a dizer: “eh pá, tu devias ter trazido isto para aqui, em vez de teres levado à RTP”. E realizadores de quem gosto e com quem já trabalhei muitas vezes: “Eu no início estava um bocadinho reticente, achei que vocês iam gozar connosco, mas não. Isto não é um gozo às novelas, menosprezando-as”. Nós limitamo-nos a fazer uma novela com todo o cuidado, só que com um texto absurdo. Isso, sim, é falar dos muitos estereótipos que existem em novelas. Agora, a seriedade com que nós atores nos entregamos a fazer aquelas personagens defende a coisa. E aconteceu durante este ano muitos atores a dizer: “Por favor, se houver oportunidade lembra-te de mim que eu gostava muito de dar lá uma perninha”. E tomara nós termos personagens para meter toda a gente, porque de facto há atores incríveis com quem gostávamos muito de trabalhar e que não pudemos porque não cabiam. Mas mesmo assim conseguimos ter um núcleo de atores novos interessante, que fará inveja a muitas produções [risos].

Enquanto ator, estando habituado a vários registos, as gravações de “Pôr do Sol” são especialmente divertidas?
São muito divertidas, mas isso torna a coisa muito difícil. Temos uma frase para nos ajudar a definir o que é que deve ser aquele registo: “a comédia só pode ser comédia para quem a vê, não para quem a faz”. É a nossa bitola. Ou seja, para os atores aquela história tem de ser de facto um drama. Só pode ser divertida para quem a vê. Por exemplo, o engenheiro Eduardo Bourbon de Linhaça tem de ficar absolutamente destruído quando percebe que comprou um cavalo por sete mil milhões de euros e o cavalo só corre para trás e dá coices para a frente. Isso tem de ser um drama para a personagem. E o Marco Delgado, que faz brilhantemente aquilo, soube defender isso muito bem. Sentimos o desespero e a angústia na personagem. Esse é o grande segredo do “Pôr do Sol”.

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