Televisão

Estreou a nova temporada de “Doctor Who” que traz primeiro Doutor negro e gay

O protagonista vai-se juntar a uma nova parceria com a qual vai partir em aventuras perigosas e assustadoras pelo universo.
Vêm aí mais aventuras mirabolantes.

Nos últimos anos, a série de ficção-científica “Doctor Who” tem quebrado várias barreiras. Entre 2018 e 2022, foi protagonizada por uma mulher, Jodie Whittaker. Na 14.ª temporada, que estreou este sábado, 11 de maio, na Disney+, a estrela é Ncuti Gatwa, o primeiro ator negro e gay a interpretar o Doutor.

Ao lado de Ruby Sunday (Millie Gibson), vai viajar através do tempo e do espaço. A jornada é sempre feita na TARDIS, uma nave com a forma de uma cabine policial. Ao longo do caminho, os protagonistas vão encontrar amigos incríveis e antagonistas perigosos, incluindo um bicho-papão e o inimigo mais poderoso do Doutor.

Com origens ruandesas e escocesas, o primeiro trabalho que lhe permitiu chamar a atenção do público foi como Eric Effiong, em “Sex Education”. Iinterpretava um extrovertido e extravagante jovem homossexual que falava abertamente sobre as suas relações com os colegas. No entanto, em casa, escondia da família a verdade sobre a orientação sexual.

Esta personagem vai ao encontro de algumas experiências pessoais do ator de 31 anos. Numa entrevista para a “Rolling Stone”, Ncuti revelou que não costuma falar com a família sobre os papéis. Os seus progenitores têm origens conservadoras e mudaram-se para a Escócia em 1994, durante o Genocídio do Ruanda.

“Nós não falámos sobre isso, mas eles viram”, revelou. O pai, Tharcisse Gatwa, é um jornalista e investigador com doutoramento em teologia. “Não queria que eles vissem, mas não consegui impedi-los. Eles apoiam-me muito, felizmente, mas não é muito confortável saber que a minha mãe sabe como é a cara que eu faço durante o sexo”, confessou.

Apesar de já não estar tão ligado à fé e à igreja, confessa que essa área ainda é “uma grande parte” da sua identidade. “Fui criado na igreja. Os meus pais são cristãos ruandeses tradicionais. Adorei a minha educação. No entanto, há muito tempo deixei de estar tão ligado a tudo isto. Ainda sinto uma conexão a algo maior que nós, não posso viver a minha vida sem essa ligação”, descreveu.

Ncuti, que também entrou no blockbuster “Barbie” como o Ken Artista, explica que a participação em “Sex Education” ajudou-o a aceitar mais a sexualidade. Aliás, no início de setembro de 2023, revelou publicamente que era “queer”. “O Eric é muito feroz e não tem vergonha de nada. Foi curativo para mim e ótimo para as pessoas se sentirem representadas. Ensinou-me a importância da representação: é muito poderosa e necessária”, afirmou numa entrevista à revista “Elle”.

Agora, o ator é a 15.ª encarnação de “Doctor Who”. Vai ser o primeiro ator negro e a nascer fora do Reino Unido a protagonizar a série. Esta série de ficção-científica é uma das mais antigas de sempre e está no ar desde 1963. A personagem já foi interpretada por atores como Matt Smith ou David Tennant.

Um dos grandes focos da história está na importância da família “escolhida”, sendo tão ou mais importante do que a biológica. Na ótica de Gatwa, esta é uma das principais razões para “Doctor Who” ter uma “conexão tão grande com as pessoas LGBT”, disse ao jornal britânico “The Guardian”.

“Nós podemos escolher a nossa própria família. O Doutor é um solitário que está sempre em busca da próxima aventura. Conheço muitos gays que poderia descrever dessa forma”, afirmou. “Acho que é um tema lindo, a família escolhida pode ser mais significativa e mais solidária. Este é um dos tópicos mais importantes da série”.

Carregue na galeria para conhecer as séries que chegaram à televisão e às plataformas de streaming em maio.

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