Televisão

Sabia que o som do genérico da Netflix é uma aliança de casamento?

E esteve para ser uma cabra. Conheça a história bizarra de como a plataforma de streaming criou a famosa introdução.
É o som que todos ouvimos antes de começar um filme ou série.

A Disney lança fogo de artifício em redor do seu castelo, o candeeiro ambulante da Pixar é conhecido em todo o mundo e a MGM ficou famosa pelo rugir do leão. De forma mais discreta, mas também já familiar, a Netflix introduz todos os seus conteúdos na plataforma com o mesmo som — que tem uma estética bastante digital.

A revista americana “Entertainment Weekly” revelou a 5 de agosto a história por trás desta introdução da Netflix — que foi contada num podcast chamado “Twenty Thousand Hertz”.

Em 2015, no mesmo ano em que a plataforma foi lançada em Portugal, um dos executivos da empresa (vice-presidente do departamento de Produto), Todd Yellin, estava à procura de algo “que gritasse Netflix”.

Por um momento, todos os filmes, séries, documentários, desenhos animados e especiais de stand-up comedy — entre outros conteúdos — da Netflix poderiam ter no início o som de uma cabra. “Eu gostava do som da cabra. Era divertido. Era peculiar. Era a nossa versão do leão Leo [da MGM]”, disse Yellin no podcast.

Na mesma entrevista esteve presente o designer de som premiado Lon Bender (que ganhou um Óscar pelo trabalho que fez em “Braveheart: O Desafio do Guerreiro”), que na altura ajudou Yellin a encontrar e a moldar o som certo. Só que a sua origem é, no mínimo, curiosa.

Lon Bender revelou que o som que todos nós ouvimos no genérico da Netflix veio de ele próprio bater com a sua aliança de casamento num armário de madeira. Bender gravou esse som e depois moldou-o — acrescentando o som desacelerado de uma bigorna e o som digital de uma guitarra elétrica. Tudo junto e editado tornou-se a intro que bem conhecemos.

Esta era apenas uma das 20 ou 30 opções que Todd Yellin tinha naquele momento. O executivo diz que sabia que os utilizadores da Netflix não teriam paciência para uma introdução longa ou para uma versão que fosse demasiado parecida à da Xbox ou um computador da Apple. Queriam que fosse curto mas eficaz.

O som vindo da aliança de casamento chegou à última seleção, onde estava ainda o tal ruído de uma cabra a berrar e um som borbulhante que parecia vindo das profundezas do oceano. Todd Yellin sentia a pressão de tomar a decisão certa. “Era esta coisa que sabíamos que ia ser ouvida por milhões e milhões de pessoas!”

Certo dia, depois do trabalho, Yellin mostrou os três sons à filha, que na altura tinha dez anos. Ela escolheu imediatamente aquele que todos nós conhecemos hoje em dia — e a decisão do executivo da Netflix tornou-se muito mais fácil repentinamente.

Ainda assim, houve algumas exceções. Os filmes e as produções cinematográficas com realizadores conceituados têm sido uma das maiores apostas da plataforma nos últimos anos. Para estas obras, como “O Irlandês”, de Martin Scorsese; ou “Marriage Story”, de Noah Baumbach; o famoso compositor Hans Zimmer fez uma versão orquestral e mais longa do som introdutório habitual da Netflix.

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