Televisão

Samuel L. Jackson enfrenta 400 anos de escravatura na nova série documental da HBO

O primeiro já saiu. Ao todo são seis episódios que vão ser lançados nas próximas semanas.
Ator visitou terras de antepassados.

Ao longo da história da Humanidade, a escravatura sempre foi recurso de opressão e exploração. Mas foram os séculos de colonização de povos europeus em África que abriram caminho a um negócio de morte e violência em grande escala.

A história dos EUA está intimamente ligada a esse passado de escravatura. Quando em 1865 os confederados foram derrotados na guerra civil americana, foi possível preparar o fim da escravatura. Mas a mancha da escravatura foi algo que continuou a afetar a sociedade nos 150 anos seguintes.

Em “Enslaved”, série que chegou esta semana à HBO Portugal, Samuel L. Jackson leva-nos a descobrir as origens deste negócio em larga escala e histórias que se perderam ao longo da história. Não por acaso, o primeiro episódio leva-o até ao atual Gabão, na costa oeste de África, à procura das raízes ancestrais do próprio ator, que remontam à tribo Benga.

O projeto é de realização e apresentação do jornalista premiado Simcha Jacobovici, e conta com a colaboração do jornalista de investigação e autor Afua Hirsch. Ao todo, são seis os episódios que compõem a primeira temporada de “Enslaved”. Serão lançados ao ritmo de um por semana até ao próximo dia 19 de outubro. Dada a natureza algo violenta do tema, a série documental está catalogada na HBO como sendo para maiores de 18 anos.

São seis episódios ao todo.

No total, mais de 12 milhões de pessoas foram levadas e vendidas para a escravatura. Portugal teve a sua parte, ao levar muitos africanos para o Brasil. Nos EUA, o tema continua bem atual, com as divisões raciais e problemas sociais a lembrarem que há estigmas que o tempo, por si só, não resolveu.

Eram muitas vezes brutais as condições em que aquelas pessoas eram levadas para terras distantes e que lhes eram desconhecidas. Agrilhoados, subnutridos, sujeitos a violência de todo o género, muitos morriam ainda antes de chegarem ao destino a que os tinham condenado. Estima-se que pelo menos dois milhões de pessoas tenham morrido no mar, durante a travessia ou mesmo em naufrágios.

Recorrendo a novas tecnologias de mergulho, um dos destaques da série deves-se a ter sido possível localizar e examinar navios negreiros afundados. É um outro olhar, do fundo do mar, da tragédia em larga escala.

Houve aqui também o cuidado de não ir apenas ao destino final dos escravos mas também de onde vieram, desvendando fortes e masmorras, nomeadamente no Gana, por onde muitos começavam a sua viagem. Também as casas senhoriais de Inglaterra ou as antigas plantações na América que faziam da exploração de mão de obra escrava o seu sustento são abordadas.

“Isto não foi algo exclusivo da América. Foi um fenómeno mundial”, salienta Samuel L. Jackson no trailer que apresenta “Enslaved”. A história revisita-se para melhor se conhecer o passado e as marcas que dele chegaram ao presente. Mesmo que por vezes isso nos confronte com momentos em que antepassados nossos estiveram do lado errado da história. É uma questão de memória. A bem do futuro.

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