Televisão

Se dependesse de George R.R. Martin, “House of the Dragon” teria mais saltos temporais

O escritor e criador da saga falou sobre as suas ideias para o bem-sucedido spin-off de “A Guerra dos Tronos”.
Dá-lhe, George

Apesar de ser o criador da saga e de acompanhar de perto a adaptação à televisão, George R.R. Martin confessa que para lá de alguns conselhos, não tem nenhum controlo sobre os guiões. Em entrevista com David Anthony Durham, também ele autor de ficção, o escritor americano falou sobre o que teria feito de diferente em “House of the Dragon”.

“Um dos argumentistas queria ter começado a história mais tarde, com a morte da Aemma. Queria ignorar o Grande Concelho, o torneio. Queria começar com um grito e com a sua morte”, explica. “Essa era uma das possibilidades. Outro argumentista queria começar ainda mais tarde, com a morte de Viserys. Assim, o que teria de acontecer? Terias de apresentar todo o material em flashbacks ou através de diálogo e seria muito desafiante.”

Martin, que é produtor-executivo da série, manifestou a sua preferência: se a sua vontade fosse levada a cabo, a narrativa teria arrancado muito antes. “Só eu é que gostava dessa possibilidade”, referiu.

“Queria ter começado 40 anos antes, com um episódio a que chamaria ‘A Herdeira e o Suplente’. Os dois filhos de Jaehaerys, Aemon e Baelon, estariam vivos e veríamos a sua amizade, mas também a rivalidade dos dois lados da grande casa [dos Targaryen]”, diz. “O Aemon morre quando um arqueiro lhe acerta acidentalmente em Tarth e o Jaehaerys decide quem é que será o novo herdeiro. Seria a filha do herdeiro que acaba de morrer? Ou o segundo filho, que tem também filhos? Ele é um homem, ela é uma adolescente. Poderíamos ter apresentado tudo isso, mas teríamos que acrescentar mais 40 anos [à história].”

Eventualmente, a série acabou por arrancar com o Grande Concelho liderado por Jaehaerys, que decide de o trono deveria ser de Rhaenys, a filha do seu filho mais velho, ou de Viserys, o filho do seu segundo filho. “Há muitas formas de abordar estas coisas. Se o fizeres bem, funciona sempre”, nota.

A produção que voltou a bater recordes na HBO e que mostrou ser uma aposta ganha não deixou de gerar algumas críticas. Entre as mais comuns, está a dos sucessivos saltos temporais e trocas no elenco — algo necessário para poder condensar tantos anos de história em apenas dez episódios. George R.R. Martin é um dos críticos, mas enquanto os fãs pedem menos saltos, o criador gostaria de ter feito ainda mais para poder viajar e explorar de outra forma as quatro décadas da Casa Targaryen.

Entretanto, o autor anunciou também uma excelente novidade para os fãs dos livros, que desesperam pela continuação da história. Segundo o autor, a sua próxima obra, “Winds of Winter”, está quase pronta. O livro, o sexto volume de “A Canção de Gelo e Fogo”, terá mais de 1500 páginas. “Estou a fazer progressos, mas ainda não está acabado. Suspeito que vai ser um livro muito grande.”

Falta, segundo Martin, escrever cerca de um quarto do livro. “Já concluí algumas das personagens, mas elas interligam-se. Já escrevi a história completa de algumas, mas faltam outras. Ainda vou demorar um bocado”, explicou no sofá do programa de Stephen Colbert.

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